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Estudante do IFMT que viu a rotina de um parente com baixa visão cria com colegas óculos com IA para ler textos em voz alta e leva o projeto à semifinal da Samsung; o importado custa R$ 14,9 mil
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 07/10/2026 às 09:31
Ciência e Tecnologia
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Quatro alunos do 2º ano do IFMT de Lucas do Rio Verde (MT) desenvolvem óculos com IA para pessoas com deficiência visual e estão entre os 30 semifinalistas do Solve for Tomorrow, da Samsung. A lista de finalistas sai em 16 de outubro.
Uma estudante do Instituto Federal de Mato Grosso viu de perto as dificuldades de um parente com baixa visão. Levou o problema para a sala de aula, e dali saiu um projeto de óculos com IA para pessoas com deficiência visual. A CenárioMT contou a história na segunda-feira (5). A equipe do IFMT de Lucas do Rio Verde já está entre as 30 semifinalistas do Solve for Tomorrow Brasil.
A Samsung, dona do programa, publicou a história no mesmo dia, 5 de outubro, na Samsung Newsroom Brasil. Os quatro alunos cursam o 2º ano do ensino médio no Campus Avançado Lucas do Rio Verde. O projeto se chama “Óculos com Inteligência Artificial para Acessibilidade de Deficientes Visuais”. A proposta é um aparelho de baixo custo que lê, reconhece objetos e avisa sobre obstáculos por áudio.
A ideia saiu de dentro de casa
Quem puxou o projeto foi a estudante Bruna Stoinski. Segundo o texto da Samsung, ela tem na família uma pessoa com baixa visão. Ao acompanhar esse dia a dia e conhecer outras pessoas com deficiência visual, começou a pensar em como a tecnologia poderia dar mais autonomia a elas.
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O grupo foi pesquisar o que já existia no mercado antes de desenhar a própria peça. Junior Eduardo, integrante da equipe, contou à Samsung o que encontrou. “Nós pesquisamos outros óculos e percebemos que alguns recursos eram voltados para descrever ambientes ou materiais, mas não eram específicos para pessoas com deficiência visual”, disse. Ele resume a estratégia assim: juntar tecnologias que já existem e melhorar cada uma delas numa solução só.
Completam o time a aluna Ester Carla Sobral e um quarto estudante, que não foi nomeado nos textos publicados. O orientador é o professor Vigner Vieira dos Santos, do IFMT.
O que os óculos com IA fazem e como funcionam?
O protótipo junta quatro peças: uma câmera, um minicomputador com conectividade, um alto-falante e fones de ouvido. A câmera capta a imagem e o sistema processa o que vê. A resposta volta como comando de áudio, sem que a pessoa precise olhar para uma tela.
Três usos estão em estudo, segundo a Samsung e a CenárioMT: ler palavras e textos, reconhecer objetos e identificar obstáculos no caminho. A técnica por trás disso é a visão computacional, o ramo da inteligência artificial que ensina a máquina a interpretar imagens.
O trabalho ainda está no começo. A própria Bruna fala do protótipo no futuro. “Quando tivermos o primeiro protótipo, nossa ideia é conversar com essas pessoas e usar os feedbacks e as ideias delas para desenvolver melhorias nos óculos”. Ou seja, os óculos com IA ainda estão em desenvolvimento, e as fontes não informam quanto o aparelho deve custar quando estiver pronto.
“Nada sobre nós sem nós”
O detalhe que mais chamou a atenção da Samsung foi o método. Antes de fechar o projeto, a equipe montou um formulário para pessoas com deficiência visual. As perguntas tratam das características de cada um e dos recursos que gostariam de ter num aparelho desse tipo.
O grupo também procura escolas e profissionais que trabalham com esse público para recolher sugestões e, mais adiante, testar os óculos. “Nosso alicerce para produzir esse projeto se resume a ‘nada é sobre nós sem nós’”, afirmou Bruna à Samsung. A frase é um lema conhecido do movimento das pessoas com deficiência. Para a estudante, não dá para fazer os óculos com IA sem quem vai usá-los.
Helvio Kanamaru, diretor de ESG e Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina, foi pelo mesmo caminho. Para ele, o projeto mostra a importância de colocar as pessoas afetadas por uma solução no centro da inovação. Beatriz Cortese, diretora-executiva do Cenpec, entidade que coordena o programa no Brasil, destacou que os alunos estão “buscando ouvir as pessoas diretamente envolvidas”.
Quanto custa um aparelho comercial parecido?
O mercado já tem óculos assistivos com câmera e áudio, e eles são caros. O mais conhecido no Brasil é o OrCam MyEye, uma câmera pequena presa à haste de um óculos comum, criada pela empresa israelense OrCam. A loja brasileira Mais Autonomia vende o aparelho. Em 7 de outubro de 2026, o OrCam MyEye 2 aparecia lá por R$ 14.900 à vista.
