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Fábrica brasileira que já produziu mais de 5 milhões de motores elétricos fecha as portas em Santa Catarina, dispensa cerca de 85 funcionários e pede a própria falência à Justiça

Fábrica brasileira que já produziu mais de 5 milhões de motores elétricos fecha as portas em Santa Catarina, dispensa cerca de 85 funcionários e pede a própria falência à Justiça

SC

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Fábrica brasileira que já produziu mais de 5 milhões de motores elétricos fecha as portas em Santa Catarina, dispensa cerca de 85 funcionários e pede a própria falência à Justiça

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 31/10/2026 às 12:31

Atualizado em 31/10/2026 às 12:32

Indústria

Grupo

Imagem ilustrativa gerada digitalmente sobre o fechamento da indústria de motores. Não representa fotografia da fábrica Morita Motors em Schroeder.

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Morita Motors encerrou a fábrica de Schroeder (SC) após anos de crise e dispensou cerca de 85 trabalhadores. Empresa que produziu mais de 5 milhões de motores e alternadores pediu autofalência; veja o que acontece agora.

Uma fábrica catarinense que anunciava ter ultrapassado a marca de 5 milhões de motores e alternadores elétricos produzidos comunicou o encerramento de suas atividades e a dispensa de aproximadamente 85 trabalhadores. A decisão da Nova Motores e Fios, conhecida no mercado pela marca Morita Motors, chegou aos funcionários em 29 de outubro de 2026, em Schroeder, no Norte de Santa Catarina. No mesmo dia, a empresa informou ter apresentado à Justiça um pedido de autofalência.

O contraste é marcante: uma indústria que fabricava equipamentos utilizados em máquinas, bombas e processos produtivos de diferentes setores deixou de operar depois de anos de dificuldades financeiras. A companhia atribuiu a decisão à impossibilidade de restabelecer as condições para continuar funcionando, mesmo após tentativas de reorganização. O fechamento da operação é um fato comunicado pela própria empresa; a decretação judicial da falência ainda depende de análise.

Portões fechados e demissão sem justa causa: o que aconteceu na fábrica de Schroeder em 29 de outubro

O anúncio foi comunicado aos trabalhadores na manhã de quinta-feira, 29 de outubro. Segundo a reportagem inicial do OCP News, aproximadamente 85 pessoas foram atingidas pelo encerramento das operações da unidade localizada no Centro do município.

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O Jornal Razão informou que os empregados receberam comunicado de dispensa sem justa causa, com aviso-prévio indenizado. Isso significa que, segundo o documento relatado pelo veículo, os profissionais não teriam de cumprir o período de aviso trabalhando; a indenização correspondente integra o acerto das rescisões, observadas as regras aplicáveis a cada contrato.

Na Rua Ponte Pênsil, onde a marca mantinha sua operação industrial, a primeira cobertura local encontrou o portão fechado com corrente e cadeado. Esse registro ajuda a dimensionar a rapidez da mudança para os trabalhadores. O ato da empresa não foi apresentado como suspensão temporária da linha de montagem, mas como encerramento das atividades operacionais.

Vista aérea de arquivo da fábrica da Nova Motores e Fios, fabricante da marca Morita Motors em Schroeder. Foto: Reprodução/Jornal Razão. O registro não documenta o anúncio de fechamento de 29 de outubro.

Depois das primeiras notícias, o Grupo Nova publicou esclarecimento sobre as causas da decisão. Conforme apuração do OCP News, divulgada na tarde de 29 de outubro, a administração apontou problemas econômico-financeiros acumulados ao longo dos anos e tentativas frustradas de preservar a empresa e os empregos.

Uma marca de milhões de motores produzidos e uma fábrica com história desde 2008

A Morita Motors não era uma marca desconhecida para quem trabalha com instalações elétricas, bombas, máquinas agrícolas ou manutenção industrial. A Nova Motores e Fios foi constituída em 2008 e fabricava motores elétricos de indução, alternadores síncronos, fios esmaltados e componentes fundidos, conforme a apresentação institucional e o histórico empresarial.

O próprio site da Morita Motors by Nova ainda exibia o marco de mais de 5 milhões de motores e alternadores produzidos e entregues até setembro de 2025. A estatística é acumulada e histórica: não representa peças fabricadas apenas em 2026, nem significa que todos os 5 milhões fossem motores, pois inclui alternadores. É esse volume de produção que ajuda a explicar a dimensão do encerramento.

