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Estradas da Bahia suportariam até 11,5 milhões de toneladas de bauxita por ano: estudo dobra projeção de transporte de futura mina e revela rotas de até 220 km até o porto

Estradas da Bahia suportariam até 11,5 milhões de toneladas de bauxita por ano: estudo dobra projeção de transporte de futura mina e revela rotas de até 220 km até o porto

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Estradas da Bahia suportariam até 11,5 milhões de toneladas de bauxita por ano: estudo dobra projeção de transporte de futura mina e revela rotas de até 220 km até o porto

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 27/10/2026 às 18:13

Atualizado em 27/10/2026 às 18:15

Mineração

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Representação ilustrativa de caminhões de carga mineral em rodovia. Um estudo avaliou o potencial de escoamento futuro de bauxita do projeto Amargosa, na Bahia.

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Estudo independente aponta que rodovias da Bahia poderiam transportar até 11,5 milhões de toneladas úmidas de bauxita por ano. O projeto Amargosa ainda depende de pesquisas, infraestrutura e viabilidade econômica.

Uma mina de bauxita ainda em estudo na Bahia recebeu uma resposta sobre o caminho que seu minério poderia percorrer até os navios. Um levantamento independente apontou que as rodovias avaliadas suportariam transportar até 11,5 milhões de toneladas úmidas de bauxita por ano no projeto Amargosa, da Alurion Resources. A capacidade simulada é o dobro do volume inicialmente usado nos cálculos de transporte da empresa.

O estudo foi anunciado em 6 de outubro de 2026 e tem a BR-101 como eixo da rota até o Porto de Enseada, no litoral baiano. A análise mostra o que as estradas poderiam comportar sob determinados parâmetros; a mina ainda passa por pesquisas e avaliações de pré-viabilidade, com conclusão prevista para meados de 2027. Os 11,5 milhões de toneladas, portanto, são um cenário de transporte, não a quantidade que já circula em caminhões ou sai do país.

Antes de tirar a bauxita da terra, é preciso descobrir como ela chegará ao porto

A bauxita é a matéria-prima usada para fabricar alumina, que depois pode ser transformada em alumínio. O metal aparece em latas, cabos elétricos, janelas, veículos e equipamentos industriais. Mas entre o solo e esses produtos há uma cadeia de retirada, preparo, carregamento, viagens e embarques. Uma mineradora pode ter minério identificado no subsolo e, ainda assim, precisar demonstrar que conseguirá transportá-lo a um custo viável.

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O projeto Amargosa reúne áreas que a Alurion divide em Distrito Norte e Distrito Central. A empresa pretende usar rodovias existentes e estruturas portuárias que poderão ser adaptadas para escoar a carga. O desenho prevê pontos de carregamento, acessos locais, uma frota de caminhões e a movimentação do material até o litoral. Estradas e estruturas de apoio são tão necessárias quanto os equipamentos de extração.

Para testar as rotas, a Alurion contratou a Engimind, consultoria especializada em engenharia de transportes. A equipe avaliou o trânsito atual nas estradas, projetou sua evolução e somou a circulação que poderia ser gerada pelo empreendimento. Depois simulou viagens completas, operações dos pátios e tempos necessários para carregar, descarregar e devolver os veículos às áreas produtoras.

A consultoria trabalhou com três possibilidades anuais: 5,75 milhões, 8,6 milhões e 11,5 milhões de toneladas úmidas. Nos três cenários, os cálculos apontaram níveis de serviço viários adequados, sem restrições de capacidade rodoviária no modelo adotado. O maior volume corresponde ao dobro do cenário-base usado no estudo conceitual anterior da mina.

Os caminhões fariam viagens de até 220 quilômetros pela rede ligada à BR-101

A rota principal projetada pela empresa segue em direção ao Porto de Enseada, usando sobretudo a BR-101. Do Distrito Norte até a instalação portuária, a distância aproximada seria de 160 quilômetros. Do Distrito Central, a viagem estimada chega a cerca de 220 quilômetros, conforme os caminhos avaliados pela consultoria.

O porto fica na Baía de Todos-os-Santos. A ideia é transportar a bauxita até uma estrutura de recebimento e armazenamento antes de sua transferência para navios. No lado das áreas produtoras, seriam necessários terminais de carregamento e melhorias específicas nas vias de acesso. Os locais desses terminais ainda estão em processo de escolha, e o planejamento da frota será incorporado às próximas avaliações do empreendimento.

Mapa oficial mostra as rotas rodoviárias de aproximadamente 160 km e 220 km entre as áreas pesquisadas de Amargosa e o Porto de Enseada. Crédito: Alurion Resources.

Um detalhe do levantamento mostra como o projeto tenta sair dos mapas e chegar às operações. A Engimind apontou como configuração preferencial caminhões de sete eixos e peso bruto combinado de 59 toneladas. O valor corresponde ao peso total do conjunto estudado, não a 59 toneladas líquidas de bauxita por viagem. A quantidade definitiva de caminhões e os custos associados dependerão do volume real da futura operação.

Uma viagem também tem etapas invisíveis para quem apenas vê um caminhão na estrada. O motorista chega ao pátio, espera o carregamento, percorre a rodovia, descarrega no destino e retorna. Se o terminal não receber os veículos com rapidez ou houver um acesso congestionado, parte da capacidade do sistema se perde. O estudo considerou esses ciclos e o funcionamento dos terminais, além da circulação nas rodovias.

O que muda no tráfego das cidades que ficam pelo caminho?