Pela descrição da loja, ele lê textos em português, inglês e espanhol, reconhece rostos, produtos, cores e notas de dinheiro e funciona sem internet. Em 2022, o g1 já registrava o preço de cerca de R$ 14 mil por unidade. Segundo a reportagem, o custo deixava a tecnologia longe de muita gente com deficiência visual.
A comparação tem limite. O OrCam é um produto pronto, vendido há anos, e os óculos do IFMT são um projeto escolar sem preço definido. O que ela mostra é o tamanho da barreira que a equipe quer furar. Leitura e reconhecimento de objetos, funções que os alunos estudam para os óculos com IA, hoje vêm num aparelho importado de quase R$ 15 mil.
Como funciona o Solve for Tomorrow da Samsung?
O Solve for Tomorrow é o programa global de cidadania corporativa da Samsung para alunos do ensino médio de escolas públicas. Os projetos precisam resolver um problema real da comunidade usando a abordagem STEM, sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática. No Brasil, o programa existe desde 2014, está na 13ª edição e é coordenado pelo Cenpec.
O regulamento da edição de 2026, publicado no site oficial do programa, divide a disputa em três etapas. As inscrições foram de 23 de abril a 13 de julho. Dos 60 projetos mais bem pontuados, um comitê escolheu 30 semifinalistas, anunciados pela Samsung em 14 de agosto. Metade dessas vagas é reservada por critério regional.
A segunda etapa é a atual: as 30 equipes fazem uma mentoria online e detalham o projeto. Uma banca escolhe 10 finalistas entre 2 e 15 de outubro, avaliando investigação científica, relevância, viabilidade e criatividade. Na terceira etapa, os finalistas gravam um vídeo de até 3 minutos e disputam prêmios em cinco categorias, com dois vencedores em cada uma.
Datas do calendário publicado pela Samsung em 5 de outubro e do regulamento da edição 2026.
O que a equipe do IFMT já ganhou e o que ainda está em jogo
Pelo regulamento, cada uma das 30 escolas semifinalistas recebe uma Smart TV Samsung avaliada em R$ 3.704,21. Somando as 30 TVs, a primeira etapa distribui R$ 111.126,30. O prêmio vai para a instituição, não para os alunos.
Se a equipe de Lucas do Rio Verde ficar entre os 10 finalistas, cada aluno ganha um smartphone Samsung avaliado em R$ 3.499. O professor orientador leva um notebook de R$ 3.329,10. O regulamento prevê vagas para cinco alunos por equipe. Como o grupo do IFMT tem quatro, o quinto aparelho iria para a escola. Na conta, são 4 vezes R$ 3.499, ou R$ 13.996 em celulares para os estudantes.
Na etapa final, cada aluno vencedor recebe um notebook Samsung e um fone Galaxy Buds, kit avaliado em R$ 3.598,20. O professor ganha um tablet. Ao todo, o regulamento lista 170 prêmios, que somam R$ 567.699,30. O vencedor do Júri Popular leva só um troféu simbólico, sem valor comercial, além do que já tiver ganhado.
Um projeto que também mudou o professor
Para o orientador Vigner Vieira dos Santos, o ganho vai além do aparelho. Ele contou à Samsung que os alunos desenvolveram criatividade, organização, disciplina e respeito a prazos. O trabalho também os aproximou da modelagem e da impressão 3D, usadas para construir as peças.
A experiência também mexeu com ele. “Tenho aprendido muito com eles e com essa iniciativa. É um projeto que nos faz pensar nas pessoas ao nosso redor”, disse o professor, que espera ver os estudantes virarem referência. Ester Carla Sobral resumiu o espírito da competição de outro jeito. Para ela, o dia a dia está cheio de situações que não recebem a devida atenção, e o Solve for Tomorrow abre espaço para resolvê-las.
Os números da edição ajudam a dimensionar a disputa. A Samsung informa que as inscrições cresceram 7,7% em relação a 2025, com 11% a mais de participação feminina. O programa já alcançou mais de 442 mil alunos e professores em 21 países da América Latina.
O que acontece agora com os óculos com IA
O próximo passo é o anúncio dos finalistas, em 16 de outubro. Enquanto isso, o plano que a equipe do IFMT descreveu à Samsung é terminar o primeiro protótipo dos óculos com IA. Depois vêm os testes com pessoas com deficiência visual e os ajustes a partir do que elas disserem.
A escolha de ouvir os futuros usuários antes de fechar o aparelho é o que diferencia esse trabalho, segundo a própria Samsung e o Cenpec. O desafio dos alunos é provar que leitura e reconhecimento de objetos cabem num aparelho barato. Se conseguirem, os óculos com IA de Mato Grosso terão utilidade muito além do Solve for Tomorrow.
Você conhece alguém com deficiência visual que usaria óculos com IA como esse? Qual função faria mais diferença no dia a dia dessa pessoa: ler textos, reconhecer objetos ou avisar sobre obstáculos? Conte nos comentários.
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Samsung
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

