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IBGE prepara visita a cerca de 5 milhões de estabelecimentos rurais em todo o Brasil, lança cadastro digital para o Censo Agropecuário de 2027 e vai investigar tecnologias, produção e uso da terra no campo

IBGE prepara visita a cerca de 5 milhões de estabelecimentos rurais em todo o Brasil, lança cadastro digital para o Censo Agropecuário de 2027 e vai investigar tecnologias, produção e uso da terra no campo

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IBGE prepara visita a cerca de 5 milhões de estabelecimentos rurais em todo o Brasil, lança cadastro digital para o Censo Agropecuário de 2027 e vai investigar tecnologias, produção e uso da terra no campo

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 27/10/2026 às 22:54

Atualizado em 27/10/2026 às 23:40

Agronegócio

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IBGE lança cadastro digital para preparar o Censo Agropecuário 2027, que deverá alcançar cerca de 5 milhões de estabelecimentos no Brasil.

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Nova ferramenta lançada em 27 de outubro permite que produtores atualizem informações pela internet utilizando uma conta gov.br. O levantamento nacional também investigará drones, agricultura de precisão, perdas climáticas e sucessão familiar, com resultados preliminares previstos para dezembro de 2027.

O Censo Agropecuário 2027 deverá alcançar aproximadamente 5 milhões de estabelecimentos em todo o Brasil, em uma operação que pretende atualizar o retrato da produção rural e identificar mudanças no uso da terra, na tecnologia agrícola e na organização das propriedades.

A preparação ganhou uma nova etapa em 27 de outubro de 2026, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou nacionalmente o Cadastro Prévio de Estabelecimentos Agropecuários durante um evento no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília.

Segundo o comunicado oficial do Ministério da Agricultura, o sistema permitirá que agricultores, pecuaristas e instituições parceiras atualizem informações dos estabelecimentos antes da coleta nacional.

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A iniciativa representa uma mudança operacional importante. Em vez de depender exclusivamente da identificação presencial das unidades produtivas, o IBGE poderá utilizar informações fornecidas antecipadamente para organizar o trabalho dos recenseadores.

O levantamento também pretende identificar como tecnologias mais recentes estão sendo incorporadas ao agronegócio brasileiro, incluindo drones, máquinas de agricultura de precisão e plataformas digitais.

A pesquisa não será limitada às grandes fazendas. Pequenas propriedades, estabelecimentos da agricultura familiar e unidades produtivas de comunidades tradicionais também fazem parte do universo investigado.

Produtores já podem atualizar informações pela internet, mas cadastro não substitui CAR ou CCIR

O Cadastro Prévio de Estabelecimentos Agropecuários foi desenvolvido para atualizar a base de informações utilizada pelo IBGE na preparação da coleta nacional.

O preenchimento está previsto para ocorrer entre outubro de 2026 e agosto de 2027, por meio da plataforma oficial do instituto, com acesso utilizando uma conta gov.br.

A ferramenta permite a participação de produtores rurais e de instituições vinculadas ao setor.

Cooperativas, associações, sindicatos rurais e escritórios de contabilidade poderão utilizar perfis institucionais para colaborar com a atualização dos registros dos estabelecimentos relacionados às suas atividades.

Essa participação deverá seguir os procedimentos definidos pelo IBGE.

Existe, entretanto, uma distinção fundamental: o cadastro tem finalidade estatística e não substitui os registros obrigatórios utilizados para outras finalidades legais e administrativas.

O próprio Ministério da Agricultura esclareceu que a ferramenta não substitui o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) ou outros documentos relacionados aos imóveis rurais.

O objetivo é melhorar a identificação das unidades produtivas que deverão integrar o levantamento.

Também é importante distinguir estabelecimento agropecuário de imóvel rural.

Um estabelecimento pode utilizar terras próprias, arrendadas ou exploradas por outras formas de ocupação. Dependendo de sua organização, pode abranger apenas parte de um imóvel ou áreas localizadas em imóveis diferentes.

Por isso, a contagem de estabelecimentos não representa necessariamente a quantidade de propriedades registradas em cartório.

