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Gigante chinesa Zhongtong chega ao Brasil, prepara fábrica de até R$ 100 milhões para ônibus elétricos e aposta em montagem local antes de avançar para produção em maior escala

Gigante chinesa Zhongtong chega ao Brasil, prepara fábrica de até R$ 100 milhões para ônibus elétricos e aposta em montagem local antes de avançar para produção em maior escala

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Gigante chinesa Zhongtong chega ao Brasil, prepara fábrica de até R$ 100 milhões para ônibus elétricos e aposta em montagem local antes de avançar para produção em maior escala

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 06/10/2026 às 22:37

Atualizado em 06/10/2026 às 22:40

Indústria

Canal

Zhongtong planeja implantar produção de ônibus elétricos no Brasil, com investimento que pode chegar a R$ 100 milhões e estratégia de nacionalização gradual da operação.

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Fabricante que ocupa posição de destaque no mercado chinês estreia no país por meio da TEVX, já vendeu o primeiro lote de veículos e coloca a produção brasileira como parte obrigatória do acordo de expansão

A fabricante chinesa Zhongtong está entrando no mercado brasileiro de ônibus elétricos com um plano que pode resultar em até R$ 100 milhões de investimento industrial no país. A estratégia começa com veículos produzidos na China, passa pela montagem em território nacional e tem como objetivo chegar à fabricação local em uma unidade ainda não anunciada oficialmente.

A operação será conduzida pela TEVX Motors, que criou com a montadora a TEVX Zhongtong para representar a marca no Brasil. Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, o investimento previsto para a implantação industrial pode alcançar R$ 100 milhões, enquanto a produção brasileira faz parte do acordo firmado entre as empresas.

A entrada não ficará apenas no papel. Os primeiros dez ônibus já foram comercializados e a previsão é que cheguem ao Brasil no primeiro trimestre de 2027. O comprador ainda não foi revelado.

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O ponto que transforma a chegada da Zhongtong em uma pauta industrial, e não apenas comercial, está na sequência planejada: importar, montar e, depois, fabricar localmente.

Fábrica brasileira está prevista no acordo com a Zhongtong

Carlos Eduardo Souza, CEO da TEVX, afirmou à AutoData que a produção no Brasil é uma condição prevista no acordo de representação firmado com a fabricante chinesa.

A expectativa apresentada pelo executivo é que a primeira unidade efetivamente produzida no Brasil esteja pronta em até dois anos. A reportagem especializada publicada em 5 de outubro aponta 2028 como horizonte para essa etapa.

Antes disso, a operação deverá passar por uma fase de nacionalização gradual.

Segundo as informações divulgadas pela Folha, a unidade brasileira poderá começar utilizando o sistema CKD — Completely Knocked Down, no qual conjuntos e componentes chegam desmontados ao país para serem montados localmente.

Essa diferença é importante.

Montar um veículo a partir de kits importados não significa que todos os seus componentes passaram a ser produzidos no Brasil. Trata-se, normalmente, de uma etapa intermediária para implantação de uma operação industrial, treinamento de mão de obra, desenvolvimento de fornecedores e aumento progressivo do conteúdo nacional.

No caso da Zhongtong, a estratégia vai além da montagem inicial. Souza afirmou à Technibus que a transferência de tecnologia e a preparação de profissionais brasileiros fazem parte das premissas do projeto.

Onde ficará a fábrica ainda não foi anunciado

Um dos principais detalhes continua sob sigilo: qual cidade receberá a fábrica.

As informações publicadas nos últimos dias mostram que a definição está avançada, mas há uma pequena diferença entre as versões divulgadas.

A Folha informou que o local já teria sido escolhido e que o anúncio deverá ocorrer depois do período eleitoral de outubro, inclusive em razão de questões fiscais.

Já a AutoData, após entrevistar o CEO da TEVX, informou que existem três locais mapeados e negociações avançadas, com decisão final também prevista para depois das eleições.

Por isso, enquanto a própria companhia não divulgar oficialmente o município, o mais preciso é tratar a localização como em definição final, e não como uma fábrica já confirmada para determinada cidade.

Esse é também um dos pontos que deverão determinar o formato definitivo do investimento. Benefícios fiscais, estrutura logística, disponibilidade de mão de obra, proximidade dos mercados compradores e fornecedores locais pesam diretamente na escolha de uma fábrica de veículos pesados.

Investimento pode chegar a R$ 100 milhões

O valor apresentado para a futura unidade chega a R$ 100 milhões, mas deve ser entendido como teto previsto para o investimento e não como dinheiro já desembolsado.

A origem dos recursos e a estrutura financeira definitiva do projeto ainda estão em negociação, segundo informações divulgadas nesta semana.

A implantação também estará ligada ao desempenho comercial da Zhongtong no país.

A empresa trabalha com uma referência próxima de 900 ônibus vendidos por ano para justificar uma operação produtiva local em escala. Esse volume corresponderia a aproximadamente 15% do mercado brasileiro considerado pela companhia.

O número não foi escolhido por acaso.

A Zhongtong já opera em grande escala no Chile, mercado usado como uma espécie de vitrine regional para a estratégia brasileira. A fabricante entrega aproximadamente 900 ônibus por ano no país vizinho, segundo a reportagem da Folha.

O objetivo da TEVX é tentar reproduzir no Brasil uma operação com dimensão suficiente para sustentar a produção local.

Primeiros dez ônibus chegam em 2027

Enquanto a fábrica não entra em operação, a Zhongtong começa pelo mercado.

A TEVX confirmou a comercialização do primeiro lote, composto por até dez ônibus elétricos, que deverão desembarcar no país durante o primeiro trimestre de 2027. O cliente não foi divulgado.

