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Índia inicia no porto de Kandla fábrica de e-metanol de US$ 240 milhões, capaz de produzir 150 toneladas por dia para abastecer navios entre Ásia e Europa

Índia inicia no porto de Kandla fábrica de e-metanol de US$ 240 milhões, capaz de produzir 150 toneladas por dia para abastecer navios entre Ásia e Europa

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Índia inicia no porto de Kandla fábrica de e-metanol de US$ 240 milhões, capaz de produzir 150 toneladas por dia para abastecer navios entre Ásia e Europa

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 07/10/2026 às 21:54

Atualizado em 07/10/2026 às 22:00

Logística e Transporte

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Índia inicia no porto de Kandla fábrica de e-metanol de US$ 240 milhões, capaz de produzir 150 toneladas por dia para abastecer navios entre Ásia e Europa a partir de 2027

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A Índia lançou no porto de Kandla sua primeira fábrica portuária de e-metanol. O projeto de US$ 240 milhões prevê produzir 150 toneladas diárias de combustível para navios que operam entre a Ásia e a Europa.

A Índia iniciou a construção de sua primeira fábrica de e-metanol integrada a um porto. Instalada em Kandla, no estado de Gujarat, a unidade foi projetada para produzir combustível marítimo de menor emissão dentro da própria infraestrutura utilizada pelos navios.

O empreendimento prevê investimento de 23 bilhões de rúpias, valor equivalente a aproximadamente US$ 240 milhões. Quando estiver totalmente concluída, a fábrica terá capacidade para produzir 150 toneladas de e-metanol por dia.

A pedra fundamental foi lançada em 26 de setembro de 2026 no Deendayal Port, nome oficial do porto de Kandla. O local fica próximo às principais rotas marítimas que conectam os mercados asiáticos aos grandes portos europeus.

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O objetivo é transformar Kandla em um ponto de produção, armazenamento e abastecimento para navios movidos a metanol que percorrem o corredor comercial entre Ásia e Europa.

Projeto será construído em duas etapas

A fábrica será instalada em módulos para permitir que a produção comece antes da conclusão de todo o complexo.

A primeira fase receberá investimento de 12 bilhões de rúpias e terá capacidade de produzir 50 toneladas de e-metanol por dia. A previsão oficial é concluir essa etapa até janeiro de 2027.

A segunda fase acrescentará outras 100 toneladas diárias. Estimada em 11 bilhões de rúpias, ela deverá ficar pronta em março de 2027.

Com as duas etapas em operação, a capacidade total chegará a 150 toneladas por dia. Em funcionamento contínuo durante todo o ano, esse volume corresponderia a aproximadamente 54,7 mil toneladas de e-metanol.

Os prazos são ambiciosos para um projeto industrial dessa dimensão. Eles dependem da instalação de equipamentos para produção de hidrogênio, captura e fornecimento de dióxido de carbono, tratamento de água, síntese do metanol, armazenamento e transferência do combustível para navios.

Porto terá participação de 76% no empreendimento

O projeto é uma iniciativa conjunta da Deendayal Port Authority e da Assam Petro-Chemicals Limited, empresa petroquímica controlada pelo governo estadual de Assam.

A autoridade portuária terá participação de 76% no capital, enquanto a Assam Petro-Chemicals ficará com os 24% restantes.

O Deendayal Port disponibilizará 75 acres, equivalentes a cerca de 30 hectares, para a instalação da fábrica. O porto também ficará responsável por fornecer água dessalinizada, energia renovável e a infraestrutura necessária para armazenamento e movimentação do combustível.

A Assam Petro-Chemicals contribuirá com sua experiência industrial na produção de metanol. A empresa já opera uma planta comercial no nordeste da Índia e será responsável pela implantação da unidade dentro da área portuária.

Segundo o governo indiano, o projeto poderá criar aproximadamente 3.500 empregos diretos e indiretos durante sua implantação e operação.

Autoridades participam da cerimônia de lançamento da primeira fábrica portuária de e-metanol da Índia, no Deendayal Port, em Kandla.Governo da Índia / Press Information Bureau.

Como o e-metanol será produzido

O e-metanol, também chamado de eletrometanol, é produzido pela combinação de hidrogênio com dióxido de carbono.

Nesse projeto, o hidrogênio deverá ser obtido por eletrólise da água. O processo utiliza eletricidade para separar as moléculas de água em hidrogênio e oxigênio.

