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Fim da escala 6×1 avança no Senado e entra na disputa eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro enquanto oposição avalia obstrução à PEC
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 06/10/2026 às 23:31
Atualizado em 06/10/2026 às 23:35
Legislação Trabalhista
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Primeira das cinco sessões exigidas para uma PEC começou nesta terça-feira (6), enquanto governo cobra posicionamentos e senadores de oposição discutem como agir no plenário.
O debate sobre o fim da escala 6×1 entrou em uma nova fase nesta terça-feira, 6 de outubro. O Senado iniciou a primeira das cinco sessões de discussão necessárias antes da votação de uma proposta de emenda à Constituição, enquanto governistas passaram a pressionar aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a declarar publicamente como pretendem se posicionar.
A movimentação transformou a tramitação da PEC em mais um ponto da disputa eleitoral entre os grupos ligados a Lula e Flávio Bolsonaro. Enquanto o governo tenta avançar com o texto antes do segundo turno, senadores da oposição discutem uma possível obstrução e defendem uma proposta alternativa para reduzir a jornada de trabalho.
Governo usa debate sobre escala 6×1 para cobrar posição dos aliados de Flávio Bolsonaro
A estratégia do governo ganhou força no Senado nesta terça-feira. Após encontro com Davi Alcolumbre (União-AP), o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que quer ver como os aliados de Flávio Bolsonaro votarão quando a proposta chegar ao momento decisivo.
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Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, também elevou a pressão. O senador afirmou que existe acordo governista para votar a matéria, mas cobrou uma posição de Flávio. Segundo Wagner, parlamentares da oposição estariam evitando registrar presença numa tentativa de dificultar o debate sobre o fim do trabalho aos sábados.
O confronto político em torno da proposta já vinha se formando desde setembro. Em 2 de setembro, a PEC passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Naquele momento, aliados de Flávio Bolsonaro, entre eles Rogério Marinho (PL-RN), manifestaram forte oposição ao texto. Desde então, governistas acusam adversários de dificultar o avanço da matéria.
Cinco sessões de discussão precisam ocorrer antes de a PEC chegar à votação no Senado
O rito legislativo passou a ser uma peça importante desse confronto. Nesta terça-feira (6), os senadores começaram a cumprir a primeira das cinco sessões de discussão necessárias antes que uma PEC possa ser submetida à votação.
Segundo José Guimarães, Davi Alcolumbre teria se comprometido a colocar a proposta em votação antes do segundo turno. A expectativa governista também era de que o próprio presidente do Senado comandasse a sessão, movimento interpretado por aliados como uma sinalização favorável ao andamento da matéria.
A votação, contudo, ainda enfrenta incertezas. Senadores da base reconhecem que o cenário é difícil e evitam garantir que haverá condições políticas para concluir o processo. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), resumiu a situação ao afirmar: “Vamos tentar”.
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Viviane Alves
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Nova composição do Senado aumenta incerteza sobre futuro da proposta
O resultado eleitoral de domingo acrescentou outro elemento ao debate. Segundo informações divulgadas pelo g1 e pelo Jornal Nacional, a direita chegará fortalecida à composição do Senado em 2027, alterando a correlação de forças dentro da Casa.
A mudança ocorre justamente quando a pressão eleitoral sobre os atuais senadores já não é a mesma após a definição das eleições parlamentares. Isso aumenta as dúvidas dentro da própria base governista sobre a possibilidade de reunir apoio suficiente para avançar com uma proposta considerada popular.
Aliados de Davi Alcolumbre, porém, afirmam que a PEC continuará sendo tratada como prioridade e que o presidente do Senado pretende seguir o rito acertado com o governo. Nos bastidores do Congresso, sua relação com integrantes da direita também aparece como um componente desse cenário, especialmente após críticas de senadores bolsonaristas à sua condução da Casa e à relação com o Supremo Tribunal Federal.
Oposição discute obstrução, mas avalia risco de enfrentar uma proposta popular
Senadores da oposição classificam a PEC como uma medida eleitoral e discutem formas de impedir sua votação. Uma das possibilidades colocadas sobre a mesa nesta terça-feira foi a obstrução, estratégia em que parlamentares deixam de registrar presença para dificultar a formação do quórum necessário à sessão.
Faltando 34 minutos para o início dos trabalhos, somente 30 senadores haviam registrado presença, segundo o g1. Grande parte dos ausentes pertencia à oposição. O movimento, entretanto, exige cautela porque os próprios oposicionistas avaliam que a proposta possui forte apelo popular.
Por esse motivo, novas reuniões devem definir como o grupo atuará nas próximas sessões. A estratégia precisa conciliar a resistência ao texto defendido pelo governo com o impacto político que uma oposição aberta ao fim da escala 6×1 pode produzir durante a campanha.
Flávio Bolsonaro defende redução da jornada negociada diretamente com o empregador
Flávio Bolsonaro voltou a defender nesta terça-feira (6) a proposta alternativa apresentada por Rogério Marinho. O texto permite que trabalhador e empregador negociem uma redução da jornada, mas prevê a possibilidade de redução proporcional do salário após o acordo.
Para Flávio, o caminho deveria ampliar a liberdade do trabalhador para definir sua carga horária conforme suas possibilidades. A proposta estabelece, portanto, uma diferença importante em relação ao texto que está sendo discutido no Senado e defendido pelos governistas.
O embate coloca duas estratégias diante dos senadores. O governo tenta avançar com a PEC e cobrar publicamente o posicionamento dos aliados de Flávio Bolsonaro, enquanto a oposição avalia obstruir a tramitação e defender seu modelo alternativo. Com cinco sessões previstas antes da votação, o fim da escala 6×1 passa a ocupar espaço central no Senado às vésperas do segundo turno presidencial.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

