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Geração distribuída solar chega a 54 GW e já supera a potência de todas as termelétricas do Brasil (49,9 GW), mostram dados da ANEEL
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 04/10/2026 às 22:24
Atualizado em 04/10/2026 às 22:31
Energia Solar
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A geração distribuída solar tem 53,65 GW de potência instalada, contra 49,89 GW das termelétricas em operação, e o cadastro da ANEEL mostra quem tem o painel e onde ele está.
A geração distribuída solar do Brasil soma 53,65 GW de potência instalada, mais que os 49,89 GW das termelétricas em operação, segundo a ANEEL. Os dados são de 3 de outubro de 2026 e vêm de duas bases da agência.
A geração distribuída já passou as termelétricas do Brasil?
Na potência instalada, sim, segundo a ANEEL: são 53,65 GW de geração distribuída solar contra 49,89 GW das termelétricas, cerca de 3,8 GW a mais (conta da redação).
Com todas as fontes, o cadastro de geração distribuída da ANEEL mostra 53,97 GW, 8% acima das termelétricas.
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A comparação junta duas bases da ANEEL. Uma traz a potência instalada registrada no cadastro, a outra, a potência fiscalizada em operação no SIGA, o sistema de geração da agência.
O SIGA registra as usinas nucleares à parte, com 1,99 GW. Com elas, as termelétricas chegam a 51,88 GW, e a geração distribuída solar segue na frente.
O SIGA mostra 23,6 GW em usinas solares em operação, e a geração distribuída solar é 2,3 vezes isso (conta da redação). As eólicas têm 34,9 GW e as hidrelétricas (UHE), 103,2 GW, num total de 220,7 GW em todas as fontes em operação.
As duas bases não se somam: cada uma mede uma coisa.
Quantos sistemas e quantas unidades consumidoras estão no cadastro?
São 4.656.839 registros no cadastro, e 4.655.916 deles são solares fotovoltaicos, informa a ANEEL.
A solar responde por 99,4% da potência. O resto vem de termelétricas, pequenas hidrelétricas e eólicas, cerca de 0,3 GW juntas, informa a ANEEL.
Cada registro é um empreendimento, não uma casa: o cadastro mostra 8.954.582 unidades consumidoras que recebem crédito de energia desses sistemas.
Dá 1,9 unidade por registro, em média. O cadastro lista também o autoconsumo remoto e a geração compartilhada, modalidades que levam crédito a outras unidades.
Quem tem o painel: casa, comércio, fazenda ou fábrica?
A ANEEL registra 28,07 GW (52,0% da potência) na classe residencial, a maior, seguida pelo comércio, com 14,39 GW (26,7%).
A classe rural tem 6,72 GW (12,5%) e a indústria, 3,77 GW (7,0%), conforme o cadastro.
Em número de registros, o residencial pesa ainda mais: o cadastro mostra 3.726.947, ou 80% do total.
A potência média por registro mostra o tamanho de cada sistema: 7,5 kW no residencial e 65,9 kW no industrial.
Microgeração ou minigeração: onde está a potência?
Segundo a ANEEL, a microgeração soma 43,55 GW (80,7%) em 4.635.378 registros, e a minigeração, 10,41 GW (19,3%) em 21.461.
Pelo cadastro, os sistemas de minigeração são menos de 0,5% dos registros e concentram quase um quinto da potência.
A usina fica na casa de quem usa a energia?
A modalidade mais comum é a geração na própria unidade consumidora, com 36,70 GW (68,0%), informa o cadastro.
O autoconsumo remoto soma 13,85 GW (25,7%) e a geração compartilhada, 3,32 GW (6,2%), de acordo com o cadastro da ANEEL.
No autoconsumo remoto, em termos gerais, a usina fica num endereço e o crédito de energia vai para outras unidades (explicação geral da redação).
O município do cadastro é onde o sistema está instalado, não necessariamente onde mora quem usa o crédito.
Quais estados e cidades concentram a potência da geração distribuída?
São Paulo lidera, com 7,61 GW, segundo o cadastro, seguido por Paraná (6,90 GW), Minas Gerais (6,47 GW), Rio Grande do Sul (3,99 GW) e Mato Grosso (3,18 GW).
Bahia (2,98 GW), Goiás (2,43 GW) e Santa Catarina (2,34 GW) completam os oito primeiros, de acordo com a ANEEL.
Os três maiores somam 20,98 GW, ou 38,9% do total.
Entre as cidades, o cadastro mostra Brasília com 590 MW em sistemas instalados, a maior potência entre os municípios, à frente de Cuiabá (504 MW), Campo Grande (437 MW) e Foz do Iguaçu (402 MW).
Rio de Janeiro (385 MW), Goiânia e Teresina (368 MW cada) e Manaus (360 MW) vêm em seguida, aponta o cadastro.
É ranking de potência instalada no município, não de quantas pessoas têm painel.
O que esses 54 GW não mostram?
O cadastro da ANEEL registra potência instalada, que é capacidade, não energia gerada. O painel só produz com sol, e cada fonte opera um número diferente de horas no ano (explicação geral da redação).
Por isso, a comparação vale para a potência instalada, não para a energia entregue ao longo do ano.
O arquivo principal do cadastro traz só a data da última atualização cadastral de cada registro. A data de conexão dos sistemas solares está em outro arquivo da mesma base da ANEEL, o de informações técnicas da fotovoltaica, e não entra nos números acima.
O CPG já tratou da venda de excedente de energia solar no mercado de curto prazo e das desistências de usinas solares no Nordeste.
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Geração distribuída
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

