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Estaleiro baiano já monta novo navio de mergulho para a Petrobras com R$ 115 milhões do FMM em pacote de contratos de R$ 2,7 bilhões
Escrito por Ana Alice
Publicado em 06/10/2026 às 20:45
Atualizado em 06/10/2026 às 20:50
Indústria Naval
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Embarcação de apoio a mergulho avança na linha de produção da Belov, na Bahia, enquanto novos contratos com a Petrobras movimentam investimentos, expansão do estaleiro e renovação da frota offshore brasileira.
O Estaleiro Belov, em Simões Filho, na Bahia, avançou na construção do Belov Arembepe, novo navio de apoio a mergulho que será empregado em contratos ligados à Petrobras.
A embarcação recebeu R$ 115 milhões em financiamento do Fundo da Marinha Mercante (FMM) e deverá entrar em operação no segundo semestre de 2027.
O projeto faz parte de um movimento maior da companhia no mercado offshore. No fim de fevereiro de 2026, o Grupo Belov assinou oito contratos com a Petrobras, que somam R$ 2,7 bilhões e têm prazo de quatro anos.
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Os acordos envolvem afretamento e prestação de serviços com embarcações de apoio a mergulho e operações com veículos submarinos remotamente operados, os ROVs.
A construção do Belov Arembepe começou em fevereiro. Em abril, o estaleiro realizou o primeiro corte do aço do casco CN038, etapa considerada o início formal da fabricação da embarcação.
Quatro meses depois, em 17 de agosto, ocorreu o batimento de quilha, marcando o avanço para a montagem estrutural do navio.
Belov Arembepe terá 40,5 metros e equipamentos para operações submarinas
O Belov Arembepe pertence à categoria SDSV, sigla para Shallow Dive Support Vessel, embarcação voltada ao suporte de operações de mergulho em águas rasas.
O navio terá 40,50 metros de comprimento, 10,98 metros de boca moldada, 3,85 metros de pontal moldado e calado de 2,88 metros.
A configuração é baseada no modelo RAlly 4000, da canadense Robert Allan Ltd., já utilizado nos navios Belov Humaitá e Belov Amaralina.
Segundo a Belov, o Arembepe será o quarto SDSV da frota do grupo e o terceiro desse tipo construído pelo próprio estaleiro.
A embarcação foi projetada para operar com quatro geradores de 565 kW, além de um gerador de emergência de 96 kW. O conjunto de propulsão inclui três hidrojatos de 520 kW e três propulsores de túnel de 150 kW, enquanto a classificação ficará a cargo da sociedade classificadora RINA.
O uso de hidrojatos também aparece nas embarcações anteriores do projeto RAlly 4000. A Robert Allan explica que essa solução foi adotada considerando a segurança dos mergulhadores durante as operações, além da necessidade de manter posicionamento e manobrabilidade em baixas velocidades.
Os navios da série também podem receber sistemas para lançamento e recuperação de ROV, campânula de mergulho e câmara de descompressão.
Novo navio será usado em plataformas da Petrobras
Quando entrar em serviço, o Belov Arembepe será utilizado em atividades de inspeção, manutenção e apoio a plataformas offshore da Petrobras ou de unidades contratadas pela companhia.
A operação também contempla mergulho e uso de ROVs, equipamentos controlados remotamente para trabalhos submarinos.
Os oito contratos anunciados em março abrangem quatro SDSVs e entram em vigor em diferentes momentos entre o segundo semestre de 2026 e o segundo semestre de 2027.
Além do novo Arembepe, a Belov relaciona aos acordos as embarcações Belov Humaitá, Belov Amaralina e Cidade Ouro Preto.
Cada uma das unidades já citadas pela companhia está ligada a contratos de afretamento e de prestação de serviços. Na prática, o pacote garante a utilização das embarcações em atividades submarinas e, ao mesmo tempo, sustenta a incorporação do Arembepe à frota.
André Weber Carneiro, diretor do Grupo Belov, afirmou no anúncio dos contratos que os acordos ampliam a previsibilidade operacional da frota e fazem parte do projeto de expansão que inclui a construção do novo SDSV. A informação foi divulgada pela própria empresa em março.
FMM financia R$ 115 milhões do novo SDSV
A Belov informou que o Belov Arembepe obteve R$ 115 milhões em financiamento do Fundo da Marinha Mercante.
O valor se refere ao financiamento da embarcação e não deve ser confundido com o custo total individual do navio.
Há ainda um projeto mais amplo ligado à construção de duas embarcações SDSV no estaleiro. Informações divulgadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos e reproduzidas pelo Sinaval apontam R$ 230,2 milhões para as duas unidades, com a Caixa Econômica Federal como agente financeiro e previsão de 277 empregos diretos.
O batimento de quilha realizado em agosto contou com representantes do Ministério de Portos e Aeroportos, da Codeba, da Caixa, da RINA, da Robert Allan e de outras organizações ligadas ao projeto.
A cerimônia ocorreu no estaleiro da Belov, na Baía de Aratu.
A Codeba informou que a construção deverá ser concluída em aproximadamente 18 meses e confirmou a previsão de início das operações no segundo semestre de 2027.
Estaleiro Belov também passa por expansão na Bahia
Enquanto o Arembepe avança na linha de produção, o próprio estaleiro entrou em uma nova etapa de investimentos.
Assista o vídeo
Em 2 de outubro de 2026, o Grupo Belov anunciou a assinatura de um contrato com a Caixa para financiar a reforma e ampliação da unidade com recursos do FMM.
O projeto de modernização está avaliado em R$ 73 milhões, dos quais R$ 66 milhões serão financiados.
Segundo a empresa, as obras de ampliação já envolvem cerca de 300 empregos e a expectativa é chegar a mil novos postos com o início de projetos de novas embarcações já contratados.
Além do Arembepe, o estaleiro anunciou em julho um contrato para construir quatro rebocadores azimutais para a SAAM Towage Brasil, ampliando a carteira de encomendas da unidade baiana.
A movimentação ocorre paralelamente à construção dos navios de apoio offshore vinculados às operações da Petrobras.
A previsão divulgada pela Belov mantém a entrada do Belov Arembepe em operação no segundo semestre de 2027, após a conclusão da construção, integração dos sistemas e etapas de classificação da embarcação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

