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Irani bate recorde de R$ 456,6 milhões e amplia produção de papel, mas lucro revela outro cenário

Irani bate recorde de R$ 456,6 milhões e amplia produção de papel, mas lucro revela outro cenário

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Irani bate recorde de R$ 456,6 milhões e amplia produção de papel, mas lucro revela outro cenário

Escrito por Carla Teles

Publicado em 30/10/2026 às 21:33

Atualizado em 30/10/2026 às 21:34

Indústria

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Caixas e embalagens de papelão armazenadas em depósito. As vendas de embalagens da Irani cresceram 11,5% no trimestre. Imagem: Guilherme Mendes / Unsplash.

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Fabricante de papel e embalagens elevou vendas de papelão ondulado acima do desempenho do mercado nacional e reduziu endividamento no terceiro trimestre.

A Irani Papel e Embalagem encerrou o terceiro trimestre de 2026 com receita líquida recorde de R$ 456,6 milhões e produção de 85.175 toneladas de papéis para embalagens, maior volume trimestral de sua história. O faturamento cresceu 5,3% e a produção avançou 5,4% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro líquido também subiu, mas o balanço mostra que parte do crescimento veio de um efeito contábil associado às florestas da companhia.

Os resultados foram divulgados nesta sexta-feira, 30 de outubro, e apresentados em reportagem do Indústria News. Segundo os dados da empresa, também repercutidos pela Reuters, o Ebitda ajustado alcançou R$ 152 milhões, enquanto as vendas de embalagens de papelão ondulado cresceram 11,5%, desempenho superior ao do mercado brasileiro.

Irani produz 85,2 mil toneladas de papel após reforma de máquina industrial

Caixas de papelão organizadas em centro de distribuição. O setor atende operações de armazenamento e transporte de mercadorias. Imagem: Jacques Dillies / Unsplash.

O avanço da produção foi um dos principais resultados operacionais da Irani entre julho e setembro de 2026.

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A companhia fabricou 85.175 toneladas de papéis para embalagens sustentáveis, crescimento de 5,4% na comparação anual. O volume estabeleceu um novo recorde trimestral para a empresa.

De acordo com os resultados divulgados pela companhia e apresentados pelo UOL, o desempenho foi favorecido pela retomada gradual da produção após a reforma da Máquina de Papel 05.

A intervenção integra o Projeto Gaia XI, iniciativa de modernização industrial desenvolvida pela Irani para ampliar a eficiência de suas operações.

A fabricação de papel é uma etapa essencial da cadeia produtiva de embalagens. Parte desse material pode ser comercializada diretamente, enquanto outra parcela é transformada internamente em chapas e caixas de papelão ondulado.

Essa integração permite direcionar a produção conforme a demanda pelos diferentes produtos. No terceiro trimestre, a empresa priorizou o abastecimento de suas próprias operações de embalagens.

A mudança ajuda a explicar por que a produção total de papel cresceu, embora as vendas externas desse segmento tenham diminuído.

Vendas de papelão ondulado crescem 11,5% enquanto mercado brasileiro fica estável

O segmento de embalagens sustentáveis foi o principal responsável pelo crescimento comercial da companhia.

A Irani vendeu 47.668 toneladas de embalagens de papelão ondulado no terceiro trimestre, volume 11,5% superior ao registrado entre julho e setembro de 2025.

Conforme os dados da Empapel reproduzidos pela Associação Brasileira de Flexografia, o mercado brasileiro de papelão ondulado apresentou variação negativa de 0,1% na comparação anual.

A diferença indica que as vendas da Irani cresceram em um período de estabilidade do mercado nacional. Sua participação no setor aumentou de 3,8% no terceiro trimestre de 2025 para 4,3% no mesmo período de 2026.

A empresa alcançou o maior volume trimestral de vendas de embalagens sustentáveis desde 2019.

O papelão ondulado é utilizado na fabricação de caixas destinadas ao transporte e armazenamento de mercadorias. Sua demanda está relacionada às atividades de empresas industriais, redes varejistas e operações de distribuição.

O setor brasileiro de embalagens também vem registrando movimentos de investimento e aquisição. Em julho, o CPG mostrou que um grupo italiano comprou uma fábrica de embalagens em Santa Catarina, ampliando a presença internacional nesse segmento.

Apesar do aumento das vendas, os preços médios da Irani não acompanharam o mesmo ritmo. O valor médio das embalagens de papelão ondulado recuou 1,2% em relação ao terceiro trimestre de 2025, para aproximadamente R$ 6.120 por tonelada.

Lucro líquido aumenta 34,3%, mas resultado recorrente cresce menos

O lucro líquido da Irani nas operações continuadas chegou a R$ 56,5 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 34,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Entretanto, a companhia atribuiu parte relevante dessa evolução à variação do valor justo dos ativos biológicos, conforme informou em seu balanço e foi destacado pela Reuters.

