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Exportações de SC crescem 2,6% em setembro, enquanto importações avançam 6,99%, aponta FIESC
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 09/10/2026 às 20:17
Atualizado em 09/10/2026 às 20:20
Indústria
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Exportações de Santa Catarina crescem 2,6% em setembro de 2026 e chegam a US$ 1,08 bilhão, enquanto vendas aos EUA seguem abaixo de 2024.
O comércio exterior de Santa Catarina encerrou setembro de 2026 com resultados diferentes entre os setores. Mesmo com a redução nas vendas de carnes e soja, as exportações catarinenses alcançaram US$ 1,08 bilhão, crescimento de 2,6% em relação ao mesmo mês de 2025. O desempenho foi favorecido por produtos industriais, especialmente motores, geradores elétricos e seus componentes, enquanto as vendas destinadas aos Estados Unidos permaneceram abaixo dos níveis registrados antes das tarifas adicionais.
Os números foram divulgados em 7 de outubro pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC). De janeiro a setembro, o estado acumulou US$ 9,5 bilhões em exportações, resultado 5,5% superior ao do mesmo período de 2025. Apesar do avanço, a variação de setembro ficou abaixo da taxa de crescimento acumulada no ano, indicando uma desaceleração no ritmo das vendas externas.
Importações crescem mais que exportações e chegam a US$ 3,15 bilhões
Enquanto as vendas externas cresceram 2,6%, as importações catarinenses apresentaram uma expansão maior. Em setembro, as compras realizadas no exterior totalizaram US$ 3,15 bilhões, aumento de 6,99% em comparação com os US$ 2,94 bilhões registrados um ano antes. A indústria metalúrgica teve participação importante nesse movimento, principalmente por causa do aumento das aquisições de metais não ferrosos.
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Nesse grupo, o valor importado passou de US$ 169,4 milhões para US$ 241,4 milhões, avanço de 42,5%. O cobre refinado respondeu por US$ 121,7 milhões, com crescimento de 37,4%, enquanto o alumínio em formas brutas alcançou US$ 38,1 milhões, alta de 45,4%. Esses resultados mostram que parte da expansão das importações esteve concentrada em matérias-primas utilizadas por diferentes segmentos industriais.
China amplia participação nas compras de Santa Catarina
A China ganhou mais espaço entre os fornecedores internacionais de Santa Catarina nos primeiros nove meses de 2026. Sua participação nas importações estaduais passou de 42,3% para 42,7%, acompanhada por um aumento de US$ 1,13 bilhão no valor adquirido, equivalente a 10,5% na comparação com o mesmo período de 2025.
O crescimento das compras de produtos chineses envolveu diferentes tipos de mercadorias, entre elas autopeças, aquecedores elétricos, guindastes, motocicletas, pneus e fios sintéticos. Já as importações provenientes dos Estados Unidos seguiram a direção contrária, com retração de 9,2%, encerrando o acumulado de janeiro a setembro em US$ 1,44 bilhão.
Motores e geradores ajudam a compensar queda nas vendas do agronegócio
Nas exportações, os equipamentos elétricos tiveram desempenho positivo em setembro. As vendas de motores e geradores elétricos chegaram a US$ 58,7 milhões, crescimento de 15,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O avanço foi ainda maior entre as partes de motores, que movimentaram US$ 38,1 milhões e registraram alta de 54,9%.
Esses resultados contrastaram com o desempenho de produtos tradicionais da pauta catarinense. Embora continuem relevantes para o comércio exterior do estado, três mercadorias registraram redução no valor exportado em setembro, considerando a comparação com o mesmo mês de 2025:
- Soja: queda de 17,4%;
- Carne suína: retração de 15,6%;
- Carne de aves: redução de 12,4%.
A diferença entre os setores ajuda a explicar o crescimento das exportações totais, mesmo com resultados negativos em produtos importantes. Os ganhos obtidos por motores, geradores e componentes contribuíram para o desempenho do mês, enquanto o agronegócio apresentou retrações em algumas de suas principais mercadorias.
Vendas de madeira aos EUA ainda não recuperaram patamar anterior às tarifas
A relação comercial de Santa Catarina com os Estados Unidos continua marcada pelos efeitos das tarifas adicionais aplicadas aos produtos brasileiros desde abril de 2025, que passaram por alterações ao longo do período. Em setembro de 2026, as exportações catarinenses destinadas ao mercado norte-americano somaram US$ 105 milhões, valor 39,9% inferior ao registrado em setembro de 2024, antes da adoção dessas medidas.
A indústria da madeira apresenta uma diferença expressiva entre os períodos analisados. Em setembro deste ano, os embarques para os Estados Unidos movimentaram US$ 28,7 milhões, crescimento de 40,7% sobre setembro de 2025. Apesar da recuperação anual, o resultado ainda corresponde a menos da metade dos US$ 61,2 milhões registrados no mesmo mês de 2024.
Gilberto Seleme, presidente da FIESC, destacou que os indicadores mostram impactos mais intensos sobre a cadeia produtiva da madeira. Segundo o dirigente, os fabricantes de equipamentos elétricos têm conseguido preservar parte de sua participação no mercado norte-americano, embora os resultados não sejam iguais entre os segmentos industriais.
Equipamentos elétricos apresentam desempenhos diferentes no mercado americano
As vendas catarinenses de motores e geradores elétricos aos Estados Unidos chegaram a US$ 20,6 milhões em setembro de 2026. O resultado representa crescimento de 28,4% em comparação com setembro de 2024, mostrando que esse segmento conseguiu ampliar o valor exportado mesmo diante das mudanças nas condições comerciais entre os dois países.
A situação foi diferente para as partes de motores. Nesse grupo, os embarques destinados aos Estados Unidos recuaram 45,5% na mesma comparação, alcançando US$ 12 milhões. A diferença também mostra que o crescimento de determinados produtos nas exportações totais de Santa Catarina não significa necessariamente um avanço equivalente nas vendas para o mercado norte-americano.
Comércio entre Santa Catarina e Estados Unidos perde força nas duas direções
Os dados sobre importações e exportações mostram dificuldades em diferentes frentes da relação comercial catarinense com os Estados Unidos. De um lado, as compras de mercadorias norte-americanas diminuíram 9,2% no acumulado de janeiro a setembro, em relação ao mesmo intervalo de 2025. De outro, as vendas catarinenses destinadas àquele país ficaram 39,9% abaixo do resultado de setembro de 2024.
Para Pablo Bittencourt, economista-chefe da FIESC, os indicadores apontam um enfraquecimento do comércio entre Santa Catarina e os Estados Unidos tanto nas compras quanto nas vendas. Os percentuais, entretanto, correspondem a períodos de comparação diferentes e devem ser considerados separadamente.
Assim, enquanto o mercado norte-americano permanece abaixo dos níveis anteriores às tarifas em determinados segmentos, o resultado geral das exportações catarinenses continua positivo em 2026.
Fonte
FIESC
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

