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Fundo Verde do Clima aprova US$ 300 milhões para projetos no Brasil que podem atrair até US$ 1,8 bilhão em investimentos
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 30/10/2026 às 16:39
Atualizado em 30/10/2026 às 16:40
Biocombustíveis Renováveis
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Fundo Verde do Clima aprova até US$ 300 milhões para dois fundos no Brasil, com potencial de mobilizar US$ 1,8 bilhão em projetos sustentáveis.
Dois fundos de investimento direcionados exclusivamente ao Brasil receberam, na quarta-feira (28 de outubro), a aprovação do Fundo Verde do Clima (GCF) para aportes que podem somar US$ 300 milhões. O financiamento, oferecido em condições concessionais, deverá apoiar iniciativas de descarbonização e tecnologias de baixo carbono. Com a participação de outros investidores, as estruturas poderão reunir até US$ 1,8 bilhão, destinados a empreendimentos de energia renovável, combustíveis sustentáveis e soluções para reduzir emissões na indústria.
Os projetos contemplados possuem características diferentes. Enquanto um deles pretende financiar instalações industriais e energéticas de grande porte, o outro concentrará recursos em empresas que já desenvolvem soluções climáticas e buscam ampliar suas atividades. A aprovação também representa um avanço para o BNDES, responsável pela apresentação da primeira iniciativa autorizada pelo GCF por intermédio de uma instituição brasileira acreditada.
Biometano, reciclagem e agricultura estão entre os setores que poderão receber investimentos
Empresas que trabalham com tecnologias voltadas à redução de emissões estão entre as possíveis beneficiárias do eB Capital Energy Transition and Climate Solutions Fund II, iniciativa da Flying Rivers/eB Capital. O fundo foi estruturado para reunir US$ 400 milhões, com possibilidade de alcançar US$ 500 milhões, e terá como prioridade negócios do setor climático que estejam em fase de crescimento.
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Para viabilizar essa estrutura, o Fundo Verde do Clima participará como investidor âncora, com um compromisso de US$ 50 milhões. A BNDESPar, braço de participações do BNDES, também está prevista entre os investidores, com R$ 500 milhões. A combinação dos aportes busca ampliar a disponibilidade de capital para empresas que desenvolvem alternativas de menor impacto climático.
As oportunidades abrangem diferentes atividades industriais. Uma delas é a fabricação de insumos biológicos para uso na agricultura. Também poderão receber investimentos empresas com instalações destinadas à reciclagem de plásticos, além de empreendimentos que transformam resíduos orgânicos em biometano.
Outra frente envolve a indústria cimenteira, onde a proposta é apoiar unidades que incorporem novas tecnologias para diminuir as emissões durante a fabricação do material. Considerando a vida útil dos investimentos, a expectativa associada ao fundo é evitar aproximadamente 37,5 milhões de toneladas de CO2 equivalente.
BNDES e Brookfield preparam fundo de até US$ 1,3 bilhão para grandes empreendimentos
Projetos que exigem volumes mais elevados de capital serão atendidos por outra estrutura. Trata-se do Catalytic Transition Fund Brazil (CTF Brazil), apresentado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e administrado pela Brookfield, com previsão de alcançar até US$ 1,3 bilhão.
O fundo poderá financiar empreendimentos ligados à geração de eletricidade por fontes renováveis e à instalação de baterias para armazenamento de energia. O planejamento também contempla unidades de produção de hidrogênio de baixo carbono e instalações industriais capazes de transformar resíduos em combustíveis sustentáveis.
Nesse caso, o GCF autorizou uma participação de até US$ 250 milhões, disponibilizados como capital de risco. A composição financeira ainda prevê até R$ 4 bilhões provenientes da Brookfield e do BNDES, cuja participação ocorrerá por meio da BNDESPar.
Além do porte dos investimentos, o CTF Brazil possui uma característica importante em sua estrutura financeira. O retorno líquido destinado ao Fundo Verde do Clima ficará limitado a uma taxa interna de retorno de 6% em dólares, calculada individualmente para cada investimento. Caso os resultados ultrapassem esse patamar, a parcela excedente será distribuída entre os demais investidores.
A previsão é que os empreendimentos financiados pelo CTF Brazil contribuam para evitar ou sequestrar cerca de 30 milhões de toneladas de CO2 equivalente durante um período de 14 anos. O resultado projetado está relacionado à implantação dos projetos e à utilização das tecnologias de baixo carbono contempladas pelo fundo.
Recursos do Fundo Verde do Clima representam parte do financiamento previsto
Embora as duas iniciativas possam movimentar até US$ 1,8 bilhão, esse montante não corresponde ao valor que será disponibilizado diretamente pelo organismo internacional. O compromisso aprovado pelo GCF está limitado a US$ 300 milhões, divididos entre os dois fundos, enquanto o restante deverá ser composto por recursos de outros participantes.
Essa diferença é importante para compreender o funcionamento das operações. O capital concedido em condições concessionais será combinado com investimentos públicos e privados, permitindo estruturar projetos que exigem recursos superiores aos aportes individuais do Fundo Verde do Clima.
Também é necessário distinguir a aprovação financeira da execução dos empreendimentos. Os valores divulgados representam os limites e as previsões de investimento das estruturas, e não a confirmação de que todos os recursos já foram aplicados. Da mesma forma, os benefícios ambientais estimados dependerão da concretização dos projetos previstos.
Aprovação também marca avanço na participação brasileira no financiamento climático
Além dos recursos envolvidos, a autorização do CTF Brazil possui relevância institucional. Com a iniciativa apresentada pelo BNDES, o Brasil passa a ter seu primeiro projeto aprovado pelo Fundo Verde do Clima por meio de uma entidade nacional acreditada junto ao organismo.
Os dois fundos fazem parte da carteira de iniciativas prioritárias do Programa País 2025, desenvolvido pelo Brasil em sua relação com o GCF. Eles também estão alinhados à Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica, coordenada pelo Ministério da Fazenda e apoiada operacionalmente pelo BNDES.
A proposta dessa articulação é reunir diferentes fontes de financiamento para aumentar a capacidade de investimento em atividades relacionadas à transformação ecológica. Nesse modelo, os recursos concessionais participam de estruturas que também recebem capital de instituições públicas e investidores privados.
Fonte
canal rural
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

