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Gigantes sem motorista que carregam até 400 toneladas de minério chegam a Carajás, e Vale prepara frota de 90 caminhões autônomos no Pará

Gigantes sem motorista que carregam até 400 toneladas de minério chegam a Carajás, e Vale prepara frota de 90 caminhões autônomos no Pará

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Gigantes sem motorista que carregam até 400 toneladas de minério chegam a Carajás, e Vale prepara frota de 90 caminhões autônomos no Pará

Escrito por Ana Alice

Publicado em 07/10/2026 às 05:16

Atualizado em 07/10/2026 às 05:40

Mineração

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Caminhão autônomo da Vale em operação no Complexo de Carajás, no Pará; a mineradora amplia agora a frota com novos equipamentos de maior capacidade. Crédito: Michael Roger / Vale

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Automação avança nas minas de Carajás com novos caminhões fora de estrada, enquanto Vale, Caterpillar e Sotreq ampliam uma operação que deverá reunir cerca de 90 veículos autônomos no Sistema Norte até 2028.

A Vale iniciou uma nova etapa da automação de suas operações de minério de ferro em Carajás, no Pará, com a entrada de oito caminhões autônomos na mina N4WS, em Serra Norte, em setembro de 2026.

O movimento faz parte de um plano que prevê aproximadamente 90 caminhões sem motorista em operação no Sistema Norte até 2028.

Os novos equipamentos integram uma parceria entre Vale, Caterpillar e Sotreq e utilizam a tecnologia Cat MineStar Command para transporte. A expansão também inclui veículos cuja capacidade é descrita pela mineradora como de até 400 toneladas, voltados ao deslocamento de grandes volumes de minério dentro das áreas de lavra.

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A implantação de setembro ocorreu na N4WS, em Serra Norte. Segundo o cronograma divulgado pelo CKS Online, depois das oito primeiras unidades estavam previstas outras 13 em outubro, duas em novembro e 12 em dezembro, levando essa etapa da frota a 35 equipamentos autônomos até o fim de 2026.

Cat 794 AC equipado com o MineStar Command para transporte autônomo; o modelo integra a nova etapa de automação das operações da Vale em Carajás. Crédito: Caterpillar / Divulgação.

Vale prepara 90 caminhões autônomos para Serra Norte e Serra Sul

O plano de maior alcance começou a ganhar forma em dezembro de 2025, quando Vale, Caterpillar e Sotreq anunciaram um acordo para ampliar gradualmente a automação do transporte nas minas do Sistema Norte.

Na ocasião, a Vale informou que a região contava com 14 caminhões autônomos capazes de transportar até 320 toneladas. Pelo novo acordo, a previsão é chegar a aproximadamente 90 unidades até 2028, com a incorporação de equipamentos de maior capacidade.

Informações divulgadas pelo InfoMoney detalharam a distribuição planejada: 60 caminhões devem operar em Serra Norte e 30 em Serra Sul, em Canaã dos Carajás.

Parte da expansão deverá ocorrer pela conversão de caminhões convencionais que já pertencem à frota, além da chegada de novos equipamentos.

Os primeiros Caterpillar colocados em operação na N4WS incluem modelos das famílias Cat 797 e Cat 794, segundo o CKS Online. Eles passam a trabalhar em uma região onde a Vale já utiliza equipamentos autônomos de outro fabricante.

Serra Norte mantém cerca de 20 caminhões Komatsu com operação automatizada, enquanto a ampliação atual introduz o sistema da Caterpillar em uma frota que deverá reunir diferentes modelos e tecnologias.

Caminhão Cat 797F registrado no complexo minerador de Carajás, no Pará; veículos dessa família estão entre os equipamentos de grande porte utilizados na mineração de minério de ferro. Crédito: Amarildo Gomes / Agência Pará.

Caminhões trabalham sem motorista dentro da área de mineração

Na operação autônoma, não há motorista dentro da cabine durante os ciclos de transporte.

Os caminhões percorrem trajetos entre pontos de carregamento e descarga a partir de sistemas digitais, sensores, radares e rotas programadas, com acompanhamento feito por equipes fora dos veículos.

A Vale explica que seus equipamentos autônomos podem interromper o deslocamento ao identificar obstáculos ou situações previstas pelos sistemas de segurança.

A mineradora começou a testar esse modelo em Carajás em 2019 e colocou caminhões autônomos oficialmente em produção no complexo em setembro de 2021.

A tecnologia utilizada na nova fase é o Cat MineStar Command for hauling. Segundo a Sotreq, o sistema permite integrar uma frota de transporte autônoma, na qual os caminhões atendem chamadas dos equipamentos de carregamento, seguem para os pontos de descarga e reportam necessidades de manutenção sem operador a bordo.

A frota, contudo, não passará a ser totalmente autônoma de uma só vez. Em Serra Norte, caminhões sem motorista deverão continuar dividindo a operação com veículos tripulados durante a expansão.

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Automação também muda funções dentro das minas de Carajás

A adoção dos caminhões exige mudanças que vão além da aquisição de máquinas.

Em setembro, informações divulgadas na região indicavam a preparação de aproximadamente 2 mil trabalhadores de Serra Norte e Serra Sul para lidar com processos relacionados à mineração autônoma.

Os treinamentos abrangem áreas como operação, manutenção, planejamento, liderança e controle dos sistemas de autonomia.

Desde o início da implantação no Sistema Norte, em 2019, a Vale já havia contabilizado mais de 260 profissionais capacitados diretamente para novas funções e para interação com sistemas digitais.

Uma das mudanças ocorre justamente no local de trabalho. Em vez de permanecer dentro da cabine de um caminhão fora de estrada durante todo o ciclo, parte das atividades passa a ser realizada em centros de controle, manutenção ou funções ligadas ao acompanhamento dos sistemas.

A Vale atribui à automação a redução da exposição de empregados a áreas de maior risco.

Os resultados operacionais divulgados pela própria mineradora em outras aplicações apontam ganhos de até 15% no rendimento e redução de até 7,5% no consumo de combustível, números que a companhia utiliza como referência para a expansão da tecnologia.

Carajás combina caminhões autônomos e transporte por correias

A automação dos caminhões não será aplicada da mesma maneira em todas as áreas do Sistema Norte. Em Serra Sul, por exemplo, os novos veículos deverão operar junto ao sistema conhecido como truckless.

Nesse modelo, parte do minério é deslocada por uma rede de transportadores de correia de longa distância, reduzindo a necessidade de caminhões em determinados trechos do processo produtivo.

Sistema truckless da mina S11D, em Serra Sul, utiliza equipamentos e correias transportadoras para movimentar minério sem caminhões em determinados trechos da operação. Crédito: Ricardo Teles / Divulgação.

A Vale já utiliza essa solução no complexo de Serra Sul, em Canaã dos Carajás.

O Sistema Norte reúne os complexos de Serra Norte, Serra Sul e Serra Leste e está conectado à Estrada de Ferro Carajás e ao Terminal Marítimo de Ponta da Madeira. Essa estrutura integra produção mineral e logística de exportação dentro do negócio de minério de ferro da companhia.

Para a etapa iniciada em setembro, o cronograma divulgado prevê novas incorporações de caminhões até dezembro de 2026.

O objetivo de aproximadamente 90 unidades autônomas permanece estabelecido para 2028, distribuídas entre Serra Norte e Serra Sul.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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