A operação brasileira terá inicialmente seis modelos.

A linha anunciada inclui:

TZ9, miniônibus de nove metros;

TZ10, midi de dez metros;

TZ12, ônibus de doze metros;

TZ13, modelo padron de treze metros;

TZ18, articulado de dezoito metros;

e TZR, destinado ao transporte rodoviário.

Todos foram apresentados inicialmente em configuração elétrica, com piso baixo e construção monobloco.

O modelo monobloco integra estrutura e carroceria em uma única arquitetura, diferente da configuração ainda muito comum no mercado brasileiro, em que fabricantes de chassis e encarroçadoras atuam em etapas distintas.

Segundo a TEVX, essa solução pode reduzir o peso do conjunto em até 30% em comparação com determinadas configurações tradicionais, com reflexos sobre autonomia e consumo energético.

Marcopolo e Caio podem entrar na cadeia brasileira

A produção local também abre uma questão importante para a indústria brasileira de ônibus: quanto da cadeia já instalada no país será aproveitado pela chinesa?

Ainda não existe uma resposta definitiva.

Uma das possibilidades discutidas é manter carrocerias chinesas. Outra é utilizar chassis ou plataformas da Zhongtong combinados a carrocerias de fabricantes nacionais.

Entre os nomes mencionados nas discussões aparecem Marcopolo e Caio, duas empresas tradicionais da indústria brasileira de ônibus.

Se essa segunda alternativa avançar, a chegada da Zhongtong poderá envolver muito mais do que a criação de uma linha própria de montagem.

Ela poderá inserir fornecedores brasileiros, fabricantes de carrocerias, componentes elétricos, sistemas eletrônicos, estruturas metálicas e serviços industriais dentro da cadeia produtiva da companhia.

É justamente nessa etapa que a diferença entre simplesmente importar ônibus chineses e criar uma operação industrial brasileira ficará mais clara.

Empresa quer 15% do mercado brasileiro

A Zhongtong chega com uma meta ambiciosa.

A TEVX trabalha com objetivo de conquistar até 15% do mercado nacional, além de colocar entre 5 mil e 6 mil ônibus da fabricante em operação no Brasil nos próximos anos, segundo o CEO Carlos Eduardo Souza.

A companhia encontrará um setor que já deixou a fase de pequenos projetos-piloto.

Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico citados pelo Diário do Transporte mostram que 589 ônibus elétricos foram emplacados no Brasil somente entre janeiro e junho de 2026. No mesmo período de 2025 haviam sido 306.

O crescimento foi de 92,5%.

Em todo o ano de 2025 foram registrados 844 veículos desse tipo.

São Paulo concentra grande parte dessa transformação. Em 30 de setembro de 2026, a capital atingiu 2 mil ônibus elétricos em sua frota municipal, ampliando a escala das encomendas e tornando o país mais atraente para fabricantes que antes observavam o mercado brasileiro à distância.

A Zhongtong, portanto, não chega a um mercado vazio.

Scania, Volkswagen, Volvo, Mercedes-Benz, Iveco, Eletra, Agrale, Marcopolo e BYD já disputam diferentes espaços no segmento de ônibus elétricos, segundo levantamento citado pela imprensa especializada.

Zhongtong traz ao Brasil experiência acumulada no Chile

A experiência chilena é uma das peças centrais da estratégia.

A fabricante chinesa conseguiu estabelecer uma presença relevante no transporte público daquele país, e o Chile passa agora a servir como referência para a expansão da companhia no restante da América Latina.

Em 2025, segundo a Frota&Cia, a Zhongtong produziu 12.930 ônibus e comercializou mais de 15 mil unidades em diferentes mercados.

Na China, a empresa aparece entre as maiores fabricantes do setor e detém aproximadamente 9% do mercado, atrás da Yutong.

É uma escala bastante diferente da de uma companhia que chega ao Brasil apenas para testar algumas unidades importadas.

A intenção declarada é utilizar a venda de veículos como porta de entrada para uma operação mais ampla.

Negócio também inclui carregadores e consultoria para cidades

A Zhongtong e a TEVX querem vender mais do que ônibus.

O modelo apresentado pela parceria inclui infraestrutura de recarga, planejamento das garagens, avaliação das rotas e até consultoria para municípios interessados em eletrificar sistemas de transporte público.

Para cidades menores, esse componente pode ser tão importante quanto o veículo.

Um ônibus elétrico exige planejamento da potência instalada, localização dos carregadores, tempo disponível para recarga, dimensionamento das baterias e desenho das linhas. Comprar o veículo sem estruturar essa parte do sistema pode comprometer a operação.

A estratégia da TEVX é entrar justamente nessa lacuna e oferecer uma solução integrada.

Fábrica é a etapa que poderá transformar chegada comercial em projeto industrial

O cronograma ainda tem etapas abertas.

A Zhongtong já possui representação, modelos definidos e o primeiro lote comercializado. A localização da fábrica, o formato final do investimento, os incentivos envolvidos e a parcela de componentes efetivamente nacionalizados ainda precisam ser anunciados.

Também falta saber quando a montagem CKD começará e em que ritmo essa operação migrará para uma fabricação mais completa no Brasil.

É nessa passagem que estará o principal teste do projeto.

Se a empresa cumprir o plano de investir até R$ 100 milhões, instalar a unidade e atingir a produção local prevista para os próximos dois anos, sua chegada deixará de representar apenas mais uma marca chinesa vendendo veículos elétricos no país.

Passará a significar uma nova fabricante disputando espaço dentro da própria indústria brasileira de ônibus.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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