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Inflação acelera em 6 das 7 capitais e Recife chega a 0,88%, mas o maior vilão não está nas prateleiras: passagens aéreas disparam 10,85% e ajudam a explicar por que os preços sobem de forma tão desigual no Brasil

Inflação acelera em 6 das 7 capitais e Recife chega a 0,88%, mas o maior vilão não está nas prateleiras: passagens aéreas disparam 10,85% e ajudam a explicar por que os preços sobem de forma tão desigual no Brasil

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Inflação acelera em 6 das 7 capitais e Recife chega a 0,88%, mas o maior vilão não está nas prateleiras: passagens aéreas disparam 10,85% e ajudam a explicar por que os preços sobem de forma tão desigual no Brasil

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 20/10/2026 às 00:15

Atualizado em 20/10/2026 às 00:30

Economia

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Levantamento da FGV mostra inflação de 0,88% em Recife e 0,34% em Porto Alegre, evidenciando ritmos distintos de aumento dos preços.

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Levantamento da Fundação Getulio Vargas revela que Recife lidera a alta de preços, enquanto Porto Alegre registra a menor inflação, de 0,34%; transportes pressionam o índice nacional, alimentação perde ritmo e apenas Salvador consegue desacelerar na comparação semanal.

A inflação brasileira voltou a ganhar força em outubro de 2026, mas um detalhe chama atenção: a pressão não veio apenas dos alimentos, das contas domésticas ou dos produtos encontrados nas prateleiras dos supermercados. Em Recife, capital com a maior taxa entre as sete pesquisadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), as passagens aéreas registraram alta de 10,85% e ajudaram a levar a inflação local a 0,88%.

O resultado faz parte do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), referente à segunda quadrissemana de outubro, divulgado regionalmente nesta segunda-feira, 19 de outubro de 2026.

Segundo a FGV/IBRE, seis das sete capitais monitoradas registraram aceleração na taxa de inflação. Apenas Salvador apresentou desaceleração.

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No conjunto das regiões pesquisadas, o IPC-S subiu de 0,39% para 0,46%. Em 12 meses, o indicador acumula avanço de 4,29%.

O contraste entre as cidades ajuda a compreender por que a inflação não é percebida da mesma maneira pelos brasileiros.

Enquanto Recife registrou alta de 0,88%, Porto Alegre apresentou 0,34%, a menor taxa entre as capitais analisadas.

A diferença mostra que o comportamento dos preços depende não apenas do cenário econômico nacional, mas também da composição do consumo e das variações de produtos e serviços em cada localidade.

Recife lidera a inflação, e passagem aérea dispara 10,85%

Recife apresentou a maior inflação entre as capitais pesquisadas pela FGV, com taxa de 0,88% na segunda quadrissemana de outubro.

Na apuração anterior, a capital pernambucana já ocupava a primeira posição, com 0,73%.

O avanço de 0,15 ponto percentual ocorreu em um período no qual os preços das passagens aéreas tiveram papel de destaque.

Segundo a FGV, o subitem passagem aérea apresentou variação positiva de 10,85%, sendo o principal destaque indicado pela instituição para explicar a inflação mais elevada em Recife.

Uma semana antes, esse mesmo subitem havia registrado alta de 9,52%.

Isso significa que a taxa medida para passagens aéreas acelerou 1,33 ponto percentual entre as duas apurações.

Existe, porém, uma diferença fundamental entre dizer que a passagem aérea ficou 10,85% mais cara e afirmar que todos os consumidores recifenses passaram a gastar 10,85% a mais.

O percentual corresponde à variação do subitem na pesquisa da FGV. Ele não representa aumento generalizado de todos os serviços de transporte, nem uma elevação uniforme de todas as tarifas oferecidas pelas companhias aéreas.

Também não é possível atribuir toda a inflação de 0,88% da capital exclusivamente às passagens. Outros preços integram o cálculo.

O dado demonstra como mudanças expressivas em determinados serviços podem exercer pressão importante sobre os indicadores regionais.

De Recife a Porto Alegre: veja a inflação registrada nas sete capitais

O levantamento da FGV permite comparar as taxas registradas em sete capitais brasileiras.

Na segunda quadrissemana de outubro, Recife liderou a inflação, seguida pelo Rio de Janeiro.

Porto Alegre apresentou a menor taxa, enquanto Salvador foi a única cidade que registrou desaceleração em relação à apuração anterior.

CapitalApuração anteriorApuração atualRecife0,73%0,88%Rio de Janeiro0,69%0,75%Belo Horizonte0,40%0,42%São Paulo0,32%0,42%Salvador0,44%0,38%Brasília0,28%0,37%Porto Alegre0,24%0,34%IPC-S geral0,39%0,46%

Fonte: FGV/IBRE — IPC-S Capitais, 19/10/2026. Os valores são taxas de inflação de cada período, não aumentos acumulados entre as duas colunas.

A diferença entre Recife e Porto Alegre foi de 0,54 ponto percentual.

A comparação é relevante porque mostra que a inflação medida em Recife foi mais de duas vezes superior à registrada na capital gaúcha nessa apuração.

Isso não significa que Recife seja necessariamente uma cidade mais cara para morar.

O IPC-S mede a variação dos preços de uma cesta de bens e serviços, não o custo absoluto de vida em cada município.

Uma cidade pode apresentar inflação menor e ainda ter preços médios mais elevados em determinadas categorias.

Porto Alegre tem menor inflação, mesmo com tomate subindo quase 35%

Um dos resultados mais curiosos do levantamento aparece justamente na cidade com a menor taxa.

