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Google fecha acordo de 20 anos em energia nuclear: Constellation prevê US$ 4,3 bilhões para ampliar 11 reatores e gerar 890 MW extras, mais que Angra 1, enquanto a IA exige eletricidade
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 09/10/2026 às 16:36
Atualizado em 09/10/2026 às 16:50
Ciência e Tecnologia
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Google e Constellation assinaram acordo de 20 anos em energia nuclear para ampliar 11 reatores nos EUA. A modernização prevê US$ 4,3 bilhões em investimentos e 890 MW extras, mais que a capacidade de Angra 1, a partir de 2028.
Na corrida por energia nuclear, o Google fechou um contrato de 20 anos que permitirá à Constellation Energy modernizar 11 unidades nucleares nos Estados Unidos e acrescentar 890 megawatts (MW) de capacidade à rede elétrica. O anúncio, feito em 6 de outubro de 2026, envolve mais de US$ 4,3 bilhões em investimentos previstos pela empresa de energia e uma transformação capaz de entregar potência comparável à de uma grande usina nuclear sem construir um novo reator.
O aumento planejado é maior que toda a capacidade nominal da usina brasileira de Angra 1, de 640 MW. O acordo reúne seis instalações nucleares em Illinois, Pensilvânia e Nova Jersey, enquanto o crescimento dos centros de dados usados para inteligência artificial exige energia continuamente, inclusive durante a noite e em dias sem vento ou sol.
Google aposta em 11 reatores existentes e amplia a geração equivalente à de uma usina nuclear inteira
O projeto foi apresentado como uma expansão da capacidade de geração já instalada. Nas seis usinas contempladas, 11 unidades passarão por melhorias em equipamentos de geração e controle para extrair mais eletricidade das estruturas existentes. O conjunto de intervenções deverá oferecer 890 MW adicionais, quantidade que a Constellation compara à potência de um grande reator convencional ou de vários reatores modulares pequenos.
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Os números incluem instalações operacionais, e não uma encomenda de 11 reatores novos. As empresas não divulgaram inicialmente a distribuição exata da ampliação entre todas as unidades. À publicação especializada Nuclear News, um porta-voz da Constellation identificou as usinas de Braidwood, Byron, LaSalle e Quad Cities, em Illinois; Limerick, na Pensilvânia; e Salem, em Nova Jersey, como instalações previstas no projeto.
A Constellation informou que o primeiro aumento de capacidade deverá entrar em operação em 2028. As demais intervenções dependerão de obras, análise de segurança e autorizações regulatórias. Até essa entrega, os 890 MW são um objetivo contratado, não uma geração adicional já disponível para os consumidores.
Modernização vai mexer em turbinas, sistemas de vapor e controles digitais para retirar mais energia das usinas
O plano utiliza uma estratégia conhecida no setor como power uprate, ou aumento autorizado de potência. As instalações passam por intervenções para conseguir produzir mais eletricidade a partir de reatores existentes. Entre as melhorias anunciadas estão a modernização de turbinas, geradores de vapor e sistemas digitais de controle, aumentando a eficiência térmica e elétrica.
Em uma usina nuclear, o calor gerado pela reação de fissão é utilizado para produzir vapor e movimentar equipamentos que geram eletricidade. Para elevar a potência, uma operadora pode precisar alterar componentes como bombas, válvulas, tubulações, trocadores de calor, transformadores e geradores. Dependendo do aumento pretendido, a operação também pode exigir ajustes no combustível e nos sistemas associados ao reator.
Nos Estados Unidos, essas modificações precisam passar pela Comissão Reguladora Nuclear (NRC). A empresa responsável apresenta análises que demonstram a capacidade dos equipamentos de trabalhar nas novas condições e a manutenção das margens de segurança. Somente depois da aprovação correspondente a unidade poderá operar regularmente na potência ampliada.
Investimento de US$ 4,3 bilhões prevê 7.200 empregos nas obras e preservação de outros 4.400 postos
A Constellation estima que as mudanças representarão mais de US$ 4,3 bilhões em novos investimentos e sustentarão aproximadamente 7.200 empregos durante o período de construção e modernização. O acordo também ajuda a preservar cerca de 4.400 postos de trabalho já associados às instalações nucleares abrangidas.
O valor informado corresponde aos investimentos previstos da Constellation nos projetos. O comunicado não divulga um preço total único para a energia contratada pelo Google nem estabelece que a companhia de tecnologia fará diretamente todos os desembolsos das obras. O contrato de longo prazo dá previsibilidade financeira ao programa de melhorias.
