Indústria de Mato Grosso do Sul bate recorde com US$ 5,39 bilhões em exportações, mas criação de empregos despenca 54,8% mesmo com produção estável
Escrito por Carla Teles
Publicado em 03/10/2026 às 19:50
Atualizado em 03/10/2026 às 19:55
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Celulose e frigoríficos concentram 75% das receitas industriais exportadas, enquanto empresas mantêm atividade, projetam demanda maior e convivem com mais de 25 mil vagas que não conseguem preencher.
A indústria de Mato Grosso do Sul alcançou US$ 5,39 bilhões em exportações entre janeiro e agosto de 2026, o maior valor já registrado pelo Estado para os primeiros oito meses de um ano. O desempenho externo avançou 5% sobre o mesmo período de 2025, mas a geração líquida de empregos seguiu na direção oposta: caiu de 5.609 para 2.536 vagas, uma redução de 54,8%.
Os dados foram reunidos pelo Correio do Estado a partir do Novo Caged e da Sondagem Industrial do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul. O cenário não indica retração generalizada: 78% das empresas pesquisadas mantiveram ou aumentaram a produção entre julho e agosto, enquanto parte relevante do setor espera crescimento da demanda nos próximos meses.
Exportações industriais atingem US$ 5,39 bilhões e estabelecem recorde
As exportações de produtos industrializados somaram US$ 5,390 bilhões entre janeiro e agosto, acima dos aproximadamente US$ 5,1 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
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Somente em agosto, as vendas externas industriais atingiram US$ 704,4 milhões, alta de 3% na comparação anual e também o maior resultado já registrado para esse mês.
A indústria respondeu por 72% de tudo o que Mato Grosso do Sul exportou em agosto. Considerando o acumulado do ano até aquele mês, a participação foi de 66%.
O avanço ocorre enquanto a maior parte das empresas mantém ou amplia sua atividade. Na sondagem da Fiems, 53% dos estabelecimentos mantiveram o nível de produção entre julho e agosto e outros 25% registraram crescimento.
Celulose e frigoríficos concentram 75% da receita industrial
Dois segmentos respondem pela maior parte do dinheiro obtido com as exportações industriais do Estado.
Celulose e papel lideram com US$ 2,15 bilhões, equivalentes a 40% das receitas industriais externas. Logo depois aparece o complexo frigorífico, responsável por US$ 1,89 bilhão, ou 35% do total.
Somados, os dois setores concentram 75% de toda a receita industrial exportada por Mato Grosso do Sul no período.
Outras atividades aparecem com participação menor. Óleos vegetais e produtos derivados da extração movimentaram US$ 580,5 milhões, enquanto açúcar e álcool chegaram a US$ 272,4 milhões.
O segmento extrativo mineral respondeu por US$ 159,5 milhões, e siderurgia, metalurgia e metalmecânica alcançaram US$ 125,3 milhões.
China compra US$ 1,83 bilhão e lidera mercados externos
A China permanece como o principal destino dos produtos industrializados de Mato Grosso do Sul. Entre janeiro e agosto, o mercado chinês comprou US$ 1,83 bilhão em mercadorias produzidas pelo setor industrial do Estado.
Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com US$ 499,6 milhões. Os Países Baixos vieram na sequência, com US$ 333,4 milhões.
O desempenho externo ocorre paralelamente a uma produção considerada relativamente estável pela pesquisa da Fiems. Em agosto, as empresas consultadas utilizaram em média 71% da capacidade instalada.
Além disso, 68% dos empresários disseram estar operando em nível igual ou superior ao que consideram habitual para o período.
A sondagem ouviu 60 empresas de pequeno, médio e grande porte de setores como alimentos, biocombustíveis, metalurgia, produtos químicos, máquinas e equipamentos, indústria farmacêutica, madeira e mineração.
Criação de empregos cai 54,8% mesmo com saldo positivo
O principal contraste aparece no mercado de trabalho. A indústria registrou 47.666 admissões e 45.130 desligamentos até agosto, resultando em saldo positivo de 2.536 empregos formais.
Embora ainda haja mais admissões do que demissões, o ritmo caiu fortemente em relação a 2025. No mesmo intervalo do ano passado, o saldo havia sido de 5.609 vagas.
Isso significa que a indústria criou 3.073 empregos líquidos a menos do que no período equivalente do ano anterior.
Os números mostram uma desaceleração na expansão do emprego, e não uma onda generalizada de cortes. A sondagem revela que 91% das empresas pretendem manter ou aumentar seus quadros nos seis meses seguintes.
Desse total, 72% esperam preservar o número atual de funcionários, 19% projetam novas contratações e apenas 9% preveem redução.
Mais de 25 mil vagas estariam abertas sem trabalhadores suficientes
A desaceleração na criação líquida de empregos ocorre ao mesmo tempo em que a indústria relata dificuldade para contratar mão de obra.
O presidente da Fiems, Sérgio Longen, afirmou anteriormente que existem mais de 25 mil vagas abertas na indústria de Mato Grosso do Sul que não conseguem ser preenchidas.
Segundo ele, o déficit está associado à expansão das fábricas e ao aumento da necessidade de trabalhadores.
Esse quadro ajuda a explicar por que um saldo menor de empregos não significa necessariamente ausência de demanda por profissionais. A dificuldade de preenchimento das vagas convive com empresas que continuam operando e projetando atividade nos meses seguintes.
Nesse cenário, o saldo de contratações continua positivo, embora em ritmo menor, enquanto a falta de mão de obra qualificada permanece como um dos obstáculos relatados pelo setor.
41% das empresas esperam aumento da demanda
As expectativas industriais não apontam para uma retração ampla. Entre as empresas pesquisadas, 41% esperam crescimento da demanda por seus produtos nos próximos seis meses.
Outros 52% projetam estabilidade e apenas 7% esperam redução. A intenção de compra de matérias-primas segue direção semelhante: 38% pretendem aumentar as aquisições e metade planeja manter os volumes atuais.
Os investimentos também permanecem no radar. O índice de intenção de investimento ficou em 54,9 pontos em setembro, mesmo depois de uma queda mensal.
Além disso, 48% das empresas afirmaram que pretendem investir no próximo semestre, seja para ampliar capacidade produtiva, modernizar processos ou aumentar a competitividade.
Os indicadores deixam um quadro dividido: Mato Grosso do Sul registra exportações industriais recordes e expectativas predominantemente estáveis ou positivas, mas cria empregos em ritmo bem menor que em 2025.
Até agosto, o saldo formal continuava positivo em 2.536 vagas, enquanto o setor acumulava US$ 5,39 bilhões em exportações e mantinha a perspectiva de novos investimentos e de aumento da demanda em parte das empresas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

