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Henkel troca diesel por biometano, coloca três carretas de 75 toneladas para rodar em São Paulo e leva combustível renovável a caminhões com autonomia de até 600 km e abastecimento em 15 minutos

Henkel troca diesel por biometano, coloca três carretas de 75 toneladas para rodar em São Paulo e leva combustível renovável a caminhões com autonomia de até 600 km e abastecimento em 15 minutos

SP

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Henkel troca diesel por biometano, coloca três carretas de 75 toneladas para rodar em São Paulo e leva combustível renovável a caminhões com autonomia de até 600 km e abastecimento em 15 minutos

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 03/10/2026 às 13:40

Atualizado em 03/10/2026 às 13:45

Biocombustíveis Renováveis

Canal

Três caminhões movidos a biometano passaram a integrar a operação logística da Henkel em São Paulo, com autonomia de até 600 km e abastecimento realizado na própria unidade de Jundiaí. Créditos: Imagem ilustrativa criada por IA – uso editorial.

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Multinacional alemã passa a usar três veículos 6×2 abastecidos na própria fábrica de Jundiaí; operação soma 75 toneladas diárias de capacidade e leva o biometano da indústria para o transporte rodoviário

A Henkel colocou o biometano diretamente na rota de seus caminhões em São Paulo. A multinacional alemã incorporou à operação logística três cavalos mecânicos abastecidos com o combustível renovável, capazes de percorrer até 600 quilômetros antes do reabastecimento e que partem de Jundiaí para entregas realizadas dentro do estado.

As três carretas somam capacidade para transportar cerca de 75 toneladas de cargas por dia. Os veículos pertencem a uma transportadora contratada pela Henkel, possuem configuração 6×2 e deixam a área logística da empresa cinco vezes por semana, segundo informações obtidas pela Transporte Moderno.

O detalhe que torna a operação mais interessante do ponto de vista dos biocombustíveis está dentro da própria unidade de Jundiaí: os caminhões não precisam depender exclusivamente de postos externos para receber o combustível. A empresa instalou infraestrutura de abastecimento de alta pressão na planta, onde o processo leva aproximadamente 15 minutos.

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É justamente essa combinação — caminhão, combustível e ponto de abastecimento no mesmo ecossistema logístico — que transforma o projeto em algo maior do que simplesmente colocar três veículos diferentes na estrada.

Biometano dá autonomia de até 600 km aos caminhões

A autonomia informada para cada veículo chega a 600 km, distância que permite atender rotas estaduais partindo de Jundiaí sem transformar a necessidade de abastecimento em um obstáculo operacional.

Segundo a Henkel, os veículos realizam cinco saídas semanais a partir da estrutura logística instalada no município paulista. A configuração de abastecimento em alta pressão permite completar os cilindros em cerca de 15 minutos.

O biometano é produzido a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de matérias orgânicas. Depois do tratamento para remoção de impurezas e adequação às especificações regulatórias, pode ser utilizado como combustível veicular e substituir o gás natural fóssil em diferentes aplicações.

No Brasil, a produção e a comercialização do combustível são reguladas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que mantém inclusive um painel atualizado com produtores, matérias-primas utilizadas e capacidades autorizadas de produção.

Para o transporte pesado, a discussão ganha outra dimensão. Caminhões exigem autonomia, capacidade de carga e abastecimento suficientemente rápido para que a mudança energética não comprometa a produtividade da operação.

Os números divulgados pela Henkel mostram justamente uma tentativa de encaixar o combustível renovável nessa rotina: até 600 km de alcance e aproximadamente 15 minutos para abastecer.

Fábrica de Jundiaí já consumia 1,8 milhão de metros cúbicos de biometano por ano

A chegada dos caminhões não é o primeiro contato da Henkel com o biometano no Brasil.

Desde abril de 2025, a planta da companhia em Jundiaí opera com o combustível renovável. A unidade tornou-se, segundo a própria empresa, a primeira fábrica da rede global da Henkel a funcionar com biometano.

O projeto prevê fornecimento de cerca de 1,8 milhão de metros cúbicos por ano para a operação industrial.

Agora ocorre uma expansão interessante dessa mesma infraestrutura energética.

O combustível que já havia entrado na fábrica passa também a movimentar parte da logística que sai dela.

Essa mudança importa porque um dos desafios do biometano no transporte pesado não está apenas no caminhão. É preciso construir uma cadeia capaz de fornecer o combustível nos locais e volumes exigidos pela operação. Ter abastecimento instalado no ponto de origem das viagens reduz uma dessas barreiras.

Henkel combina caminhões a biometano com veículos elétricos

O biometano também não é a única tecnologia alternativa ao diesel testada pela companhia em sua distribuição brasileira.

A Henkel já havia introduzido em sua operação um caminhão 100% elétrico com capacidade para 30 toneladas, destinado a entregas na Grande São Paulo e no interior paulista. A empresa posteriormente ampliou essa frente, combinando veículos elétricos com os novos caminhões abastecidos com biometano.

De acordo com a Frota&Cia, os três novos caminhões a biometano são modelos Scania. Somados aos veículos elétricos utilizados pela companhia, fazem parte de uma estratégia para reduzir emissões associadas à distribuição de produtos no país.

Essa coexistência revela algo importante sobre a transição do transporte pesado: não necessariamente haverá uma única tecnologia para todas as rotas.

Caminhões elétricos podem fazer sentido em determinadas distâncias e estruturas de recarga, enquanto combustíveis renováveis como o biometano podem atender operações nas quais autonomia e rapidez no reabastecimento têm peso maior.

São Paulo quer quase dobrar capacidade de produção de biometano

A operação começa justamente quando São Paulo busca ampliar de maneira significativa a oferta desse combustível.

A capacidade instalada de produção de biometano no estado deve passar de cerca de 700 mil para 1,3 milhão de metros cúbicos por dia até 2027, segundo dados apresentados pelo governo paulista e divulgados pela AutoData. Isso representaria uma expansão próxima de 85% em aproximadamente dois anos.

O transporte pesado está entre os mercados considerados estratégicos para absorver parte dessa produção.

Há uma razão clara para isso. Diferentemente de automóveis de passeio, que já contam com ampla oferta de veículos flex, híbridos e elétricos, caminhões de grande capacidade ainda mantêm forte dependência do diesel.

É nesse espaço que o biometano tenta ganhar escala.

A experiência da Henkel não significa que o combustível esteja pronto para substituir o diesel em toda a frota rodoviária brasileira. A própria companhia não divulgou, até o momento, o custo por quilômetro da operação, o consumo médio dos três veículos nem uma comparação financeira direta com caminhões equivalentes movidos a diesel.

Esses números serão importantes para medir até onde a solução consegue avançar além de projetos empresariais específicos.

Por enquanto, o caso de Jundiaí fornece algo mais concreto: três caminhões, rotas regulares, capacidade diária de 75 toneladas, autonomia de até 600 quilômetros e uma estação de abastecimento funcionando dentro da própria operação.

O biometano, nesse caso, já não está apenas sendo projetado como combustível do futuro. Está saindo da fábrica dentro do tanque dos caminhões.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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