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Filho de técnico de manutenção de uma fábrica de papel, Igor Marinelli cofundou a Tractian em São Paulo em 2019, e a startup captou US$ 130 milhões e virou unicórnio de IA de US$ 1,4 bilhão com sensores em mais de 2 mil instalações industriais

Filho de técnico de manutenção de uma fábrica de papel, Igor Marinelli cofundou a Tractian em São Paulo em 2019, e a startup captou US$ 130 milhões e virou unicórnio de IA de US$ 1,4 bilhão com sensores em mais de 2 mil instalações industriais

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Filho de técnico de manutenção de uma fábrica de papel, Igor Marinelli cofundou a Tractian em São Paulo em 2019, e a startup captou US$ 130 milhões e virou unicórnio de IA de US$ 1,4 bilhão com sensores em mais de 2 mil instalações industriais

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 23/10/2026 às 02:45

Atualizado em 23/10/2026 às 03:00

Economia

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Igor Marinelli cresceu vendo o pai consertar máquinas numa fábrica de papel e, sete anos depois de fundar a Tractian em São Paulo, levou a startup de sensores com inteligência artificial ao clube dos unicórnios com uma rodada de US$ 130 milhões anunciada nesta quinta-feira (22).

A Tractian anunciou na quinta-feira, 22 de outubro, uma rodada série D de US$ 130 milhões, cerca de R$ 650 milhões, segundo o Estadão. A captação avaliou a empresa em US$ 1,4 bilhão.

Com isso, a startup criada em São Paulo em 2019 entra para o grupo de unicórnios, nome dado às empresas jovens avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.

A Tractian monitora máquinas industriais com sensores e inteligência artificial. O objetivo é descobrir o desgaste antes da quebra e evitar a parada de uma linha de produção.

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A origem está no chão de uma fábrica de papel

No comunicado da rodada, o fundador e CEO, Igor Marinelli, ligou o negócio à profissão do pai. A frase foi reproduzida em português pelo Estadão.

“Cresci vendo meu pai trabalhar como técnico de manutenção numa fábrica de papel e enxerguei de perto como as ferramentas eram atrasadas para quem cuidava daquelas máquinas”, disse Marinelli.

“Foi dali que veio minha vontade de transformar a forma como os ativos mais críticos são mantidos”, completou o executivo, segundo a nota da empresa.

Marinelli fundou a empresa com Gabriel Lameirinhas e Leonardo Vieira, segundo o Pipeline, do Valor. Ao site, ele brincou com o perfil industrial do negócio: “O nosso unicórnio vem com chaminé no lugar do chifre”.

Sapphire Ventures e Catalyst lideraram o cheque de US$ 130 milhões

A rodada foi liderada pela Sapphire Ventures, com coliderança do Catalyst, braço da britânica M&G Investments. As duas gestoras já tinham entrado na série C, em 2024, conforme o Pipeline.

Também participaram N47, General Catalyst, Bosch Ventures, 53 Stations, Monashees, Endeavor Catalyst, Norte Ventures e Y Combinator, segundo o comunicado divulgado pela PR Newswire.

Antes desta captação, a Tractian já tinha levantado cerca de US$ 180 milhões em outras rodadas, de acordo com o Estadão. Segundo o Pipeline, nenhum investidor antigo vendeu a participação desta vez.

“Para nós, é confortável quando um investidor decide dobrar a aposta no nosso negócio”, disse Marinelli ao Pipeline.

Sensores ouvem vibração e ultrassom para prever a quebra

A tecnologia combina sensores instalados nas máquinas com modelos de IA treinados pela própria empresa. Os aparelhos captam vibração, ultrassom e outros sinais dos equipamentos, conforme a Época Negócios.

Os sistemas analisam esses dados, apontam a causa provável do problema e recomendam a ação de manutenção. A empresa chama isso de “IA física”, aplicada a equipamentos no mundo real.

“Começamos como um band-aid de máquinas, de predição de falhas mecânicas. E hoje fazemos o pacote de proteção de ativos em todos os ângulos do equipamento: mecânico, elétrico e operacional”, disse o CEO ao Pipeline.

A Tractian passou a fabricar os próprios sensores e tem mais de 100 patentes registradas nos Estados Unidos, segundo o Pipeline.

