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Guiné bate recorde com quase 3 milhões de toneladas de minério de ferro enquanto exportações do Brasil caem 11%

Guiné bate recorde com quase 3 milhões de toneladas de minério de ferro enquanto exportações do Brasil caem 11%

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Guiné bate recorde com quase 3 milhões de toneladas de minério de ferro enquanto exportações do Brasil caem 11%

Escrito por Ana Alice

Publicado em 25/10/2026 às 21:39

Atualizado em 25/10/2026 às 21:50

Mineração

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Guiné bate recorde com quase 3 milhões de toneladas de minério de ferro, enquanto fluxos do Brasil caem 11% e Simandou ganha espaço. – Imagem: Ilustrativa via I.A

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Guiné amplia embarques de minério de ferro com avanço de Simandou, enquanto fluxos brasileiros recuam em agosto e mudanças na demanda por aço alteram a dinâmica entre grandes fornecedores globais.

Segundo a Brasil Mineral, com base em dados da Signal Ocean Research, a Guiné alcançou um recorde nos embarques de minério de ferro em agosto de 2026, com volume próximo de 3 milhões de toneladas, enquanto os fluxos marítimos partindo do Brasil recuaram mais de 11% na comparação anual.

O movimento ocorre justamente quando Simandou, um dos maiores projetos de minério de ferro de alto teor do mundo, começa a ampliar sua presença no comércio internacional.

A leitura dos números exige uma diferença importante entre bases de dados. Segundo a Signal Ocean, os fluxos originados no Brasil diminuíram mais de 11% em agosto sobre o mesmo período de 2025.

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Já as estatísticas oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram queda de 6,9% no volume brasileiro exportado, para cerca de 37,1 milhões de toneladas, enquanto o valor das vendas recuou 11,4%.

As diferenças decorrem das metodologias. Sistemas de inteligência marítima acompanham navios, portos, cargas e rotas, enquanto os números da Secex partem dos registros aduaneiros brasileiros.

Por isso, os percentuais não são necessariamente equivalentes, embora ambos apontem perda de força do minério brasileiro naquele mês.

Guiné bate recorde enquanto Simandou amplia embarques

Do outro lado do Atlântico, a Guiné registrou o melhor resultado de sua história recente.

A Signal Ocean apresenta o fluxo de agosto em aproximadamente 2,9 milhões de toneladas em seu resumo e em 3,1 milhões de toneladas na análise detalhada. Diante dessa variação dentro da própria fonte, o patamar de quase 3 milhões de toneladas é a referência mais segura para descrever o avanço.

O desempenho chama atenção também pela época do ano. Os carregamentos guineenses costumam sofrer com as chuvas intensas, que podem reduzir os volumes em determinados períodos.

Ainda assim, agosto terminou com novo máximo enquanto Simandou avançava em sua fase de entrada no mercado.

O minério de Simandou começou a deixar a Guiné no fim de 2025. A Rio Tinto informa que o primeiro embarque partiu em dezembro daquele ano e que as primeiras vendas de minério de alto teor foram reconhecidas em abril de 2026.

Funcionários caminham pela região de Simandou, na Guiné, onde está sendo ampliada a produção de minério de ferro de alto teor. Crédito: Divulgação/Rio Tinto.

Desde então, a operação vem aumentando gradualmente sua produção e o uso da nova infraestrutura ferroviária e portuária construída no país.

O tamanho do empreendimento ajuda a explicar por que o mercado acompanha os números da Guiné. O desenvolvimento de Simandou envolve mais de 600 quilômetros de infraestrutura ferroviária, além de estruturas portuárias para levar o minério extraído no sudeste do país até a costa.

Ponte ferroviária integra a infraestrutura construída para transportar minério de ferro de Simandou até o sistema TransGuinéen e os terminais de exportação. Crédito: Divulgação/SimFer.

A operação é dividida entre diferentes grupos. A SimFer, joint venture que reúne Rio Tinto, um consórcio liderado pela Chinalco e participação do governo guineense, desenvolve os blocos 3 e 4.

Já a Winning Consortium Simandou participa do desenvolvimento dos blocos 1 e 2 e de parte da infraestrutura compartilhada.

Quando todo o sistema estiver desenvolvido, as concessões ligadas ao corredor poderão utilizar infraestrutura planejada para suportar exportações combinadas de até 120 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

A parcela da mina SimFer tem capacidade prevista de 60 milhões de toneladas anuais.