A página institucional também descrevia um parque industrial de mais de 20 mil metros quadrados e uma operação integrada, com atividades relacionadas a motores, fios e fundição. Entretanto, o site mantinha informações comerciais anteriores ao fechamento, inclusive um quadro de pessoal superior ao número de demissões informado em outubro. Esses números institucionais não devem ser confundidos com a quantidade de trabalhadores efetivamente dispensados em 29 de outubro.

Em outra apresentação oficial, a companhia indicava motores de indução com potências de 1 a 75 cavalos-vapor e alternadores de 4 a 120 kVA. Esses componentes equipam diferentes tipos de equipamentos industriais e instalações produtivas. A marca divulgava atuação no Brasil e em mercados latino-americanos, com rede de representantes e assistência técnica, mas não informou quantos contratos comerciais estavam pendentes na data do fechamento.

A crise não começou agora: o grupo já havia passado pela Justiça em 2015

O pedido de autofalência não surgiu sem antecedentes. Em outubro de 2015, empresas do Grupo Nova entraram com pedido de recuperação judicial, processo destinado a tentar reorganizar dívidas e preservar atividades econômicas. A medida alcançou a fabricante de motores, a holding e outras empresas ligadas às operações de fios esmaltados e fundição.

Imagem institucional de arquivo divulgada pela Morita Motors, com equipamentos utilizados na fabricação de motores e alternadores elétricos. Foto: Morita Motors/Divulgação.

O histórico reconstituído pelo Jornal Razão registra que um plano de recuperação foi aprovado em 2019. A recuperação judicial buscou criar condições para o pagamento dos credores e para a continuidade da empresa. Trata-se de um procedimento diferente do pedido de autofalência anunciado em outubro de 2026.

Há um detalhe temporal importante. Uma comunicação oficial do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, a Circular 534/2026, divulgou em setembro o encerramento do processo anterior de recuperação judicial envolvendo a Nova Participações, a Nova Motores e Fios e outras duas empresas do grupo. O documento identifica os autos 0312142-78.2015.8.24.0038/SC.

Esse encerramento processual de setembro não demonstra que a companhia havia superado definitivamente todos os problemas econômicos. Na comunicação de 29 de outubro, a administração voltou a apontar dificuldades financeiras e informou que buscaria agora um procedimento de natureza diferente: a decretação da falência a pedido da própria sociedade empresária.

Autofalência não significa falência já decretada: o que a Justiça ainda vai decidir

A palavra autofalência pode causar confusão. Ela descreve a situação em que a própria empresa leva à Justiça o pedido para que sua falência seja decretada, em vez de aguardar uma iniciativa de credores. A Lei nº 11.101/2005 estabelece o procedimento jurídico para recuperação e falência de empresas.

Até as notícias consultadas de 29 e 30 de outubro, não havia confirmação pública de decisão judicial decretando a falência da Nova Motores e Fios. A administração declarou que havia protocolado o pedido, cuja análise e eventuais providências caberiam ao Judiciário. O número do novo processo também não constava das publicações examinadas.

O grupo declarou que a iniciativa levou em conta a possibilidade de preservar ativos e, se houver autorização judicial, realizar determinadas atividades necessárias para concluir contratos e gerar recursos. Essa previsão não é anúncio de reabertura regular da fábrica nem garantia de que a produção voltará.

A distinção é essencial para trabalhadores, consumidores e fornecedores: o encerramento industrial comunicado em 29 de outubro já ocorreu, enquanto a definição da situação falimentar, da administração de ativos e das medidas para os credores depende do andamento judicial. O valor total das dívidas não foi confirmado nos comunicados acessados.

O que os cerca de 85 trabalhadores precisam saber sobre aviso-prévio, FGTS e seguro-desemprego

Os desligamentos são a consequência mais imediata da notícia. Os relatos locais informam que os funcionários receberam aviso de demissão sem justa causa e que o aviso-prévio será indenizado. A empresa afirmou que os documentos destinados ao saque do FGTS e ao requerimento do seguro-desemprego ficarão disponíveis por intermédio do sindicato da categoria, em data a ser posteriormente informada.

