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Justiça libera negócio de US$ 110 bilhões e megafusão vai reunir Warner, HBO, CNN, Paramount e algumas das maiores marcas de Hollywood

Justiça libera negócio de US$ 110 bilhões e megafusão vai reunir Warner, HBO, CNN, Paramount e algumas das maiores marcas de Hollywood

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Justiça libera negócio de US$ 110 bilhões e megafusão vai reunir Warner, HBO, CNN, Paramount e algumas das maiores marcas de Hollywood

Escrito por Ana Alice

Publicado em 01/10/2026 às 23:28

Economia

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Justiça dos EUA libera negócio de US$ 110 bilhões que reunirá Warner, HBO, CNN e Paramount sob o mesmo grupo após acordo judicial. – Imagem: Ilustrativa/Reprodução

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A Justiça dos Estados Unidos retirou um dos últimos obstáculos para uma das maiores fusões do entretenimento, reunindo estúdios, serviços de streaming, canais de notícias e algumas das franquias mais conhecidas de Hollywood.

A compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance recebeu autorização para avançar nos Estados Unidos após decisão judicial divulgada na quarta-feira (30).

Avaliado em US$ 110 bilhões em valor empresarial, o negócio deve ser concluído em 6 de outubro de 2026, caso as condições finais previstas no acordo sejam cumpridas.

A operação colocará sob o mesmo grupo negócios como Warner Bros., HBO, HBO Max, CNN, Paramount Pictures, Paramount+, CBS e Cartoon Network, além de um catálogo que inclui Harry Potter, Game of Thrones, DC, Missão: Impossível, Top Gun e Bob Esponja.

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O valor de US$ 110 bilhões considera patrimônio e dívidas da Warner Bros. Discovery. A Paramount concordou em pagar US$ 31 por ação em dinheiro, avaliando o patrimônio da companhia em aproximadamente US$ 81 bilhões.

A autorização judicial encerra um impasse que se estendeu por meses e chegou a ameaçar o cronograma da aquisição. Um grupo formado por 12 estados americanos havia recorrido à Justiça por preocupações relacionadas à concorrência nos mercados de cinema e televisão.

Justiça libera conclusão do negócio após acordo

A decisão foi tomada pela juíza federal Araceli Martínez-Olguín, do Tribunal Distrital do Norte da Califórnia.

Em julho, os estados entraram com uma ação alegando que a união das duas empresas poderia criar um conglomerado de mídia com capacidade de reduzir a concorrência e pressionar preços no setor de entretenimento.

Paramount e Warner Bros. Discovery chegaram a um acordo com Califórnia, Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon e Washington em 21 de setembro.

A Justiça aprovou os termos no dia 30 e modificou a ordem que impedia a conclusão da compra.

Com isso, o processo movido pelos estados foi resolvido e o caminho jurídico para o fechamento da aquisição ficou aberto.

As próprias empresas trabalham com 6 de outubro como data prevista para concluir a operação.

Paramount assumirá 100% da Warner Bros. Discovery

Pelos termos apresentados pelas companhias, a Paramount comprará 100% das ações da Warner Bros. Discovery.

Depois da conclusão da operação, a Warner Bros. Discovery continuará existindo juridicamente, mas passará a ser uma subsidiária integral da Paramount Skydance.

Na prática, isso significa colocar sob a mesma estrutura duas das maiores bibliotecas de conteúdo da indústria do entretenimento.

De um lado estão Paramount Pictures, CBS, Paramount+, Nickelodeon, Comedy Central e franquias como Missão: Impossível, Top Gun e Bob Esponja.

Do outro aparecem Warner Bros., HBO, HBO Max, CNN, Discovery, DC e produções ligadas a Harry Potter e Game of Thrones.

A dimensão desse catálogo ajuda a explicar por que o negócio atraiu atenção de investidores, concorrentes e autoridades regulatórias desde que foi anunciado.

Entrada dos estúdios Paramount Pictures, em Los Angeles. A Paramount Skydance pretende concluir em outubro a aquisição da Warner Bros. Discovery. Crédito: Laura Alier / Wikimedia Commons

Acordo obriga novo grupo a manter produção de filmes

A liberação judicial veio acompanhada de contrapartidas.

Durante cinco anos, a empresa resultante da fusão deverá cumprir uma série de compromissos relacionados à produção audiovisual e à concorrência.

