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Governo aumenta imposto de importação de 28 produtos químicos temporariamente
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 09/10/2026 às 14:36
Atualizado em 09/10/2026 às 14:40
Indústria
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Imposto de importação de 28 produtos químicos terá aumento temporário entre outubro de 2026 e outubro de 2027, após decisões do Gecex.
A indústria química brasileira chega à nova rodada de proteção tarifária utilizando apenas 64% de sua capacidade instalada, o menor nível registrado desde 1990, enquanto produtos importados já respondem por 49% da demanda interna. Nesse ambiente, o governo decidiu elevar temporariamente o imposto de importação de 28 itens do setor, com novas alíquotas válidas durante um período de 12 meses.
As alterações começam em 17 de outubro de 2026 e permanecem até 16 de outubro de 2027. Elas foram formalizadas pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) em duas resoluções publicadas no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (5).
Para a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), as decisões representam uma tentativa de reequilibrar as condições enfrentadas pelos fabricantes nacionais diante do comportamento recente das importações e da conjuntura internacional.
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Veja também
Maior parte dos itens passa a ter tarifa de 20%
Os 28 produtos não foram incluídos em um único instrumento.
A Resolução Gecex nº 963/2026 abrange 24 códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Eles foram incorporados à lista utilizada para aumentos tarifários relacionados a desequilíbrios comerciais provocados pela conjuntura econômica internacional.
Na maior parte desses casos, o imposto de importação passa a ser de 20%.
A relação alcança diferentes partes da cadeia química. Entre os exemplos aparecem produtos com finalidades e composições distintas, como:
- bicarbonato de sódio e ácido fosfórico;
- monoetanolamina, butanona e álcool isobutílico;
- ácido adípico e anidrido maleico;
- acetatos de n-butila e de etila;
- tensoativos aniônicos e plastificantes ortoftálicos;
- polímeros de estireno, polietilenos, copolímeros de propileno e poliésteres não saturados;
- hexametilenodiamina.
A aprovação dessa resolução ocorreu durante a 240ª reunião ordinária do Gecex, em 27 de agosto.
Quatro resinas receberam tratamento em outra resolução
Uma segunda decisão alcança especificamente materiais termoplásticos.
A Resolução Gecex nº 969/2026, aprovada em 24 de setembro, colocou quatro produtos na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum. Para eles, também foi estabelecida uma alíquota de 20% pelo prazo de um ano.
Entram nesse grupo o PET com índice de viscosidade de pelo menos 78 ml/g, o polipropileno sem carga e duas classificações de polietileno diferenciadas pela densidade.
As solicitações que deram origem às duas medidas foram conduzidas pela Abiquim com participação técnica de suas empresas associadas. A fundamentação considerou dados relacionados às importações e os efeitos do cenário internacional sobre a produção instalada no Brasil.
Importados ganharam espaço enquanto utilização das fábricas caiu
Os números apresentados pela entidade ajudam a mostrar por que a discussão tarifária ganhou peso dentro do setor.
Em 1990, os importados atendiam 7% da demanda interna por produtos químicos. Atualmente, essa participação está em 49%.
Ao mesmo tempo, o aproveitamento da estrutura produtiva nacional chegou a cerca de 64%, patamar que a Abiquim aponta como o menor em mais de três décadas.
Em 2025, a indústria química registrou US$ 167,8 bilhões em faturamento. As compras realizadas no exterior somaram US$ 72,4 bilhões, enquanto as exportações ficaram em US$ 15,5 bilhões.
A diferença entre os dois fluxos levou o déficit comercial do setor a US$ 56,8 bilhões naquele ano.
Abiquim não espera impacto inflacionário relevante
A entidade também argumenta que o aumento temporário das tarifas não deverá provocar efeito relevante sobre a inflação.
Essa avaliação toma como referência o comportamento observado em 2024, quando houve uma elevação semelhante de alíquotas.
André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, afirmou que a decisão do governo ajuda a restabelecer condições mais equilibradas de concorrência e cria espaço para preservar a produção nacional enquanto questões estruturais de competitividade continuam sendo trabalhadas.
Medida se soma ao REIQ e ao Presiq
O aumento tarifário chega em paralelo a outros instrumentos direcionados à indústria química.
A Abiquim cita a retomada do Regime Especial da Indústria Química (REIQ), utilizado para reduzir custos de produção e estimular investimentos, e a criação do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq).
O Presiq tem entrada em vigor prevista para o início de 2027 e foi desenhado para estimular modernização, aumento de produtividade e tecnologias com menor impacto ambiental.
A indústria química ocupa atualmente a sexta posição entre as maiores do mundo e utiliza uma matriz energética formada por 82,9% de fontes renováveis. No Brasil, responde por cerca de 2 milhões de postos diretos e indiretos.
Fonte
abiquim
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

