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Gigante brasileira da blindagem recorre à Justiça para renegociar R$ 371,5 milhões em dívidas após investir R$ 180 milhões em fábricas e enfrentar pressão de credores

Gigante brasileira da blindagem recorre à Justiça para renegociar R$ 371,5 milhões em dívidas após investir R$ 180 milhões em fábricas e enfrentar pressão de credores

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Gigante brasileira da blindagem recorre à Justiça para renegociar R$ 371,5 milhões em dívidas após investir R$ 180 milhões em fábricas e enfrentar pressão de credores

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 15/10/2026 às 15:39

Atualizado em 15/10/2026 às 15:40

Indústria

Grupo

O Grupo Carbon pediu recuperação extrajudicial para reorganizar R$ 371,5 milhões em dívidas. A empresa de blindagem cita investimentos industriais, atraso no retorno financeiro e ações de despejo em imóveis usados pela operação.

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O Grupo Carbon pediu recuperação extrajudicial para reorganizar R$ 371,5 milhões em dívidas. A empresa de blindagem cita investimentos industriais, atraso no retorno financeiro e ações de despejo em imóveis usados pela operação.

A Carbon, fabricante brasileira de blindagem automotiva, levou à Justiça de São Paulo um pedido para renegociar R$ 371,5 milhões em dívidas. O processo, protocolado em 5 de outubro, envolve a C Blindados e suas controladas Opera Glass e Vertco Blindagem. A companhia afirma que a expansão da produção exigiu investimentos que demoraram mais do que o previsto para gerar retorno.

O grupo, que diz ter blindado mais de 6 mil veículos em 2025, ainda enfrenta disputas pelo pagamento de aluguéis de instalações industriais e comerciais. A tentativa de reorganização financeira ocorre depois de mais de R$ 180 milhões investidos, segundo a empresa, na fabricação própria de materiais balísticos e vidros.

Três ações de despejo pressionaram a empresa antes do acordo com os credores

Profissional trabalha na fabricação de componentes balísticos na operação da Carbon, em fotografia de arquivo de 2025.
Crédito: Divulgação/Carbon via Brazil Economy. Fonte da fotografia.

A documentação relatada pela Folha informa que a Carbon antecipou o pedido após três ações de despejo relacionadas a imóveis em Barueri, Jarinu e na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Os aluguéis desses espaços somam aproximadamente R$ 459 mil mensais. A empresa pediu proteção judicial para preservar o uso dos imóveis durante a reorganização.

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O processo reúne aproximadamente 600 credores e 2.700 títulos de dívida. A maior parcela está vinculada à C Blindados; a Opera Glass responde por cerca de R$ 11 milhões e a Vertco por valor inferior a R$ 1 milhão, segundo os números divulgados.

Investimento de R$ 80 milhões em vidros blindados acelerou a expansão industrial

Fábrica de vidros blindados da Ópera em Jarinu, no interior paulista. Imagem institucional de arquivo.
Crédito: Ópera / Grupo Carbon. Fonte da fotografia.

A Carbon passou a produzir internamente vidros e outros componentes balísticos a partir de 2021, em vez de depender apenas de fornecedores. Segundo a petição descrita pela Folha, a planta de Jarinu consumiu cerca de R$ 80 milhões e houve atraso no retorno desse investimento. A reportagem situa o início efetivo das operações em abril de 2026; o site institucional da Ópera informa inauguração em abril de 2025. As referências descrevem marcos diferentes da implantação.

De acordo com a empresa, a implantação prolongada obrigou o grupo a sustentar equipes e aluguéis simultaneamente nas antigas e nas novas instalações. No próprio site, a Ópera descreve o complexo de Jarinu com mais de 11 mil m² e a unidade de opacos no Tamboré, em Barueri, com 6 mil m².

A recuperação é extrajudicial: a empresa negocia com seus credores e procura homologar o plano no Judiciário. A adesão inicial de 47,6% refere-se ao valor dos créditos abrangidos, não ao número de pessoas ou empresas que aceitaram o acordo.

Plano já conta com adesão de 47,6% dos créditos e envolve bancos e fundos

Segundo a reportagem, 47,6% dos créditos abrangidos haviam aderido ao plano quando o pedido foi apresentado. O grupo busca alcançar as condições legais necessárias para a homologação do acordo; a decisão ainda depende das etapas do processo judicial.

Entre os maiores credores citados estão o fundo Amadeus, com R$ 95,3 milhões, o Banco Digimais, com R$ 61,4 milhões, e o fundo SSG, com R$ 38,4 milhões. O pedido abrange dívidas sem garantia real, categoria que inclui diferentes fornecedores e instituições financeiras.

Receita cresceu a R$ 673 milhões, mas vencimentos de curto prazo apertam o caixa

A Carbon informou receita líquida de R$ 673 milhões em 2025, avanço de 45% sobre o ano anterior, e Ebitda de R$ 41 milhões, ante R$ 15 milhões. Mas a petição apresenta R$ 139 milhões em vencimentos para os 12 meses seguintes e geração de caixa projetada de R$ 52 milhões, deixando um intervalo expressivo entre obrigações e recursos esperados.

Fundada em 2015, a Carbon afirma representar aproximadamente 16% do mercado brasileiro de blindagem civil e reunir cerca de 1.300 pessoas entre empregados e prestadores diretos. O processo judicial definirá as condições para o pagamento dos credores e a continuidade da operação.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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