Para que o combustível seja considerado de menor emissão, a eletricidade utilizada precisa vir de fontes renováveis. A fábrica também pretende usar dióxido de carbono de origem biogênica, capturado em processos relacionados à biomassa.

O hidrogênio verde e o CO₂ capturado são combinados em uma unidade de síntese para formar metanol. O resultado é um combustível líquido que pode ser armazenado em tanques e transferido para embarcações utilizando parte da infraestrutura já conhecida pela indústria portuária.

O processo não elimina completamente as emissões. O motor do navio ainda libera dióxido de carbono durante a combustão do metanol. A diferença está na origem dos componentes e na possibilidade de reaproveitar carbono que já havia sido capturado, reduzindo as emissões durante o ciclo completo do combustível.

Combustível será destinado a navios internacionais

A produção de Kandla será direcionada principalmente aos navios que circulam entre a Ásia e a Europa. A rota inclui alguns dos maiores centros industriais e portuários do mundo, entre eles Singapura e Roterdã.

Empresas de navegação estão incorporando porta-contêineres e outros navios capazes de utilizar metanol. Essa transformação criou uma demanda por pontos confiáveis de abastecimento ao longo das rotas internacionais.

Produzir o combustível dentro do porto reduz a necessidade de transportá-lo por grandes distâncias até o cais. A estrutura integrada também facilita o armazenamento e a transferência direta para os tanques dos navios.

Em abril de 2026, Kandla realizou uma demonstração de abastecimento de metanol entre terra e embarcação. A operação serviu como preparação para a cadeia logística que será necessária quando a produção comercial começar.

O porto também recebeu uma unidade de hidrogênio verde de 1 megawatt, concebida como etapa inicial de um projeto que poderá chegar a 10 megawatts.

Índia promete preço inferior ao mercado internacional

O governo indiano afirma que a futura fábrica poderá produzir e-metanol por aproximadamente US$ 750 por tonelada.

A estimativa apresentada pelas autoridades é significativamente inferior ao valor global de referência citado no anúncio, de cerca de US$ 1.300 por tonelada.

Essa diferença é fundamental para a viabilidade do projeto. Combustíveis marítimos de menor emissão ainda costumam ser mais caros do que o óleo combustível convencional utilizado pela maior parte da frota mundial.

Energia renovável disponível, produção local de hidrogênio, área portuária e infraestrutura compartilhada podem ajudar a reduzir os custos em Kandla. Entretanto, o preço de US$ 750 é uma projeção para uma instalação ainda em construção e deverá ser comprovado durante a operação comercial.

Metanol facilita armazenamento, mas exige adaptações nos navios

Uma das vantagens do metanol é permanecer líquido em temperatura ambiente. Isso torna o armazenamento e o transporte menos complexos do que alternativas como o hidrogênio liquefeito.

O combustível pode aproveitar parte da experiência já existente com produtos líquidos nos terminais. Ainda assim, tanques, tubulações e sistemas de segurança precisam ser preparados para suas características.

Navios também precisam de motores apropriados ou sistemas de combustível duplo. O metanol possui menor densidade energética do que os combustíveis marítimos tradicionais, o que significa que uma embarcação precisa armazenar maior volume para percorrer uma distância equivalente.

Apesar dessas limitações, grandes armadores passaram a encomendar navios preparados para metanol. O crescimento dessa frota tornou o abastecimento uma das peças decisivas para a expansão do combustível.

Kandla pretende disputar mercado global de combustíveis verdes

A fábrica marca uma mudança na estratégia da Índia. Além de importar energia e movimentar mercadorias, o país pretende produzir e exportar combustíveis marítimos de menor emissão.

Kandla ocupa uma posição estratégica na costa oeste indiana e possui acesso direto às rotas que seguem para o Oriente Médio, Mediterrâneo e norte da Europa.

O projeto reúne produção industrial, energia renovável, armazenamento e abastecimento no mesmo complexo. Se os prazos forem cumpridos, o porto poderá começar 2027 com 50 toneladas diárias de capacidade e chegar às 150 toneladas por dia até março.

Mais do que uma fábrica isolada, o complexo funcionará como um teste para saber se a Índia consegue transformar seus portos em centros internacionais de abastecimento para a nova geração de navios movidos a metanol.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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