IBGE investigará drones, máquinas de precisão e novas tecnologias usadas nas fazendas

Uma das novidades do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola será o aprofundamento da investigação sobre as tecnologias utilizadas no campo.

Segundo o portal oficial do Censo Agropecuário, o questionário incluirá informações sobre drones, máquinas de agricultura de precisão e plataformas digitais.

Esses dados poderão ajudar a identificar como a modernização tecnológica está distribuída entre estabelecimentos de diferentes tamanhos, atividades e regiões.

O uso de drones, por exemplo, pode estar relacionado ao monitoramento agrícola e ao levantamento de informações sobre lavouras.

Máquinas de agricultura de precisão permitem executar determinadas operações com maior controle sobre parâmetros de aplicação e manejo.

Plataformas digitais também passaram a integrar atividades de gestão, planejamento e comercialização da produção.

A presença dessas tecnologias, entretanto, não é uniforme no território nacional.

O levantamento deverá produzir informações que permitam avaliar sua distribuição, sem pressupor que todos os produtores tenham acesso aos mesmos equipamentos.

Essa é uma das diferenças mais relevantes em relação a levantamentos anteriores.

O Censo não pretende apenas atualizar o número de estabelecimentos ou a dimensão das áreas cultivadas. Também buscará registrar transformações nos meios utilizados para produzir.

Para fabricantes de máquinas agrícolas, desenvolvedores de soluções digitais e empresas que atuam no agronegócio, os resultados poderão oferecer uma visão mais detalhada das características do mercado brasileiro.

Sucessão familiar e prejuízos climáticos entram no novo retrato da produção rural

O IBGE também incluiu novos temas relacionados à continuidade da atividade agropecuária e aos impactos ambientais sobre a produção.

Entre eles estão a sucessão do produtor, as perdas e as condições ambientais que afetam as unidades produtivas.

A sucessão familiar é particularmente importante em propriedades nas quais a atividade agrícola depende da continuidade do trabalho entre gerações.

O levantamento poderá contribuir para compreender características dessa transição e sua relação com a organização dos estabelecimentos.

Outra dimensão será a identificação de perdas relacionadas a eventos climáticos.

Secas, excesso de chuvas e outras condições meteorológicas podem afetar diferentes culturas e atividades pecuárias, com consequências sobre a produção e os resultados econômicos.

A pesquisa também investigará práticas agrícolas, armazenamento, utilização de mão de obra, investimentos, financiamentos e atividades agroindustriais realizadas nos estabelecimentos.

Essas informações são relevantes porque a produtividade rural depende de fatores que vão além da área cultivada.

Uma propriedade pode possuir máquinas modernas e enfrentar dificuldades de armazenamento. Outra pode apresentar capacidade produtiva, mas ter limitações de acesso a financiamento ou mão de obra.

Ao reunir essas características, o IBGE poderá produzir análises mais detalhadas sobre as diferenças existentes no agronegócio brasileiro.

Censo Experimental começa em novembro em São Paulo, Mato Grosso e Maranhão

Antes da operação nacional de 2027, o IBGE realizará uma etapa experimental para testar os procedimentos de coleta.

O Censo Experimental está programado para ocorrer de 3 de novembro a 4 de dezembro de 2026.

De acordo com o Ministério da Agricultura, os testes serão realizados em localidades de três estados brasileiros.

Em São Paulo, a operação contemplará Rio Claro. Em Mato Grosso, será realizada em Barra do Bugres, incluindo as Terras Indígenas Umutina e Figueiras.

No Maranhão, os trabalhos envolverão Cururupu e Mirinzal, com atividades na Reserva Extrativista Cururupu e no Território Quilombola Santa Tereza.

A escolha de localidades com características distintas permitirá testar os instrumentos de pesquisa em diferentes contextos territoriais e produtivos.

O trabalho abrangerá sistemas tecnológicos, treinamento das equipes, logística, metodologias de entrevista e procedimentos de supervisão.

O IBGE também realizará testes de ambientação em 24 unidades da Federação.

