Estaleiro brasileiro constrói 2 novos rebocadores para transportar minério com 6 motores preparados para operar com biodiesel
Escrito por Ana Alice
Publicado em 22/10/2026 às 23:19
Atualizado em 22/10/2026 às 23:20
Indústria Naval
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Estaleiro Rio Maguari vai construir dois novos empurradores para a LHG Mining, com seis motores Wärtsilä preparados para diferentes combustíveis e operação na hidrovia Paraguai-Paraná.
O Estaleiro Rio Maguari vai construir dois novos rebocadores empurradores para a LHG Mining, ampliando a frota utilizada no transporte de minério de ferro pela hidrovia Paraguai-Paraná.
Cada embarcação receberá três motores Wärtsilä 20, totalizando seis unidades, com tecnologia capaz de operar com diferentes combustíveis, incluindo misturas de biodiesel.
Os equipamentos estão previstos para serem entregues durante 2027.
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O novo pedido foi divulgado pela Wärtsilä em 20 de outubro de 2026 e amplia uma parceria que já envolvia quatro embarcações semelhantes.
O contrato anterior, firmado em 2025, também previa a utilização da mesma plataforma de motores, enquanto a nova encomenda adiciona outros dois empurradores ao programa de expansão da logística fluvial da mineradora.
Novos empurradores vão transportar minério pela hidrovia Paraguai-Paraná
As embarcações serão usadas para movimentar minério produzido na região de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, pela hidrovia Paraguai-Paraná.
Essa rota é uma das principais alternativas de escoamento fluvial de cargas minerais da região e integra uma estrutura logística que conecta o interior do Brasil a terminais capazes de receber os volumes destinados ao mercado externo.
Apesar de serem frequentemente chamados de rebocadores, os barcos do projeto funcionam como empurradores fluviais, embarcações desenvolvidas para movimentar conjuntos de barcaças em rios e hidrovias.
Em vez de rebocar a carga por cabos, o empurrador atua diretamente conectado ao comboio, fornecendo a potência necessária para deslocar grandes volumes de minério.
Cada uma das duas novas unidades será equipada com três motores Wärtsilä 20.
De acordo com a fabricante finlandesa, a plataforma foi escolhida para operações fluviais de alta utilização e oferece flexibilidade para trabalhar com diferentes combustíveis, entre eles misturas contendo biodiesel.
Isso não significa que os dois empurradores operarão exclusivamente com biodiesel desde a entrega.
A característica divulgada pela Wärtsilä é a capacidade dos motores de aceitar diferentes combustíveis, oferecendo à operadora margem para adaptar a operação conforme disponibilidade, requisitos regulatórios e estratégia de abastecimento.
Contrato inclui seis motores, peças e suporte técnico
Além dos seis motores, o contrato inclui ferramentas, peças de reposição, suporte ao comissionamento, garantia estendida e uma garantia específica relacionada ao consumo de combustível.
O pacote busca atender não apenas à construção das embarcações, mas também ao desempenho dos equipamentos após sua entrada em serviço.
A escolha repete uma configuração já utilizada em embarcações anteriores da LHG Mining.
Darlan Carvalho, presidente da mineradora, afirmou no anúncio que confiabilidade, eficiência e consistência operacional estão entre os fatores considerados na expansão da frota fluvial.
Segundo o executivo, a plataforma Wärtsilä 20 já havia demonstrado adequação ao perfil das operações da companhia.
A nova encomenda, portanto, mantém um conceito aplicado aos empurradores anteriores em vez de introduzir uma arquitetura de propulsão completamente diferente.
Estaleiro Rio Maguari participa da expansão da frota da LHG
O projeto também reforça a carteira do Estaleiro Rio Maguari, sediado em Belém, no Pará.
A empresa já participa da expansão da frota de navegação interior da LHG e está entre os estaleiros envolvidos na construção de embarcações destinadas à movimentação de minério pela hidrovia.
Em uma divulgação anterior, o próprio Rio Maguari informou que o programa logístico da LHG prevê a construção de 400 barcaças e 15 empurradores, distribuídos entre diferentes estaleiros.
A estrutura foi planejada para ampliar a capacidade de transporte do minério extraído em Corumbá.
As embarcações percorrem aproximadamente 2.500 quilômetros pela hidrovia Paraguai-Paraná, atravessando o Paraguai em direção ao terminal marítimo de Nueva Palmira, no Uruguai.
Nesse ponto, o minério pode ser transferido para navios de maior porte destinados ao transporte marítimo internacional.
O modelo cria uma ligação direta entre a construção naval brasileira e a logística mineral.
Os estaleiros fabricam barcaças e empurradores destinados a uma operação contínua em águas interiores, enquanto a LHG utiliza os comboios para transportar volumes de minério por longas distâncias até a conexão com o transporte oceânico.
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Projeto prevê entrega de equipamentos em 2027
Os novos barcos deverão seguir um projeto RApide, desenvolvido pela empresa canadense Robert Allan Ltd.
Os dois empurradores serão construídos pelo Rio Maguari para entrega em 2027, dando continuidade à série anteriormente encomendada pela LHG.
A expansão não começou com essas duas unidades.
Em 2025, a Palfinger Marine divulgou um contrato para fornecer oito guindastes destinados a quatro embarcações de navegação interior construídas pelo Rio Maguari dentro do mesmo programa da LHG.
Na ocasião, a fabricante também relacionou o projeto à ampliação da capacidade de transporte mineral pela hidrovia Paraguai-Paraná.
Além de barcaças e empurradores, o programa exige equipamentos adaptados às condições específicas da navegação fluvial.
Profundidade dos rios, períodos de seca, correntes e necessidade de operação contínua influenciam características como calado, potência instalada e configuração dos comboios.
Nesse cenário, os motores Wärtsilä 20 foram selecionados para trabalhar em uma rotina de alta utilização.
A fabricante destaca a relação entre potência, peso e espaço ocupado como uma das características da plataforma, ponto relevante em embarcações onde a distribuição interna dos equipamentos precisa ser compatível com dimensões mais restritas do que as encontradas em grandes navios oceânicos.
Motores podem operar com misturas de biodiesel
A utilização potencial de misturas de biodiesel adiciona uma alternativa ao modelo tradicional baseado exclusivamente em combustíveis fósseis.
A Wärtsilä não divulgou, porém, qual percentual de biodiesel será empregado pela LHG nem estabeleceu um cronograma para adoção desse combustível nos novos rebocadores.
O contrato dos motores foi registrado pela fabricante no terceiro trimestre de 2026.
A previsão atual é que os equipamentos sejam fornecidos durante 2027, acompanhando o avanço da construção das duas embarcações no Brasil.
Com as novas unidades, o Rio Maguari dá sequência à produção de embarcações destinadas ao transporte de minério em águas interiores, enquanto a LHG amplia uma frota que utiliza a hidrovia Paraguai-Paraná como parte de sua cadeia de exportação.
O cronograma divulgado até agora confirma a entrega dos sistemas de propulsão em 2027, mas não informa uma data específica para a entrada dos dois novos empurradores em operação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