Não havia, nos comunicados consultados, um calendário definido para o pagamento das rescisões. O sindicato responsável pelo recebimento dos documentos também não foi identificado no texto divulgado pela companhia. Por isso, o trabalhador afetado deve acompanhar comunicações oficiais, guardar os comprovantes do vínculo e buscar orientação diretamente na entidade sindical ou pelos canais públicos de atendimento trabalhista.

O Ministério do Trabalho e Emprego informa que o seguro-desemprego pode ser solicitado por trabalhadores formais dispensados sem justa causa que preencham os requisitos legais, pelo portal gov.br ou pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital. O requerimento geralmente é permitido do 7º ao 120º dia contado da dispensa, conforme as regras do benefício. A concessão depende do histórico individual de trabalho e dos demais critérios exigidos.

Se o pedido de falência for acolhido, a legislação prevê uma ordem de classificação para os créditos contra a empresa. O artigo 83 da Lei 11.101 coloca os créditos de natureza trabalhista, até o limite legal de 150 salários mínimos por credor, em posição privilegiada na classificação. Essa prioridade não é sinônimo de pagamento imediato ou integral: a disponibilidade de recursos, a apuração dos créditos e as decisões judiciais influenciam o resultado.

Para esclarecer dúvidas sobre benefícios, o trabalhador pode consultar os serviços digitais do governo ou a central telefônica 158, do Ministério do Trabalho. Nos casos de divergência de valores ou ausência de documentos, recomenda-se buscar orientação jurídica ou sindical individualizada, evitando aceitar informações não confirmadas sobre depósitos ou datas.

Motores e alternadores movem fábricas e propriedades rurais; ainda faltam respostas sobre fornecedores e clientes

O impacto de uma fabricante de motores vai além do portão da unidade industrial. Motores elétricos são responsáveis por colocar em movimento equipamentos de bombeamento, ventilação, transporte e processamento de materiais. Alternadores, por sua vez, transformam energia mecânica em energia elétrica e integram diversos sistemas de geração.

A Nova Motors divulgava também processos ligados à produção de fios esmaltados, utilizados em enrolamentos elétricos, e peças fundidas que compõem carcaças e conjuntos mecânicos. O negócio, portanto, participava de diferentes etapas da cadeia de fornecimento industrial. O encerramento anunciado se refere à operação da Nova Motores e Fios em Schroeder; não é possível concluir, com base nas informações publicadas, a situação de cada empresa do grupo ou de cada oficina credenciada.

Uma preocupação natural de clientes é o atendimento de equipamentos já vendidos. O catálogo eletrônico da fabricante ainda apresentava produtos e informações de contato quando consultado, mas a permanência dessas páginas não comprova disponibilidade de estoque, garantia operacional ou continuidade das entregas depois de 29 de outubro.

Não foram identificadas orientações públicas novas e detalhadas sobre assistência técnica, pedidos em aberto, devoluções e fornecimento de peças após o fechamento. Consumidores e fornecedores precisam confirmar diretamente com os canais que efetivamente estejam operando e manter os documentos de compra e contrato, especialmente em situações que exijam providências futuras.

Uma empresa fundada há 18 anos chega ao fim de suas operações; agora o foco passa aos trabalhadores e à Justiça

A história da Morita Motors reúne três momentos que ajudam a dimensionar a situação: a constituição da fabricante em 2008, a recuperação judicial iniciada em 2015 e o anúncio, em 29 de outubro de 2026, do fechamento da operação com pedido de autofalência. Entre esses marcos, a própria empresa registrou uma produção acumulada superior a 5 milhões de motores e alternadores até setembro de 2025.

O futuro do patrimônio industrial, dos contratos e dos direitos trabalhistas dependerá de medidas oficiais. O anúncio da administração cita esforços para preservar os ativos e reduzir os impactos sociais, mas não apresenta solução definitiva para as pessoas desligadas. A principal consequência concreta, até aqui, é a perda dos empregos da unidade catarinense.

Para a cidade de Schroeder e para os profissionais que participaram da trajetória da fábrica, o fechamento encerra uma rotina de produção, manutenção e montagem construída ao longo de anos. A próxima resposta decisiva virá das deliberações judiciais e das informações aos trabalhadores sobre documentos e verbas devidas.

Você já trabalhou em uma fábrica que encerrou suas atividades ou passou por recuperação judicial? Conte nos comentários quais informações fizeram mais falta naquele momento e compartilhe esta reportagem com quem acompanha a indústria de Santa Catarina.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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