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Investidores que querem ligar data centers à rede da CPFL tiveram 8 GW de pedidos negados em 12 meses, oito vezes a demanda dos centros que já operam no Brasil, porque falta linha de transmissão

Investidores que querem ligar data centers à rede da CPFL tiveram 8 GW de pedidos negados em 12 meses, oito vezes a demanda dos centros que já operam no Brasil, porque falta linha de transmissão

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Investidores que querem ligar data centers à rede da CPFL tiveram 8 GW de pedidos negados em 12 meses, oito vezes a demanda dos centros que já operam no Brasil, porque falta linha de transmissão

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 28/10/2026 às 04:20

Atualizado em 28/10/2026 às 04:40

Economia

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A CPFL Energia recusou, nos últimos 12 meses, pedidos de conexão de data centers que somam cerca de 8 gigawatts, oito vezes a demanda dos centros de dados em operação hoje no Brasil, e o presidente da empresa diz que o problema é a falta de linhas de transmissão.

O número foi dado por Gustavo Estrella, presidente da CPFL, num painel da 17ª edição do Brazil Windpower, em São Paulo, nesta terça-feira (27), segundo reportagem da CNN Brasil.

“Eu neguei cerca de 8 GW de capacidade de conexão de data centers por dificuldade de conexão”, afirmou o executivo. Ele mesmo reconheceu que parte desses pedidos tem caráter especulativo.

Os 8 GW equivalem a oito vezes o que o país levou 16 anos para montar

Segundo Estrella, o Brasil precisou de cerca de 16 anos para chegar a 1 GW de demanda de data centers. Os pedidos recusados pela distribuidora somam oito vezes esse volume, acumulado em apenas um ano de solicitações.

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Ao jornal Valor Econômico, ele situou as recusas nos últimos 12 meses e repetiu que existe um desafio real: separar a demanda que vai sair do papel daquela que é só reserva de lugar.

Mesmo com o desconto da especulação, o tamanho dos pedidos mostra a pressão sobre a rede. Um pedido de 200 MW já não é raro, disse Estrella.

A área da CPFL concentra cerca de 70% do consumo desses centros no país

A CPFL atende boa parte do interior de São Paulo, onde ficam polos como Campinas. Segundo Estrella, as áreas de concessão do grupo concentram cerca de 70% do consumo de eletricidade dos data centers brasileiros.

Ao Valor, ele falou numa faixa entre 60% e 70%. Em qualquer dos dois números, a empresa é a porta de entrada de quase toda a indústria de dados que já opera no país.

Por isso, a recusa de pedidos pela CPFL não é um problema local. Quando a rede dela trava, o investidor perde a região onde já estão os clientes, as fibras ópticas e os outros centros de dados.

Transformador de potência como os exigidos para ligar grandes cargas à rede (Foto: Siemens Energy, reprodução/CNN Brasil)

Campinas sozinha teria 350 MW pedidos, e dois projetos já passam disso

Para dar a dimensão das novas cargas, o executivo citou uma demanda de aproximadamente 350 megawatts para Campinas. É a referência que ele usou para mostrar quanto a cidade teria de receber de uma vez.

Dois empreendimentos de 200 MW cada, porte que segundo ele já não é raro nesse mercado, somariam 400 MW. Só esse par já passaria da referência apresentada para toda a cidade.

Na prática, cada novo pedido dessa escala exige subestação, linha nova e reforço de transformação. Nada disso fica pronto no tempo que o investidor de data center costuma aceitar esperar.

Uma obra de transmissão leva em média sete anos para ficar pronta

Estrella disse que o principal gargalo não está nos fios das ruas, mas na transmissão, que leva grandes blocos de energia até os centros de consumo. A distribuição também tem limites, mas pesa menos.

Segundo ele, o prazo médio entre identificar a necessidade de expandir a rede e ver a obra funcionando é de sete anos. A indústria de data centers, avaliou, não vai esperar todo esse tempo.

Para quem quer abrir um data center em 2027, sete anos é tempo demais.

O descompasso é o centro do problema. A energia existe, muitas vezes sobrando no Nordeste, mas falta o caminho para levá-la até o lugar onde o investidor quer construir.

O segundo obstáculo citado é o imposto, que depende do Redata

O executivo apontou a carga tributária como o outro freio. Ao Valor, disse que esse ponto deve ser tratado com a regulamentação do Redata, o regime especial de tributação para serviços de data center.

Ele também defendeu algum regime especial para que essa indústria não deixe o país por causa do gargalo de rede. O receio é perder projetos para outros mercados que conseguem ligar a carga mais depressa.

A disputa por incentivo já mobiliza o setor. Em outubro, 32 entidades pediram incentivos para data centers e colocaram o gás natural no centro do debate sobre como abastecer essas cargas.

O consumo dos centros deve crescer 40% neste ano e 100% em 2027

Mesmo com as recusas, a expectativa é de alta. Segundo Estrella, o consumo de data centers deve crescer 40% em 2026 e 100% em 2027, ainda que numa velocidade menor do que a desejada.

É esse o recado do título da entrevista ao Valor: a demanda está vindo, mas mais devagar que o projetado. O freio, para ele, está na rede e no imposto, não na falta de interessados.

O plano decenal do governo já incorporou essa curva. O PDE 2036 põe os data centers em 30 TWh e prevê 31,9 mil quilômetros de linhas novas.

A CPFL quer que o dono do data center ajude a pagar a obra

Além de cobrar velocidade, o executivo defendeu que os interessados em instalar os centros participem do financiamento da infraestrutura construída para atendê-los. Para ele, essa demanda precisa assumir parte do esforço financeiro.

A proposta mexe numa regra sensível. Hoje, boa parte do custo das redes é diluída na conta de todos os consumidores, e não paga só por quem provocou a necessidade da obra.

A gente volta, então, à pergunta de sempre: quem paga a obra?

Se o investidor bancar uma fatia, a linha pode sair antes. Se não bancar, o risco é o consumidor comum pagar por uma estrutura feita para um projeto que, no fim, pode nem sair.

As temporadas de acesso à rede já viraram leilão de capacidade

O caminho para pedir lugar na rede também está mudando. As chamadas Temporadas de Acesso, previstas na Pnast, a Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão, organizam os pedidos à Rede Básica.

Quando há mais interessados do que capacidade, o processo vira disputa. Foi o que aconteceu na estreia: data centers levaram 228 MW na primeira disputa da Pnast.

A Empresa de Pesquisa Energética, a EPE, lembra que a concretização dos projetos depende de rede elétrica, telecomunicações, viabilidade econômica e das garantias exigidas para a conexão, segundo a CNN Brasil.

O que falta saber sobre os pedidos recusados

A CPFL não detalhou quantos projetos estão por trás dos 8 GW, em quais cidades ficariam nem quanto desse total o próprio Estrella considera especulativo. Esses dados não foram divulgados no evento.

Também não está claro quantos desses investidores vão tentar outra região ou outro país. O que se sabe é que a principal porta de entrada do setor está dizendo não por falta de linha.

Com sete anos de espera por uma obra de transmissão, quem deveria pagar a conta da rede nova para os data centers: o investidor que pediu a ligação ou todos os consumidores de energia? Conte nos comentários o que você acha.

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Fontes

CPFL negou conexão a 8 GW de data centers por gargalos na rede elétrica

Demanda por data centers está vindo, mas em velocidade menor que a desejada, diz CEO da CPFL


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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