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Fim da escala 6×1 já é lei e pode custar R$ 193 milhões por ano à São Martinho: usinas de etanol terão de reorganizar turnos e estudo aponta pressão sobre Adecoagro e Jalles Machado

Fim da escala 6×1 já é lei e pode custar R$ 193 milhões por ano à São Martinho: usinas de etanol terão de reorganizar turnos e estudo aponta pressão sobre Adecoagro e Jalles Machado

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Fim da escala 6×1 já é lei e pode custar R$ 193 milhões por ano à São Martinho: usinas de etanol terão de reorganizar turnos e estudo aponta pressão sobre Adecoagro e Jalles Machado

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 20/10/2026 às 10:03

Atualizado em 20/10/2026 às 10:30

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Após a promulgação do fim da escala 6×1, estudo do BTG projeta custos extras anuais de R$ 193 milhões para a São Martinho, R$ 104 milhões para a Adecoagro e R$ 48 milhões para a Jalles; entenda os turnos nas usinas.

O Congresso acabou com a escala 6×1, e as usinas brasileiras de açúcar e etanol já têm uma conta milionária pela frente — pelo menos nas projeções de quem acompanha o setor. Um estudo do BTG Pactual aponta que a São Martinho poderá enfrentar um custo adicional de R$ 193 milhões por ano quando a nova jornada estiver integralmente implantada.

O banco calculou ainda R$ 104 milhões para a Adecoagro e R$ 48 milhões para a Jalles Machado. Do lado dos trabalhadores, a nova regra assegura duas folgas semanais, sem redução de salário, após a transição prevista na emenda. A produção de etanol, porém, envolve máquinas que continuam operando durante a safra, inclusive fora do expediente convencional.

A escala 6×1 acabou por emenda constitucional, mas a redução das horas será gradual

O Congresso promulgou em 16 de outubro de 2026 a Emenda Constitucional 141, que substitui a escala de seis dias de serviço por um de descanso pelo modelo de cinco dias de trabalho e dois de repouso remunerado. A jornada máxima também começa a diminuir, dos atuais 44 para 42 horas semanais.

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A primeira redução entra em vigor em 15 de dezembro de 2026, segundo a Agência Senado. Em outubro de 2026, portanto, ainda existe uma fase de transição antes da aplicação das novas condições. A jornada máxima chegará a 40 horas semanais 14 meses após a publicação da emenda, conforme o calendário divulgado pelo Congresso.

As novas regras preservam a remuneração e garantem dois descansos na semana. Acordos e convenções poderão organizar compensações e turnos dentro dos limites constitucionais. Para quem trabalha em unidades industriais que processam milhares de toneladas de cana, o calendário dos turnos passa a ser parte decisiva da adaptação.

Sessão de promulgação da Emenda Constitucional 141, em 16 de outubro de 2026, no Congresso Nacional. Foto: Saulo Cruz / Senado Federal.

Por que uma usina de etanol sente mais a mudança que uma fazenda de grãos

No auge da safra, o fornecimento de cana, o funcionamento das moendas, a fermentação, a destilação e a logística caminham em sequência. Uma equipe que encerra o turno precisa ser substituída para que o processo continue, e reduzir o tempo de cada trabalhador exige redesenhar a distribuição de pessoas.

O BTG Pactual, em estudo intitulado The Price of a Shorter Week, analisou os custos de reposição das horas e a necessidade de contratar equipes adicionais. O cálculo vai além de dividir as horas de trabalho pela nova jornada: inclui a necessidade de preservar a capacidade das indústrias nos períodos de maior atividade.

Nas empresas sucroenergéticas examinadas, a folha salarial representa de 12% a 15% da receita, segundo os dados relatados pela CNN Brasil. O açúcar e o etanol são negociados em mercados competitivos, de modo que uma usina não escolhe livremente elevar o preço de venda para compensar cada despesa nova.

São Martinho, Adecoagro e Jalles aparecem com custos de milhões por ano

A maior cifra entre as três usinas analisadas recai sobre a São Martinho: R$ 193 milhões anuais, o equivalente a 5,1% do Ebitda consolidado que o BTG projeta para 2027. Ebitda é uma medida de resultado operacional anterior a juros, impostos, depreciação e amortização.

Para a Adecoagro, a projeção é de R$ 104 milhões, ou 2,9% do indicador previsto pelo banco. A Jalles Machado aparece com R$ 48 milhões, correspondentes a 3,3%. As três cifras são estimativas para o cenário completo da mudança; ainda não representam contas efetivamente pagas ou decisões de contratação anunciadas pelas companhias.

O banco também analisou uma etapa intermediária de impacto mais baixo, próxima da transição inicial de 44 para 42 horas. As cifras principais, porém, mostram a pressão potencial com a jornada reduzida integralmente a 40 horas.

Unidade Boa Vista, complexo de etanol da São Martinho em Quirinópolis (GO); fotografia de arquivo da própria companhia. Foto: São Martinho / Agência BNDES.

Contratar mais pessoas será uma das respostas possíveis para manter a moagem

As usinas podem distribuir os turnos de maneira diferente, ampliar a quantidade de equipes ou combinar essas decisões conforme cada operação. O estudo considera a reposição de mão de obra como uma possibilidade necessária para sustentar a produtividade, sobretudo no período de processamento de cana.

Não existe, no levantamento divulgado, uma relação de vagas que serão abertas pela São Martinho, pela Adecoagro ou pela Jalles. A quantidade de admissões dependerá de escalas existentes, automação, acordos coletivos e decisões de cada empresa.

A mudança alcança também atividades de manutenção, transporte, controle de qualidade e apoio. Para o trabalhador, a nova escala amplia o tempo de descanso semanal; para as usinas, o desafio é preencher os horários indispensáveis à produção e ao transporte.

O próximo teste começará em dezembro e será sentido ao longo de 2027

O Ministério do Trabalho estima que aproximadamente 14,9 milhões de brasileiros estejam hoje na escala de seis dias de trabalho por um de folga, segundo números divulgados pelo Senado. A transformação terá alcance muito além das usinas, mas a indústria do etanol é um dos setores em que manter máquinas em operação contínua representa um desafio especial.

A partir de 15 de dezembro, as empresas terão de aplicar a primeira redução de jornada e adaptar turnos, enquanto a etapa de 40 horas se aproxima em 2027. Ao mesmo tempo, os trabalhadores começam a ganhar dois dias de descanso previstos na Constituição.

Você trabalha em usina de açúcar ou etanol? Conte nos comentários como são os turnos hoje e compartilhe esta reportagem com quem acompanha as mudanças na jornada.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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