O arranjo foi anunciado para a rede regional PJM Interconnection, responsável pelo atendimento de cerca de 67 milhões de pessoas em parte do leste e do centro-oeste dos Estados Unidos. A nova capacidade entrará nessa rede, que atende residências, indústrias e centros de dados, em vez de ser fisicamente dedicada apenas a um único complexo do Google.
Contrato adicional de 2.700 MW por 15 anos reforça fornecimento existente e eleva o tamanho da parceria
Além do plano de ampliação, Google e Constellation assinaram outro contrato, com duração de 15 anos, envolvendo 2.700 MW de geração já existente no mercado atendido pela PJM. Esse acordo busca dar estabilidade à operação comercial de unidades que já produzem eletricidade.
A distinção é essencial para compreender os números: 890 MW representam capacidade nova planejada por meio das modernizações; os 2.700 MW correspondem ao fornecimento de instalações existentes, coberto por outra contratação. Somar os dois valores e apresentá-los como expansão física de geração distorceria a dimensão da obra anunciada.
O Google informou ainda que, considerando esse e outros compromissos de ampliação e retomada de instalações nucleares, já apoiou projetos que totalizam mais de 1,5 gigawatt de nova capacidade nuclearpara o sistema elétrico norte-americano. Esse total reúne iniciativas diferentes, com cronogramas próprios.
Inteligência artificial será utilizada no planejamento das obras e no acompanhamento da infraestrutura elétrica
A parceria também inclui uma ampliação de cinco anos do relacionamento tecnológico entre as empresas. A Constellation escolheu ferramentas do Google Cloud e do Gemini Enterprise para desenvolver aplicações de inteligência artificial em atividades de engenharia e gestão energética.
Entre os trabalhos citados pelas companhias estão a seleção de locais, o estudo de fluxos de eletricidade, os processos de licenciamento e conexão à rede, além do acompanhamento da saúde dos equipamentos e do planejamento de paradas para manutenção. O objetivo é melhorar a programação das intervenções e reduzir custos e atrasos de implantação.
Outra frente envolve a proteção de redes digitais de infraestrutura crítica. O uso anunciado da inteligência artificial se concentra em análise, planejamento, gestão e segurança de sistemas. As exigências de operação nuclear e de licenciamento continuam submetidas às autoridades e aos procedimentos técnicos das instalações.
Projeto supera a potência de Angra 1 e mostra uma possibilidade de ampliar eletricidade sem erguer novas usinas
A comparação com o Brasil ajuda a dimensionar a escala do anúncio. Segundo a Eletronuclear, Angra 1 possui 640 MW de capacidade nominal e Angra 2, 1.350 MW. Os 890 MW adicionais planejados nos Estados Unidos equivalem a cerca de 1,4 vez a capacidade nominal de Angra 1, embora estejam distribuídos por várias unidades e ainda dependam das obras anunciadas.
No Brasil, as duas usinas em operação em Angra dos Reis somam aproximadamente 1.990 MW nominais. As condições técnicas, o licenciamento e as possibilidades de modernização de cada reator são diferentes. O contrato norte-americano não representa um projeto aprovado de aumento de potência nas usinas brasileiras.
O debate interessa também à indústria brasileira pela dificuldade de ampliar a oferta firme de eletricidade para fábricas, mineração, sistemas digitais e novos investimentos. O exemplo dos Estados Unidos mostra uma opção de investimento em ativos existentes, que precisa ser avaliada caso a caso conforme equipamentos, custos, segurança e regras locais.
Primeira ampliação está prevista para 2028, enquanto Google e Constellation preparam novos projetos de energia
O calendário anunciado estabelece 2028 como previsão para a primeira entrega de potência adicional. A implantação integral depende das modificações previstas para as 11 unidades e das autorizações necessárias para elevar sua capacidade de operação.
As companhias também firmaram um entendimento para estudar futuras iniciativas de geração limpa, armazenamento de energia e resposta da demanda em outras regiões norte-americanas. São oportunidades em avaliação, ainda sem o mesmo grau de definição do acordo de modernização.
Com a expansão da inteligência artificial, a disputa deixou de envolver apenas processadores e centros de dados: passou a incluir turbinas, transformadores, linhas de transmissão e contratos de energia capazes de garantir eletricidade durante décadas. O acordo de outubro coloca as usinas nucleares existentes no centro dessa corrida, com investimentos anunciados e o primeiro resultado operacional esperado para 2028.
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Tags
Energia Nuclear; Google; Inteligência Artificial; Usinas Nucleares; Constellation Energy
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