Essa escala ainda não foi atingida. No terceiro trimestre de 2026, a Rio Tinto informou que Simandou havia alcançado uma taxa anualizada de produção próxima de 10 milhões de toneladas, considerando 100% da operação, e permanecia em processo de expansão.

A companhia prevê atingir uma taxa de 60 milhões de toneladas anuais na mina SimFer durante o segundo semestre de 2028.

Minério de alto teor coloca Guiné no radar do mercado

O interesse pelo minério guineense não está apenas no volume.

Simandou possui minério de alto teor, característica relevante para siderúrgicas que buscam produzir aço com menor intensidade de carbono. Minérios mais ricos em ferro podem exigir menos processamento e gerar menos rejeitos e consumo energético em determinadas rotas de produção, embora a redução efetiva das emissões dependa também da tecnologia utilizada pelas usinas.

Mesmo com o avanço africano, a Guiné ainda opera em escala muito menor do que Brasil e Austrália.

Somente o Brasil exportou cerca de 37 milhões de toneladas em agosto, segundo a Secex, enquanto a Austrália continua liderando os fluxos marítimos globais e registrou aumento de 5% nas cargas acompanhadas pela Signal Ocean no mesmo período.

Por isso, o recorde guineense não representa uma substituição imediata do minério brasileiro.

A análise da Breakwave Advisors avalia que o crescimento de Simandou não deve compensar integralmente o recuo dos fluxos provenientes do Brasil no curto prazo.

O comportamento brasileiro em agosto também esteve ligado à demanda externa. Segundo a análise da Signal Ocean, a queda dos fluxos foi influenciada por menor procura das siderúrgicas europeias.

Nos dados oficiais brasileiros, as exportações de minério de ferro somaram cerca de US$ 2,33 bilhões no mês, abaixo do resultado registrado um ano antes.

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China e Europa pressionam a demanda por minério

A China continua sendo a peça central desse mercado.

Em agosto, o volume mundial de minério de ferro transportado por mar chegou a aproximadamente 153,5 milhões de toneladas, praticamente estável na comparação anual e 5% acima de julho.

Os fluxos com destino à China aumentaram apenas 0,2%, enquanto as chegadas marítimas aos portos chineses caíram 7,7% naquele mês.

A diferença pode ocorrer porque uma carga leva semanas para sair do país de origem e chegar ao destino, fazendo com que dados de partidas e desembarques não coincidam dentro de um mesmo período.

Além disso, estoques elevados nos portos chineses e uma demanda mais fraca por aço reduziram a necessidade de novas cargas.

Esse cenário ajuda a explicar por que o crescimento da oferta da Guiné ocorre ao mesmo tempo em que o mercado global enfrenta pressão do lado do consumo.

A União Europeia adiciona outro elemento à equação.

O novo regime europeu para importações de aço aumenta as exigências de rastreabilidade sobre o país onde o metal foi originalmente produzido.

Segundo a Breakwave Advisors, a mudança pode dificultar operações que utilizam mercados intermediários, como Turquia, Egito e Vietnã, para processamento ou transbordo de aço destinado ao bloco.

Uma desaceleração nesses fluxos pode afetar a demanda por aço chinês e, indiretamente, reduzir a necessidade de minério de ferro usado pelas siderúrgicas.

Nesse ambiente, fornecedores passam a disputar um mercado que cresce menos, enquanto novas toneladas de Simandou entram gradualmente no sistema.

Nova oferta também pode mudar a logística marítima

O avanço guineense também pode alterar a logística marítima.

Viagens entre Brasil e China estão entre as rotas mais longas atendidas por navios Capesize. A entrada de volumes adicionais vindos da África Ocidental reduz parte dessa distância, o que pode diminuir a demanda medida em toneladas-milha mesmo quando a quantidade total transportada permanece semelhante.

Para o Brasil, a diferença de escala ainda é significativa, mas Simandou acrescenta uma nova fonte de minério de alto teor a um mercado tradicionalmente dominado por Austrália e Brasil.

Com a produção guineense ainda em fase de expansão, os números dos próximos meses deverão mostrar quanto desse novo volume será absorvido pelas siderúrgicas e como ele passará a dividir espaço com os grandes exportadores já estabelecidos.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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