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Hidrovia do Paraguai cresce 195% enquanto Paraná-Tietê perde 31% no transporte de cargas

Hidrovia do Paraguai cresce 195% enquanto Paraná-Tietê perde 31% no transporte de cargas

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Hidrovia do Paraguai cresce 195% enquanto Paraná-Tietê perde 31% no transporte de cargas

Escrito por Carla Teles

Publicado em 28/10/2026 às 15:57

Atualizado em 28/10/2026 às 16:36

Logística e Transporte

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Comboio de barcaças navega pelo Rio Paraná, na Argentina. Imagem ilustrativa do transporte fluvial na América do Sul. Foto: Eduardo Eugenio Padron/Pexels.

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Levantamento da ANTAQ contabilizou 374,6 bilhões de toneladas-quilômetro úteis em 2025 e revelou forte concentração das operações fluviais na região amazônica.

A produção do transporte aquaviário brasileiro cresceu 9,81% em 2025 e alcançou 374,6 bilhões de toneladas-quilômetro úteis (TKU), o maior resultado dos últimos cinco anos. O avanço, entretanto, foi desigual entre os corredores de navegação: enquanto a Hidrovia do Rio Paraguai registrou crescimento de 195,04%, a Paraná–Tietê apresentou retração de 31,77%. Os números mostram diferenças no desempenho de rotas utilizadas para transportar mercadorias pelo território nacional.

Os dados foram divulgados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), em 7 de outubro de 2026, após aprovação do estudo pela diretoria em 24 de setembro. O levantamento considera a quantidade de carga transportada e a distância percorrida, permitindo identificar a intensidade de utilização das hidrovias e comparar a produção de diferentes modalidades de transporte.

Transporte aquaviário cresce 9,81%, mas indicador revela mais que toneladas movimentadas

Caminhões-tanque são transportados por balsa no Rio Amazonas, em Manacapuru (AM). O transporte aquaviário brasileiro alcançou 374,6 bilhões de TKU em 2025. Foto: Kaushik Mahadevan/Pexels.

O principal resultado do levantamento foi o crescimento da produção do transporte aquaviário, indicador que considera tanto o peso das mercadorias quanto a distância percorrida.

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A unidade utilizada é a tonelada-quilômetro útil, conhecida pela sigla TKU. Uma tonelada transportada por um quilômetro corresponde a um TKU.

Isso significa que uma embarcação transportando 10 mil toneladas por 100 quilômetros produz um milhão de TKU. Se a mesma carga percorrer 500 quilômetros, serão cinco milhões de TKU.

O indicador permite avaliar a dimensão do serviço realizado, mas não mede diretamente o custo do frete, a produtividade das embarcações ou a eficiência energética.

Em 2025, a cabotagem respondeu pela maior parcela da produção aquaviária, com 286,92 bilhões de TKU, crescimento de 6,49% em relação ao ano anterior.

A navegação interior alcançou 42,70 bilhões de TKU, alta de 21,06%. Já o longo curso realizado em vias interiores chegou a 44,98 bilhões de TKU, avanço de 23,46%.

Essas três parcelas compõem os 374,6 bilhões de TKU divulgados pela ANTAQ.

Baixo Amazonas concentra quase 64% da produção registrada nas hidrovias

A concentração das operações em determinados corredores foi outro resultado apresentado pela agência.

Considerando a navegação interior e os trechos de cabotagem e longo curso realizados em vias interiores, a produção nas hidrovias brasileiras alcançou 114,59 bilhões de TKU em 2025.

O resultado representa crescimento de 19,06% sobre 2024.

A Hidrovia do Baixo Amazonas respondeu por 63,95% desse total, demonstrando o peso do corredor amazônico no transporte fluvial brasileiro.

Quando considerada apenas a modalidade de navegação interior, Madeira e Baixo Amazonas concentraram, juntos, aproximadamente 59,6% da produção.

A região desempenha papel relevante no escoamento de grãos e no abastecimento de municípios que dependem das vias navegáveis para receber mercadorias.

Um exemplo aparece no Rio Tapajós. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a hidrovia movimentou 16,8 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 14,3%.

O transporte é realizado principalmente por barcaças que recebem soja e milho em instalações portuárias de Miritituba, no Pará.

A operação já foi apresentada pelo CPG em reportagem sobre um comboio de barcaças no Tapajós, que transportou 30 mil toneladas de milho em uma viagem entre Miritituba e Santarém.

Rio Madeira transporta 12,1 milhões de toneladas e sustenta corredor de exportação

A Hidrovia do Madeira alcançou 12,80 bilhões de TKU em 2025, crescimento de 20,92% em relação ao ano anterior.