Essas atividades servirão para identificar dificuldades operacionais e realizar ajustes antes da coleta nacional.

Não se trata, portanto, da divulgação antecipada de resultados sobre a produção agropecuária brasileira.

O objetivo da etapa experimental é avaliar como a operação funcionará em condições reais.

Operação nacional poderá mobilizar aproximadamente 35 mil trabalhadores temporários

O Censo Agropecuário 2027 está entre as maiores operações estatísticas planejadas pelo IBGE.

Segundo o Ministério da Agricultura, o levantamento deverá alcançar aproximadamente 5 milhões de estabelecimentos distribuídos pelos municípios brasileiros.

A preparação também prevê a mobilização de cerca de 35 mil trabalhadores temporários.

Esses profissionais desempenharão atividades relacionadas à coleta, supervisão, organização e processamento das informações.

O tamanho da operação está diretamente relacionado à diversidade territorial do Brasil.

As equipes precisarão atuar em regiões com diferentes condições de transporte, infraestrutura, disponibilidade de comunicação e características produtivas.

O planejamento prevê a utilização de tablets pelos recenseadores, com recursos de visualização de imagens de sensoriamento remoto.

A tecnologia ajudará na identificação de áreas, edificações e estruturas relevantes para o trabalho de campo.

O levantamento também oferecerá a possibilidade de preenchimento do questionário pela internet, com procedimentos de validação das informações.

A combinação de ferramentas digitais e visitas presenciais procura ampliar a cobertura da pesquisa e facilitar o acesso aos estabelecimentos.

Por que o Censo de 2027 será importante para o agronegócio brasileiro?

O último Censo Agropecuário nacional foi realizado em 2017.

Desde então, o campo brasileiro passou por mudanças relacionadas à expansão de atividades produtivas, adoção de equipamentos, uso de tecnologias digitais e reorganização de cadeias agrícolas e pecuárias.

O novo levantamento permitirá comparar indicadores com os resultados anteriores, respeitando as diferenças metodológicas existentes entre as edições.

Os dados também poderão subsidiar políticas públicas destinadas à agricultura familiar, ao desenvolvimento rural, à pesquisa agropecuária e ao planejamento setorial.

Durante a apresentação realizada em Brasília, a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, destacou a importância das informações estatísticas para a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação.

A disponibilidade de dados atualizados permite que instituições científicas avaliem hipóteses e identifiquem características produtivas que precisam ser estudadas.

O levantamento também será relevante para compreender desigualdades tecnológicas entre diferentes tipos de estabelecimentos.

Uma coisa é conhecer o tamanho da produção brasileira de determinada cultura. Outra é identificar quantos estabelecimentos utilizam tecnologia, quais sistemas de armazenamento possuem e como organizam sua mão de obra.

O Censo permitirá examinar essas dimensões em conjunto.

Resultados preliminares estão previstos para dezembro de 2027

O cronograma apresentado no portal oficial do IBGE estabelece diferentes etapas para o levantamento.

A atualização cadastral já integra a preparação iniciada em 2026.

O preenchimento do questionário pela internet está previsto para ocorrer de março a setembro de 2027.

A coleta presencial em campo deverá acontecer entre junho e outubro do mesmo ano.

Os resultados preliminares estão programados para dezembro de 2027, enquanto a divulgação definitiva está prevista para dezembro de 2028.

Esses prazos representam o planejamento divulgado pelo instituto e poderão sofrer ajustes operacionais.

O lançamento do cadastro digital, realizado em 27 de outubro, marca uma etapa concreta dessa preparação.

Para os produtores, o próximo movimento será a atualização das informações cadastrais e, posteriormente, a participação no levantamento estatístico.

Para o agronegócio brasileiro, a importância do Censo está na possibilidade de conhecer com mais precisão como a produção rural evoluiu desde 2017.

O levantamento deverá mostrar não apenas o que o Brasil produz, mas também como os estabelecimentos estão organizados, quais tecnologias utilizam e quais desafios enfrentam para manter suas atividades.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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