Para moradores de municípios cortados por rodovias de carga, o projeto levanta perguntas concretas: por onde os caminhões entrariam, em quais horários circulariam e como o transporte se relacionaria com bairros, comércios e outros usuários das estradas? A empresa apresentou projeções de participação de seus veículos no tráfego total dos corredores estudados.

No cenário inicial de 5,75 milhões de toneladas úmidas por ano, a circulação associada ao projeto representaria menos de 1% de todos os veículos considerados. No cenário ampliado de 11,5 milhões de toneladas, a projeção sobe para cerca de 1,6%. São percentuais calculados para a rede avaliada; em acessos específicos, retornos, travessias urbanas e proximidades dos pátios, a movimentação pode ter características diferentes.

As obras de acesso e as estruturas necessárias ainda precisam ser detalhadas. O estudo divulgado não estabelece uma data para o início de transportes comerciais nem a quantidade exata de caminhões que passaria diariamente diante de cada comunidade. Essas informações dependerão de escolhas operacionais, exigências ambientais, obras e autorizações futuras.

A Engimind informa ser independente da Alurion e ter recebido remuneração que não depende das conclusões do trabalho. A consultoria possui experiência em estudos de tráfego no Brasil e em outros países. Sua análise oferece parâmetros técnicos para o planejamento rodoviário; a decisão de implantar o projeto envolve também mineração, licenciamento, custos e acesso portuário.

As rodovias podem comportar mais carga, mas o porto precisaria acompanhar o crescimento

O projeto conceitual considerava inicialmente exportar cerca de 5 milhões de toneladas de bauxita em base seca por ano. Para dimensionar o transporte por caminhões, o volume equivalente era de 5,75 milhões de toneladas úmidas. O estudo da Engimind ampliou a capacidade rodoviária examinada até 11,5 milhões de toneladas úmidas, abrindo a possibilidade de testar uma operação maior.

O próximo elo dessa cadeia é o Porto de Enseada. A Alurion trabalha com o operador portuário para analisar uma expansão que poderia chegar a 13,5 milhões de toneladas úmidas anuais de capacidade de movimentação. O projeto de ampliação ainda está sendo estudado em termos de engenharia, investimento e condições comerciais. O valor é uma hipótese de capacidade portuária, não uma estrutura já entregue.

Um sistema de exportação nessa escala teria de sincronizar caminhões, estoque do minério, equipamentos de transferência e navios. A companhia pretende juntar os resultados dos estudos rodoviários às configurações do porto no relatório de pré-viabilidade. O caminho até Enseada continua sendo a alternativa principal de desenvolvimento da Alurion.

Uma segunda rota de 86 quilômetros pode conectar a bauxita à FIOL

A consultoria também avaliou um percurso ao sul da área pesquisada. Nessa alternativa, a carga sairia do Distrito Central e percorreria aproximadamente 86 quilômetros de estrada até um ponto de carregamento ferroviário proposto para a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, a FIOL. Dali, a bauxita poderia seguir para uma estrutura de exportação associada ao Porto Sul.

O traçado poderia evitar a construção de um ramal ferroviário específico de aproximadamente 40 quilômetros, antes considerado em estudos conceituais. Porém, a conexão maior depende de infraestrutura de terceiros ainda não concluída. São necessárias a retomada e a conclusão de obras, a implantação da estrutura portuária e condições comerciais que permitam usar o corredor ferroviário.

A Alurion não anunciou contratos de acesso à FIOL ou a Porto Sul. A alternativa mais imediata continua sendo o caminho rodoviário para Enseada. A opção ferroviária pode integrar uma fase posterior, se as obras e os acordos tornarem o percurso possível. O estudo confirmou apenas a capacidade modelada das rodovias examinadas para chegar à futura conexão.

Ainda faltam pesquisas no minério antes de decidir o tamanho da mina

Amargosa possui recursos minerais de bauxita identificados em áreas pesquisadas, mas a empresa precisa aprofundar sondagens, escavar trincheiras para amostras e realizar testes de processamento. O trabalho deverá ajudar a definir as características do material e os custos envolvidos na produção. As sondagens e os testes deverão ajudar a verificar que parte do recurso mineral poderá sustentar uma operação economicamente viável.

A companhia prevê concluir seu estudo de pré-viabilidade em meados de 2027. A etapa reunirá dados de qualidade da bauxita, processamento, rotas, frota, terminais, custos e opções de exportação. Só depois de novas análises e decisões será possível avançar na definição da operação que poderia sair do papel.

Equipe da Alurion durante campanha de sondagem no projeto Amargosa, na Bahia, divulgada em agosto de 2026. A pesquisa mineral precede a possível implantação da operação. Crédito: Alurion Resources.

Os 11,5 milhões de toneladas citados no estudo não representam uma nova meta formal de produção da Alurion. A análise avaliou a capacidade rodoviária sob diferentes fluxos possíveis. A futura quantidade extraída dependerá das condições técnicas e econômicas da jazida, da infraestrutura implantada e das licenças necessárias.

A nova resposta veio das estradas; o futuro da bauxita depende das próximas etapas

O levantamento indicou que dois corredores existentes podem comportar volumes de transporte maiores do que o cenário inicial sem restrições viárias modeladas. Para a Bahia, a possibilidade envolve quilômetros de rodovias, terminais de carga e uma eventual ligação ferroviária, mas a movimentação comercial de minério ainda dependerá de várias decisões posteriores.

O próximo marco será juntar os resultados rodoviários às pesquisas geológicas, às condições de acesso ao porto e aos custos do empreendimento. O estudo traz um caminho possível para uma mina que ainda não começou a exportar nesse ritmo. O volume que efetivamente chegar aos navios só poderá ser conhecido quando o projeto avançar além dos estudos.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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