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IA avança no agro e já aparece em quase 60% das cooperativas enquanto sistema processa 2,9 milhões de registros por dia

IA avança no agro e já aparece em quase 60% das cooperativas enquanto sistema processa 2,9 milhões de registros por dia

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IA avança no agro e já aparece em quase 60% das cooperativas enquanto sistema processa 2,9 milhões de registros por dia

Escrito por Ana Alice

Publicado em 23/10/2026 às 20:03

Atualizado em 23/10/2026 às 20:06

Agronegócio

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Pesquisa aponta IA em quase 60% das cooperativas, enquanto mineira analisa 2,9 milhões de registros por dia no agronegócio brasileiro. – Imagem: Ilustrativa via I.A

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Levantamentos mostram avanço da inteligência artificial entre cooperativas brasileiras, enquanto a CooperRita, em Minas Gerais, usa sistemas capazes de processar milhões de registros de vendas e recalcular estoques em poucos minutos.

A inteligência artificial deixou de aparecer apenas em projetos experimentais e passou a fazer parte de operações de cooperativas brasileiras, inclusive no agronegócio.

Levantamento do Sistema OCB aponta adoção da tecnologia por cerca de 60% das cooperativas participantes, enquanto, em Minas Gerais, a CooperRita utiliza um sistema capaz de analisar 2,9 milhões de registros de vendas por dia e recalcular 18 mil posições de estoque em menos de dez minutos.

O caso mineiro ganhou destaque durante o World Coop Management 2026, realizado em Belo Horizonte nos dias 19 e 20 de outubro.

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O encontro reuniu lideranças do cooperativismo e colocou a inteligência artificial entre os temas ligados à gestão, produtividade e transformação digital do setor.

IA já aparece em quase 60% das cooperativas pesquisadas

Os percentuais de adoção precisam ser interpretados conforme a metodologia de cada levantamento.

A informação de 59,7% citada em levantamentos divulgados ao longo de 2026 refere-se às cooperativas respondentes que contrataram ou desenvolveram soluções baseadas em inteligência artificial em 2025.

Já a terceira edição da Pesquisa de Inovação no Cooperativismo Brasileiro, divulgada pelo Sistema OCB em outubro de 2026, recebeu respostas de 1.340 cooperativas e apontou que 60,9% das respondentes às perguntas específicas sobre o tema já utilizavam ao menos uma solução baseada em IA.

As bases e formulações das perguntas não são idênticas, mas os dois resultados colocam a adoção da tecnologia na faixa próxima de seis em cada dez participantes dos levantamentos.

Ao mesmo tempo, a pesquisa mais recente mostra que implementar ferramentas não significa necessariamente possuir uma estratégia consolidada para utilizá-las.

Segundo o Sistema OCB, somente 9,4% das cooperativas participantes afirmaram possuir uma política institucional consolidada para inteligência artificial.

O levantamento também mostrou que 77% se consideram abertas à inovação em algum grau, enquanto falta de orçamento e resistência à mudança aparecem entre os obstáculos para transformar projetos em processos permanentes.

CooperRita processa 2,9 milhões de registros por dia

No agronegócio, uma das aplicações mais concretas está em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais.

A Cooperativa Regional Agropecuária de Santa Rita do Sapucaí, conhecida como CooperRita, colocou a tecnologia dentro de uma atividade que exige atualização constante de informações: o controle de estoques.

O sistema inteligente adotado pela cooperativa, chamado SIA, processa 2,9 milhões de registros diários de vendas e utiliza esses dados para apoiar decisões relacionadas a compras, abastecimento e logística.

Além desse volume de informações, a ferramenta consegue recalcular aproximadamente 18 mil posições de estoque em menos de dez minutos.

A aplicação mostra uma frente da inteligência artificial diferente de tecnologias diretamente instaladas em tratores, colheitadeiras ou propriedades rurais.

Nesse caso, os algoritmos atuam nos bastidores da cadeia agropecuária, organizando grandes volumes de informações para antecipar necessidades de reposição, ajustar compras e reduzir gargalos logísticos.

Para cooperativas que comercializam rações, fertilizantes, defensivos, medicamentos veterinários, ferramentas e outros produtos utilizados no campo, erros de estoque podem significar tanto excesso de mercadoria parada quanto falta de itens no momento em que o produtor precisa deles.