Porto Alegre registrou inflação de 0,34%, apesar de a FGV destacar uma variação de 34,96% nos preços do tomate.

Na apuração anterior, o subitem havia registrado alta de 42,32%.

A inflação da capital gaúcha, portanto, avançou de 0,24% para 0,34%, mas permaneceu como a menor entre as sete cidades pesquisadas.

O comportamento do tomate ajuda a explicar uma característica importante dos índices de preços.

Mesmo quando um produto apresenta aumento elevado, sua influência sobre o índice geral depende de quanto esse produto representa no orçamento das famílias e do comportamento dos demais itens.

Além disso, uma variação positiva pode continuar elevada mesmo depois de desacelerar.

Foi o caso do tomate em Porto Alegre: o preço ainda apresentava forte alta na janela pesquisada, mas sua taxa de variação havia perdido intensidade.

Isso mostra por que observar apenas um produto pode produzir uma percepção incompleta da inflação.

Transportes aceleram, enquanto alimentação perde um pouco de força

A abertura nacional do IPC-S revela que o grupo Transportes exerceu a maior contribuição para a aceleração do indicador na segunda quadrissemana de outubro.

Segundo a FGV/IBRE, em divulgação de 16 de outubro, a inflação desse grupo passou de 0,05% para 0,33%.

Outros dois grupos também aceleraram: Educação, Leitura e Recreação, de 0,27% para 0,68%, e Vestuário, de 0,16% para 0,34%.

Já a alimentação apresentou redução de ritmo, embora tenha continuado com inflação positiva.

Grupos de despesa que mais mudaram de ritmo

GrupoAnteriorAtualTransportes0,05%0,33%Educação, Leitura e Recreação0,27%0,68%Vestuário0,16%0,34%Alimentação1,27%1,22%Habitação0,21%0,17%

Fonte: FGV/IBRE. Taxas dos grupos de despesa do IPC-S.

O resultado da alimentação passou de 1,27% para 1,22%, enquanto Habitação desacelerou de 0,21% para 0,17%.

Saúde e Cuidados Pessoais, Comunicação e Despesas Diversas também apresentaram redução em suas taxas de variação.

A leitura mais importante está nessa combinação.

A inflação geral acelerou mesmo com a alimentação perdendo ritmo, porque a pressão em outros grupos, especialmente Transportes, foi suficiente para elevar o índice agregado.

Esse movimento explica por que uma melhora relativa nos preços de determinados produtos não necessariamente se traduz em desaceleração da inflação total.

Salvador foi a única capital onde a inflação perdeu força

Enquanto seis cidades registraram aceleração, Salvador apresentou comportamento diferente.

A inflação na capital baiana passou de 0,44% para 0,38%.

A redução de 0,06 ponto percentual fez de Salvador a única capital com desaceleração no levantamento.

Isso não significa que os preços tenham caído em termos gerais.

Uma inflação de 0,38% continua representando aumento médio dos preços considerados na pesquisa.

A desaceleração indica apenas que esse crescimento foi menos intenso do que na apuração anterior.

O relatório regional divulgado pela FGV confirma a mudança, mas não apresenta, em seu resumo público, um único produto responsável por explicar isoladamente o resultado de Salvador.

Por isso, não é possível atribuir a melhora a alimentos, combustíveis ou outro item específico sem informações complementares.

Por que a inflação de 0,46% não significa que todos os produtos subiram esse percentual?

O IPC-S é calculado pela Fundação Getulio Vargas a partir de preços coletados nas regiões pesquisadas.

Apesar do nome semanal, o índice utiliza janelas móveis de aproximadamente 30 dias, atualizadas periodicamente.

Na segunda quadrissemana de outubro de 2026, a FGV comparou os preços coletados de 16 de setembro a 15 de outubro com aqueles registrados entre 16 de agosto e 15 de setembro.

O resultado nacional foi de 0,46%, enquanto a variação acumulada em 12 meses chegou a 4,29%.

A taxa geral sintetiza movimentos muito diferentes.

Alguns produtos podem subir muito mais do que a média. Outros podem apresentar estabilidade, desaceleração ou queda.

As diferenças também aparecem entre os municípios, porque as variações locais de preços e a participação dos itens no consumo influenciam os resultados.

É por isso que as passagens aéreas podem representar uma pressão importante em Recife, enquanto o tomate apresenta comportamento expressivo em Porto Alegre.

O IPC-S também não deve ser confundido com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE e utilizado como referência oficial do sistema de metas de inflação do Brasil.

São indicadores diferentes, com metodologias, abrangências e calendários próprios.

O que esperar dos próximos resultados da inflação?

A próxima divulgação regional do IPC-S está prevista para 26 de outubro de 2026, segundo o calendário da FGV.

Será uma oportunidade para verificar se a aceleração observada em seis capitais continuará ou se o comportamento dos preços mudará nas novas janelas de coleta.

Em Recife, a trajetória das passagens aéreas será especialmente relevante para compreender a continuidade da pressão sobre o indicador local.

No conjunto nacional, o comportamento de Transportes, Alimentação e Educação, Leitura e Recreação ajudará a indicar se a aceleração de outubro permanecerá concentrada em determinados grupos ou se ficará mais disseminada.

O levantamento divulgado em 19 de outubro mostra que a inflação voltou a acelerar, mas também revela uma questão que frequentemente passa despercebida: não existe uma única experiência de inflação para todos os consumidores brasileiros.

Entre Recife e Porto Alegre, os preços subiram em ritmos bastante diferentes. E, em alguns casos, os produtos responsáveis pelas maiores pressões estão longe das tradicionais compras de supermercado.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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