Esses ativos incluem as florestas plantadas utilizadas nas operações da empresa. As normas contábeis exigem determinadas avaliações periódicas que podem afetar o resultado registrado, mesmo sem representar uma venda adicional de produtos naquele momento.

Por isso, o crescimento do lucro contábil não pode ser interpretado integralmente como avanço da atividade industrial.

O lucro recorrente divulgado pela companhia ficou em aproximadamente R$ 39,6 milhões, resultado muito mais próximo do registrado no terceiro trimestre de 2025.

O Ebitda ajustado, indicador utilizado para acompanhar o desempenho operacional antes de despesas financeiras, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 152 milhões.

Esse valor representa crescimento de 3,9% na comparação anual e também estabeleceu recorde trimestral.

A margem Ebitda ajustada, entretanto, recuou de 33,7% para 33,3%. Isso significa que a rentabilidade operacional medida pelo indicador ficou ligeiramente menor em relação à receita.

Custos do papel reciclado aumentam e vendas externas de papel recuam

Unidade industrial da Irani Papel e Embalagem, companhia que registrou receita e produção recordes no terceiro trimestre de 2026. Imagem: Divulgação.

Embora a produção industrial tenha avançado, nem todos os indicadores do trimestre apresentaram crescimento.

Segundo análise publicada pela XP Investimentos, as vendas externas de papéis para embalagens somaram aproximadamente 31,5 mil toneladas, redução de 5,2% em relação ao terceiro trimestre de 2025.

A companhia direcionou uma parcela maior da produção de papel rígido às suas próprias fábricas de embalagens, diminuindo o volume disponível para comercialização externa.

Outro fator de pressão foi o encarecimento das aparas de papelão ondulado, conhecidas no setor pela sigla OCC.

Essas aparas são utilizadas como matéria-prima reciclada na fabricação de novos papéis para embalagens.

De acordo com a XP, o preço médio do material utilizado pela Irani chegou a aproximadamente R$ 1.000 por tonelada, alta de 9% em relação ao segundo trimestre de 2026.

O avanço das vendas de caixas contribuiu para distribuir os custos fixos por um volume maior de produção, compensando parcialmente esse aumento da matéria-prima.

A relação entre custos e capacidade produtiva também aparece em outros segmentos industriais. Em outubro, o CPG mostrou que a indústria de fundição em Minas Gerais enfrentava retração de demanda e dificuldades para manter a competitividade.

Dívida líquida da Irani cai para R$ 991,5 milhões no terceiro trimestre

O balanço também mostrou melhora nos indicadores de endividamento da fabricante de embalagens.

A dívida líquida encerrou setembro em aproximadamente R$ 991,5 milhões, redução de 7,7% em relação ao segundo trimestre de 2026, conforme os números divulgados pela empresa.

O indicador de alavancagem financeira ficou em 1,89 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, abaixo das 2,1 vezes registradas no trimestre anterior.

A Irani também informou uma posição de caixa próxima de R$ 1,5 bilhão ao final de setembro.

Durante o período, a companhia realizou operações para reorganizar o perfil de suas obrigações financeiras, incluindo captações de longo prazo e liquidação antecipada de dívidas mais caras.

Segundo informações apresentadas pelo NewsPulpaper, a empresa captou R$ 750 milhões em operações financeiras com prazo de cinco anos e custo médio de CDI acrescido de 1,16% ao ano.

A fabricante também antecipou a liquidação de aproximadamente R$ 158,6 milhões em dívidas com custo mais elevado.

Essas operações buscam reduzir despesas financeiras e distribuir os vencimentos ao longo de um período maior.

Irani mantém investimentos industriais e prepara nova etapa de expansão

A companhia destinou R$ 40,6 milhões a investimentos no terceiro trimestre, segundo os resultados divulgados em 30 de outubro.

Parte desses recursos foi aplicada em projetos industriais, incluindo iniciativas do programa Gaia, responsável por intervenções de modernização e aumento de produtividade.

A XP Investimentos também identificou a Plataforma Neos entre os projetos que deverão orientar a próxima etapa de desenvolvimento da companhia.

Embora a Irani tenha apresentado crescimento de receita e produção, a evolução dos custos de matérias-primas e a rentabilidade das embalagens continuarão entre os indicadores relevantes para os próximos resultados.

O desempenho comercial também dependerá das vendas de papelão ondulado no mercado brasileiro, que permaneceram praticamente estáveis na comparação anual do terceiro trimestre.

A distribuição dos produtos envolve operações industriais e logísticas em diferentes regiões. Em outubro, o CPG acompanhou os atrasos de navios nos portos brasileiros, incluindo movimentações em terminais de Santa Catarina, São Paulo e Paraná.

Com o fechamento do terceiro trimestre, a próxima divulgação periódica permitirá verificar se a companhia manteve o aumento da participação de mercado, como evoluiu o custo do papel reciclado e quais foram os resultados das novas etapas de investimento.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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