CooperRita desenvolveu a iUai, inteligência artificial generativa criada no Sul de Minas para interação por texto e voz e valorização de produtos e referências regionais. Crédito: CooperRita/Divulgação

IA generativa também chega ao relacionamento com produtores

A CooperRita também utiliza inteligência artificial em outra frente.

Em janeiro de 2026, a instituição lançou a iUai, uma ferramenta de IA generativa desenvolvida para interação por texto e voz e estruturada para incorporar características culturais do Sul de Minas.

O projeto foi desenvolvido em parceria com a startup mineira Crawly e contou com apoio criativo da AlmaLab.

A própria CooperRita informa que a plataforma foi criada para funcionar como uma experiência conversacional ligada à cultura regional e, ao mesmo tempo, como uma vitrine para produtos locais, principalmente café e queijo.

O sistema consegue oferecer sugestões de receitas, combinações entre cafés e queijos e informações relacionadas ao cotidiano do Sul de Minas.

A solução foi oficialmente lançada em 30 de janeiro de 2026, após um trabalho voltado a adaptar a comunicação ao modo de falar da região.

Entre março e maio, o número de usuários ativos da iUai cresceu mais de 15 vezes, de acordo com dados divulgados sobre o projeto.

A aplicação voltada ao consumidor, porém, tem função diferente do SIA utilizado na gestão.

Enquanto a iUai trabalha principalmente com comunicação e relacionamento, o sistema de estoques lida com milhões de registros operacionais e informações utilizadas internamente na tomada de decisões.

Tecnologia também avança em aves, suínos e silos

Essa diversidade de usos também aparece em outras cooperativas ligadas ao agronegócio.

No Paraná, a Cooperativa Agroindustrial de Cascavel, a Coopavel, utiliza videomonitoramento inteligente em operações envolvendo aves e sistemas automatizados no manejo de suínos.

A estrutura monitora a operação de 287 mil aves por dia e utiliza robôs no manejo de aproximadamente 20 mil suínos por mês.

Sensores e câmeras também são empregados para acompanhar silos.

De acordo com a cooperativa, a automação dessas atividades reduziu custos operacionais em até 15% em processos nos quais as soluções foram implantadas.

Os exemplos aparecem em um segmento com peso expressivo no agronegócio brasileiro.

Dados do AnuárioCoop 2026, referentes a 2025, indicam que o ramo agropecuário reunia 1.254 cooperativas e 1,13 milhão de cooperados.

Essas organizações registraram R$ 487,3 bilhões em ingressos e respondiam por 57,4% dos ingressos de todo o cooperativismo brasileiro.

O tamanho da estrutura ajuda a explicar por que tecnologias capazes de processar grandes volumes de informações passaram a despertar interesse em atividades que vão da logística ao crédito, do armazenamento ao acompanhamento da produção.

Falta de estrutura ainda limita adoção de inteligência artificial

Ainda assim, a pesquisa do Sistema OCB indica que a digitalização ocorre em velocidades diferentes.

Embora 77% das cooperativas tenham se declarado abertas à inovação, 37,2% ainda não possuem uma estrutura específica dedicada ao tema, enquanto 33,1% deixam essa responsabilidade nas mãos de profissionais que acumulam inovação com outras funções.

A falta de orçamento foi apontada por 51,1% das cooperativas que responderam à questão sobre obstáculos, e a resistência à mudança apareceu em 47,3%.

Nas organizações que possuem área de inovação e equipe dedicada, 69,6% executaram seis ou mais projetos nos dois anos anteriores ao levantamento.

Entre aquelas sem estrutura específica, esse percentual ficou em 4,1%.

Os dados ajudam a mostrar que o avanço da inteligência artificial não ocorre apenas pela disponibilidade dos sistemas.

A implementação depende da capacidade da cooperativa de organizar dados, estabelecer processos, capacitar profissionais e definir como as ferramentas serão utilizadas dentro das operações.

No caso da CooperRita, a aplicação já alcança tanto o funcionamento interno quanto o relacionamento com o público.

Na gestão, são 2,9 milhões de registros analisados diariamente para apoiar estoques e logística.

Na comunicação, a iUai leva a inteligência artificial generativa para uma plataforma ligada à produção regional de café, leite e derivados.

A combinação desses usos coloca o agronegócio entre os setores em que a IA passa a atuar não somente dentro da propriedade rural, mas também nas estruturas que conectam produtores a insumos, armazenamento, comercialização, crédito e consumidores.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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