O corredor respondeu por aproximadamente 30% da produção da navegação interior brasileira.

O Ministério de Portos e Aeroportos também divulgou outro indicador: o transporte de 12,1 milhões de toneladas de mercadorias pelo Rio Madeira ao longo de 2025.

Desse volume, aproximadamente 7 milhões de toneladas foram de soja, 3 milhões de milho e 1 milhão de petróleo, conforme os dados oficiais.

O corredor liga Porto Velho, em Rondônia, ao Rio Amazonas, permitindo o deslocamento de produtos até terminais do Arco Norte.

Além das exportações agrícolas, a hidrovia atende fluxos de combustíveis e mercadorias destinadas ao abastecimento regional.

O crescimento das operações acompanha a utilização de estruturas logísticas que combinam rodovias, terminais fluviais e embarcações.

Esse modelo também aparece na atuação do Grupo Maggi no Arco Norte, cuja infraestrutura reúne frota fluvial, caminhões e instalações portuárias para o transporte de produtos agrícolas.

Hidrovia do Paraguai cresce 195%, mas Paraná–Tietê registra queda de 31,77%

O maior contraste regional do relatório aparece na comparação entre as hidrovias do Paraguai e Paraná–Tietê.

No Rio Paraguai, a produção medida em TKU aumentou 195,04% em 2025. Já na Paraná–Tietê, o indicador recuou 31,77%.

As porcentagens mostram variações relativas à produção registrada em 2024. Não significam que o Paraguai passou a movimentar mais toneladas do que os maiores corredores nacionais.

A ANTAQ relaciona as diferenças de desempenho a fatores como condições hidrológicas, infraestrutura, características operacionais e alterações nos fluxos comerciais.

O Rio Paraguai possui importância para a movimentação de cargas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com conexão à hidrovia internacional compartilhada com países vizinhos.

As condições de navegação exigem acompanhamento, especialmente durante períodos de redução do nível das águas.

Em fevereiro de 2026, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciou uma campanha de dragagem entre Cáceres e Corumbá, com previsão de retirar aproximadamente um milhão de metros cúbicos de sedimentos em 25 pontos críticos.

O investimento estimado foi de R$ 12 milhões, com recursos do Novo PAC.

A intervenção foi anunciada depois do período analisado pela ANTAQ e, portanto, não explica diretamente a variação registrada em 2025.

Ferrovias transportam mais TKU que navegação interior e cabotagem juntas

O estudo também apresenta uma comparação entre a produção aquaviária e a ferroviária brasileira.

Em 2025, a navegação interior somada à cabotagem alcançou 329,62 bilhões de TKU, crescimento de 8,18% em relação ao ano anterior.

O transporte ferroviário, por sua vez, registrou 408,20 bilhões de TKU, avanço de 2,50%.

A diferença mostra que as ferrovias apresentaram maior produção agregada de transporte nessa comparação, embora o crescimento percentual tenha sido menor.

Segundo a ANTAQ, os números não permitem concluir que um modal seja mais eficiente ou econômico que o outro.

Para comparar custos, seriam necessários indicadores adicionais, como consumo de combustível, características das mercadorias, infraestrutura disponível e despesas operacionais.

A utilização das hidrovias também depende de investimentos para manter a navegabilidade.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, os investimentos federais em infraestrutura hidroviária ultrapassaram R$ 529 milhões em 2025.

Os recursos foram direcionados a atividades como dragagens de manutenção, modernização de eclusas, ampliação de instalações portuárias e estudos de concessão.

ANTAQ utilizará os resultados para orientar planejamento das hidrovias

O levantamento integra a Agenda Plurianual de Estudos da ANTAQ para 2025 a 2028 e atualiza a avaliação anterior, referente ao exercício de 2023.

O estudo foi aprovado na 619ª Reunião Ordinária da Diretoria Colegiada, realizada em setembro de 2026.

Segundo a agência, os indicadores permitem acompanhar a utilização dos corredores hidroviários e apoiar decisões relacionadas à infraestrutura e à regulamentação do transporte de cargas.

A análise também oferece informações sobre a concentração das operações em determinadas regiões e a evolução dos fluxos entre origens e destinos.

A ANTAQ disponibiliza seus levantamentos na área de estudos e pesquisas do portal oficial.

Os próximos levantamentos permitirão verificar se a expansão da produção registrada em 2025 se mantém e como evoluem os corredores que apresentaram resultados negativos, especialmente a hidrovia Paraná–Tietê.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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