Nos dois primeiros anos, o grupo terá de lançar pelo menos 30 filmes por ano nos cinemas dos Estados Unidos. Do terceiro ao quinto ano, a exigência sobe para 32 produções anuais.

Parte desses títulos deverá chegar a milhares de salas de cinema, enquanto ao menos quatro filmes por ano deverão ser produções independentes.

A empresa também deverá manter uma janela mínima de exibição nos cinemas antes de disponibilizar determinados filmes nas plataformas de streaming.

Caso as metas anuais não sejam cumpridas e as falhas não sejam corrigidas dentro dos prazos estabelecidos, o acordo prevê consequências financeiras e até a possibilidade de alienação da Miramax.

Produção nos Estados Unidos receberá US$ 1,5 bilhão adicional

Outro compromisso envolve diretamente investimentos na indústria audiovisual americana.

A nova companhia deverá gastar pelo menos US$ 300 milhões adicionais por ano em produção nos Estados Unidos, na comparação com os níveis combinados de Paramount e Warner Bros. Discovery em 2025.

Ao longo dos cinco anos previstos no acordo, isso representa US$ 1,5 bilhão em gastos adicionais.

Os estúdios históricos da Paramount e da Warner Bros. também não poderão ser vendidos ou fechados durante esse período.

A companhia deverá ainda manter programas de treinamento profissional, apoio à indústria cinematográfica e respeito aos acordos trabalhistas existentes.

As exigências mostram que a integração não será apenas uma união de marcas, plataformas e catálogos. A Paramount também terá de cumprir compromissos operacionais específicos nos primeiros anos da nova estrutura.

CNN e CBS News ficarão dentro do mesmo conglomerado

Um dos pontos mais sensíveis da operação envolve a união de CNN e CBS News sob o mesmo controle corporativo.

Pelo acordo aprovado pela Justiça, a nova companhia terá até 180 dias após o fechamento para criar um conselho independente formado por cinco jornalistas.

O grupo deverá estabelecer princípios editoriais e analisar determinadas disputas envolvendo CNN e CBS News, incluindo questões relacionadas a padrões jornalísticos e independência editorial.

Além disso, a companhia deverá negociar separadamente determinados contratos dos canais de TV por assinatura pertencentes atualmente à Paramount e à Warner Bros. Discovery.

A medida busca limitar o uso do tamanho do novo conglomerado em negociações que envolvam diferentes grupos de canais.

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Ex-chefe da Mattel será um dos responsáveis pela integração

A Paramount também anunciou uma mudança importante na administração quando a compra se aproxima da conclusão.

Segundo a Reuters, Ynon Kreiz, CEO da Mattel desde 2018, deixará a fabricante de Barbie e Hot Wheels para assumir como co-CEO do grupo combinado ao lado de David Ellison.

Kreiz deverá ingressar na Paramount em 5 de outubro e assumir formalmente o novo cargo quando a aquisição for concluída.

A escolha está relacionada ao tamanho do desafio de integrar as empresas. Durante sua passagem pela Mattel, Kreiz comandou uma estratégia voltada à transformação de marcas de brinquedos em propriedades de entretenimento utilizadas em filmes, televisão e outras plataformas.

O exemplo mais conhecido foi Barbie, lançado pela Warner Bros. em 2023 e transformado no filme de maior bilheteria da história do estúdio.

Na nova estrutura, Kreiz deverá ficar mais concentrado nas operações diárias e na integração das companhias. Ellison continuará responsável por áreas como estratégia e desenvolvimento criativo.

Paramount espera economizar mais de US$ 6 bilhões

A dimensão financeira do negócio vai muito além do preço da aquisição.

A Paramount estima conseguir mais de US$ 6 bilhões em sinergias e reduções de custos nos três anos seguintes ao fechamento da operação.

Entre as medidas previstas estão integração de sistemas de tecnologia, consolidação de estruturas de streaming, redução de despesas administrativas e otimização de imóveis e serviços corporativos.

A companhia afirmou anteriormente que espera que a maior parte dessas economias venha de áreas não relacionadas diretamente à redução da capacidade de produção.

A integração também será acompanhada por um volume elevado de dívida.

A Paramount projetou aproximadamente US$ 79 bilhões em dívida líquida no momento da conclusão da operação, com planos de reduzir a alavancagem nos anos seguintes.

Esse cenário coloca sobre a nova administração a tarefa de encontrar economias ao mesmo tempo em que precisa manter investimentos elevados em filmes, streaming e produção.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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