Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Guitarrista do Queen, Brian May transformou lavoura em floresta com 101 mil árvores e a vida selvagem voltou; o Brasil precisaria de quase 189 mil bosques iguais para bater sua meta

Guitarrista do Queen, Brian May transformou lavoura em floresta com 101 mil árvores e a vida selvagem voltou; o Brasil precisaria de quase 189 mil bosques iguais para bater sua meta

Faça um comentário

4 min de leitura

Guitarrista do Queen, Brian May transformou lavoura em floresta com 101 mil árvores e a vida selvagem voltou; o Brasil precisaria de quase 189 mil bosques iguais para bater sua meta

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 06/10/2026 às 15:06

Atualizado em 06/10/2026 às 15:30

Ciência e Tecnologia

Canal

Foto: Save Me Trust/Divulgação

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Brian May, guitarrista do Queen, plantou o primeiro carvalho em 2013. O plano técnico previa mudas britânicas, protetores, cerca contra cervos e corte de químicos. A conta por hectare fica perto do padrão usado no Brasil.

O bosque que Brian May começou a plantar em Bere Regis, no condado inglês de Dorset, passou de 101 mil árvores e arbustos em dez anos. O número está na atualização do site oficial do músico, publicada no aniversário de uma década do projeto. A história voltou a circular no domingo (4), em reportagem da CNN Brasil.

A área tem 157 acres, cerca de 63,5 hectares. Até 2013, era terra de cultivo. Hoje se chama May’s Wood, e o site do músico registra a chegada de flores silvestres, insetos, aves e pequenos mamíferos que não apareciam ali no tempo da lavoura.

O que torna o caso útil para quem acompanha reflorestamento não é a fama do dono. É o plano. Ele foi escrito antes da primeira muda e está publicado pelo Save Me Trust, a entidade de proteção à fauna que Brian May fundou com Anne Brummer.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

O primeiro carvalho e o plano de 12 meses

O primeiro plantio foi em 28 de setembro de 2013, um sábado, aberto aos moradores da vila. Segundo o relato do próprio site do músico, cerca de 600 árvores foram para o chão naquele dia, quase todas carvalhos.

A meta de Brian May era mais ambiciosa: plantar mais de 100 mil árvores e arbustos em 12 meses, em oito antigos campos agrícolas. A maior parte do plantio ficou para depois de 1º de janeiro de 2014, quando o ciclo da lavoura terminou de vez.

As regras técnicas do reflorestamento

O comunicado do Save Me Trust detalha como o bosque seria montado. O plantio e o manejo ficaram com a UPM Tilhill, empresa britânica de gestão florestal. Os pontos principais:

Os protetores de muda do plantio comunitário ainda aparecem entre carvalhos e bétulas de May’s Wood. Foto: Linda Lamon/brianmay.com

Dois detalhes mostram que o plano não foi decorativo. O freixo ficou fora da lista por causa de uma doença que atacava a espécie no país. E as exceções à regra das nativas, a nogueira e as coníferas, entraram com função definida: dar cobertura no inverno.

O próprio texto admite que o manejo “não seria totalmente orgânico”. Em outro trecho, citado pela CNN Brasil, Brian May escreveu que queria um cuidado com a floresta sem abates e sem caça recreativa.

A conta das árvores por hectare

Dividir 101 mil árvores e arbustos por 63,5 hectares dá cerca de 1.590 plantas por hectare. Só que o plano reservava mais de 60 acres (uns 24 hectares) como área aberta, com clareiras e talhadia de aveleira.

Tirando essa parte, sobram perto de 39 hectares plantados. Aí a densidade sobe para cerca de 2.570 plantas por hectare. O valor é aproximado, já que o tamanho de cada talhão do reflorestamento de Brian May não foi publicado.

A Embrapa aponta como espaçamentos mais usuais no plantio de mudas o de 3 m por 2 m (1.667 plantas por hectare) e o de 2 m por 2 m (2.500 plantas por hectare).

ReferênciaPlantas por hectareMay’s Wood, área totalcerca de 1.590Embrapa, espaçamento 3 m x 2 m1.667Embrapa, espaçamento 2 m x 2 m2.500May’s Wood, sem a área abertacerca de 2.570

O tamanho do desafio no Brasil

O Decreto 8.972, de 2017, fixou a recuperação de pelo menos 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 31 de dezembro de 2030. Isso equivale a quase 189 mil áreas do tamanho do bosque de Dorset.

O reflorestamento da Mata Atlântica tem meta própria. O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, criado em 2009, mira 15 milhões de hectares até 2050. Os dados estão em reportagem da Agência Brasil de fevereiro. A Mata Atlântica tinha cerca de 130 milhões de hectares e hoje mantém 24% dessa cobertura.

A mesma reportagem traz um dado que mostra o risco de recuo. Um estudo da Fundação SOS Mata Atlântica viu 4,9 milhões de hectares entrarem em regeneração entre 1993 e 2022. Desses, 1,1 milhão foi desmatado de novo, cerca de 22%. Ficaram de pé 3,8 milhões.

O que o caso inglês ensina

No espaçamento de 3 m por 2 m, cada milhão de hectares refeito só com mudas pediria cerca de 1,67 bilhão de plantas. Por isso o reflorestamento em grande escala no Brasil mistura plantio com regeneração natural, que dispensa parte das mudas.

O bosque de Brian May mostra o outro lado da equação: o cuidado depois do plantio. Cerca, protetor, corte gradual de herbicida e acompanhamento com a Dorset Wildlife Trust estavam no plano desde o início. Manter de pé o que foi recuperado também pesa na Mata Atlântica, como mostra o recuo de 22%.

Tags

reflorestamento


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

Sair da versão mobile