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EUA devem enviar proposta ao Brasil para negociar tarifas nas próximas semanas, enquanto governo brasileiro busca redução ampla das cobranças sobre exportações do país
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 30/09/2026 às 23:21
Atualizado em 30/09/2026 às 23:22
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Brasil e Estados Unidos entram em nova fase da disputa comercial: Washington deve enviar proposta com temas tarifários e não tarifários, enquanto Brasília busca reduzir cobranças que atingem exportações brasileiras.
Brasil e Estados Unidos abriram uma nova etapa na disputa comercial que há meses pressiona empresas exportadoras e aumenta a incerteza sobre o futuro da relação bilateral. Depois de uma reunião presencial em Milwaukee, o governo brasileiro informou que Washington deverá encaminhar, nas próximas semanas, um documento com uma proposta formal para definir o escopo das negociações entre os dois países.
EUA devem apresentar proposta para negociação de tarifas com o Brasil nas próximas semanas
O encontro ocorreu nesta quarta-feira, 30 de setembro, à margem da Reunião de Ministros do Comércio do G20. Participaram o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a conversa deu continuidade ao diálogo de alto nível retomado após um telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em 21 de agosto. Desde então, equipes dos dois governos passaram a manter contatos voltados à tentativa de construir uma saída negociada para os atritos comerciais.
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A principal novidade é que os Estados Unidos deverão apresentar um documento para organizar a próxima fase das conversas. A proposta deverá contemplar temas tarifários e não tarifários, abrindo espaço para uma discussão mais ampla do que a simples revisão de uma única tarifa.
Os dois governos também acertaram a criação de um grupo de trabalho para discutir temas relacionados a um possível acordo comercial. Até agora, não há anúncio de redução imediata de tarifas nem de um acordo concluído. O avanço concreto é a criação de uma estrutura de negociação mais definida, com a expectativa de que o documento norte-americano sirva de base para as próximas tratativas.
Brasil quer redução ampla das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos
Após a reunião, Márcio Elias Rosa afirmou à Reuters que o Brasil busca uma redução integral das tarifas que hoje atingem diferentes produtos brasileiros no mercado norte-americano. Entre as medidas citadas estão tarifas relacionadas ao aço e ao alumínio, uma cobrança de 12,5% ligada a alegações norte-americanas sobre trabalho forçado e a tarifa de 25% aplicada sob a Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos.
Essa tarifa de 25% foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos em julho de 2026, após uma investigação que apontou, na avaliação do governo norte-americano, preocupações envolvendo comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, políticas anticorrupção e desmatamento ilegal.
O governo brasileiro tem defendido uma solução negociada e, até o momento, mantém o foco no diálogo. A nota divulgada pelo MDIC após a reunião em Milwaukee afirmou que os representantes dos dois países reconheceram a importância de superar os obstáculos existentes e manifestaram disposição de trabalhar com rapidez em busca de um entendimento considerado satisfatório por ambos.
A criação do grupo de trabalho e a promessa de uma proposta, porém, ainda não encerram as divergências. Questões tarifárias costumam envolver setores econômicos com interesses distintos, pressão de produtores nacionais e exigências regulatórias que podem prolongar negociações.
Negociação pode ir além do tarifaço e envolver minerais críticos e investimentos
A Reuters informou que Márcio Elias Rosa também citou os minerais críticos brasileiros como um tema que poderá aparecer nas negociações com os Estados Unidos. O ministro indicou que o Brasil pode discutir acesso e investimentos nesse setor, desde que haja projetos com agregação de valor e processamento, e não apenas interesse na extração e exportação de matérias-primas.
O assunto tem peso estratégico porque minerais críticos são fundamentais para cadeias de tecnologia, energia, defesa, baterias e equipamentos de alta complexidade. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro vem tentando atrair investimentos que ampliem o processamento doméstico e reduzam a dependência de exportações de baixo valor agregado.
Outro ponto mencionado por Rosa é que Greer não tratou na reunião de eventuais novas tarifas ligadas às compras brasileiras de derivados de petróleo russos. Segundo o ministro, o foco permaneceu na agenda comercial já aberta entre os dois países e na construção de um formato para as próximas conversas.
A reunião de Milwaukee ocorreu em um momento de intensa atividade do representante comercial norte-americano. Jamieson Greer também participou de encontros ligados ao G20 e presidiu uma reunião internacional sobre excesso de capacidade na indústria do aço, tema conectado à política comercial dos Estados Unidos e ao uso de tarifas para proteger setores industriais domésticos.
Próximo passo será o documento dos Estados Unidos
Para o Brasil, a próxima sinalização concreta deverá vir de Washington. O documento prometido pelos Estados Unidos deverá indicar quais temas o governo Trump pretende colocar formalmente sobre a mesa e quais áreas poderão ser tratadas dentro de uma negociação mais ampla.
A partir daí, será possível avaliar se as conversas caminharão apenas para ajustes pontuais ou se poderão evoluir para um acordo comercial de maior alcance. O governo brasileiro já deixou claro que pretende discutir a retirada ou redução das tarifas que considera prejudiciais às exportações nacionais, enquanto os Estados Unidos devem apresentar suas próprias prioridades sobre acesso a mercado, regras comerciais e políticas internas brasileiras.
Para empresas que dependem do mercado norte-americano, a mudança mais relevante neste momento é a passagem de uma fase marcada sobretudo por tarifas e disputas para outra com um canal de negociação mais estruturado. O resultado dependerá do conteúdo da proposta norte-americana e da capacidade dos dois governos de transformar o diálogo em medidas concretas.
Você acredita que Brasil e Estados Unidos conseguirão chegar a um acordo capaz de reduzir as tarifas de forma relevante? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta matéria.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