Igor Marinelli em imagem divulgada pela Tractian. Foto: Reprodução / Tractian via Época Negócios

Mais de 2 mil instalações industriais usam a tecnologia

Segundo a empresa, os sistemas já operam em mais de 2 mil instalações industriais e de infraestrutura crítica pelo mundo.

Entre os clientes citados no comunicado estão a farmacêutica Eli Lilly, a Whirlpool, a Coca-Cola, a Cummins e a Embraer. No Brasil, o Pipeline cita Suzano, Dexco, EMS e Thyssenkrupp.

A conta que a empresa usa para vender o produto vem da Siemens. Paradas não planejadas custam às 500 maiores indústrias do mundo cerca de US$ 1,4 trilhão por ano, perto de 11% da receita.

O comunicado também cita a Deloitte, que projeta mais de 2,1 milhões de vagas na indústria sem preenchimento até 2030. A ideia é guardar no sistema o que o técnico veterano sabe da máquina.

Receita anualizada encosta em US$ 100 milhões, metade nos EUA

A receita anualizada da Tractian está perto de US$ 100 milhões, com metade vindo dos Estados Unidos, o mercado prioritário, segundo Marinelli ao Pipeline.

A empresa espera começar a gerar caixa a partir de 2027, de acordo com o CEO.

Em 2024, a companhia levou a sede operacional e financeira do Brasil para os Estados Unidos, e hoje está baseada em Atlanta. Mantém escritórios em São Paulo, em Monterrey, no México, e na Polônia, aberto no início do ano para atender a União Europeia.

A partir de janeiro de 2027, a Tractian pretende atender a Ásia-Pacífico de Cingapura. O Pipeline informa ainda que os EUA devem receber a futura listagem da empresa na bolsa de Nova York.

Escritório paulista fica ao lado do consulado americano

A mudança para os Estados Unidos foi vista por investidores como arriscada na época, segundo o Pipeline. Marinelli diz que ela estava predestinada.

“A rua do nosso escritório em São Paulo é a Américo Brasiliense, e é do lado do consulado americano. Estava no nosso DNA”, afirmou o fundador.

Dinheiro vai para pesquisa, modelos de IA e processadores

Os US$ 130 milhões serão usados em pesquisa e desenvolvimento nos próximos cinco anos, segundo o Pipeline. Parte vai para treinar modelos de linguagem e comprar processadores da Nvidia.

A empresa quer ampliar a presença em manufatura, energia, defesa e data centers, conforme a Época Negócios.

Em agosto, a Tractian obteve financiamento de R$ 120 milhões do BNDES para desenvolver assistentes robóticos de inspeção de equipamentos industriais, uma aposta de longo prazo ao lado de drones e data centers.

Imagem ilustrativa de linha de produção, publicada pela Tractian no site da empresa. Foto: Divulgação / Tractian

Segunda startup brasileira a virar unicórnio em 2026

A Tractian é a segunda startup do país a atingir o status neste ano. Em maio, a legaltech Enter foi avaliada em US$ 1,2 bilhão, lembra o Pipeline.

Com US$ 1,4 bilhão, a Tractian passa a Enter como a maior startup de inteligência artificial da América Latina, segundo o mesmo site. Antes das duas, o último unicórnio brasileiro tinha sido a QI Tech, em 2024, de acordo com a Época.

O assunto conversa com um movimento que o setor de energia já acompanha: a manutenção preditiva com drones e robótica entrou na lista de prioridades de quem opera ativos pesados.

Dá pra entender por que a frase sobre o pai pesa tanto nesta história. A ferramenta que faltava ao técnico da fábrica de papel virou um negócio de US$ 1,4 bilhão, segundo o comunicado da Tractian.

Na fábrica onde você trabalha, a manutenção ainda espera a máquina quebrar ou já usa sensor para prever a falha?

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Fontes

Tractian’s $130M Series D Values the Company at $1.4B to Scale Physical AI for Asset-Heavy Industries

Tractian levanta US$ 130 milhões e passa Enter como maior unicórnio de IA da América Latina

Tractian recebe aporte de R$ 650 milhões e se torna novo unicórnio brasileiro de IA

Tractian vira unicórnio após captar US$ 130 milhões e atingir avaliação de US$ 1,4 bilhão


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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