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Keppel e Seatrium fecham acordo de mais de S$ 500 milhões para concluir quatro sondas offshore

Keppel e Seatrium fecham acordo de mais de S$ 500 milhões para concluir quatro sondas offshore

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Keppel e Seatrium fecham acordo de mais de S$ 500 milhões para concluir quatro sondas offshore

Escrito por Carla Teles

Publicado em 26/10/2026 às 17:25

Atualizado em 26/10/2026 às 18:26

Setor Offshore

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Representação ilustrativa de um estaleiro de construção offshore. Keppel e Seatrium anunciaram acordo superior a S$ 500 milhões para concluir quatro unidades de perfuração, com as primeiras entregas previstas para 2027 e 2028.

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Acordo em Singapura prevê concluir um navio-sonda de sétima geração e uma plataforma para ambientes severos, enquanto outras duas unidades seguem em avaliação.

A Keppel e a Seatrium anunciaram nesta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, um acordo superior a 500 milhões de dólares de Singapura (S$) para concluir quatro unidades de perfuração offshore que permanecem inacabadas. O projeto reúne um navio-sonda de sétima geração, uma plataforma autoelevatória e duas semissubmersíveis, em uma iniciativa que busca colocar equipamentos de alta especificação novamente no mercado internacional de petróleo e gás.

Segundo o comunicado oficial da Keppel, os trabalhos serão executados pela Seatrium para a RigCo, subsidiária integral da companhia. As primeiras entregas estão previstas para 2027 e 2028, enquanto a conclusão das outras duas unidades ainda passa por avaliação. O acordo será financiado com recursos já disponíveis na RigCo, sem anúncio de uma nova captação para essas obras.

Quatro unidades offshore fazem parte do acordo de mais de S$ 500 milhões

Plataforma autoelevatória El Qaher II fotografada em águas de Singapura. A Keppel e a Seatrium fecharam acordo para concluir quatro unidades de perfuração offshore. Imagem ilustrativa. Foto: Jacklee/Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 3.0.

O contrato contempla equipamentos destinados a diferentes condições de perfuração, incluindo águas profundas e regiões marítimas com clima severo.

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A unidade de maior complexidade é um navio-sonda de sétima geração, desenvolvido para campanhas de perfuração em águas ultraprofundas. Esse tipo de embarcação utiliza sistemas de posicionamento dinâmico para permanecer sobre o poço, dispensando o apoio de pernas fixadas no fundo do mar.

A segunda unidade é uma plataforma jack-up, ou autoelevatória, projetada para ambientes severos. Diferentemente dos navios-sonda, essas estruturas utilizam pernas metálicas apoiadas no leito marinho e elevam o convés acima da superfície da água durante a operação.

As outras duas unidades são plataformas semissubmersíveis de perfuração em águas intermediárias, adequadas às condições exigentes do noroeste da Europa.

Esses equipamentos possuem estruturas flutuantes parcialmente submersas, configuração que ajuda a reduzir os movimentos provocados pelas ondas.

A diferença entre os tipos de plataformas offshore determina onde cada unidade pode atuar, quais sistemas de posicionamento serão necessários e as condições ambientais para as quais precisa ser preparada.

A Keppel não divulgou quanto será destinado individualmente a cada equipamento. O valor superior a S$ 500 milhões corresponde à estimativa conjunta dos trabalhos de conclusão, e não ao preço de aquisição de quatro sondas inteiramente novas.

Navio-sonda Can Do tem entrega prevista para 2027, enquanto Jasper ficará para 2028

Navio-sonda ENSCO DS-6 fotografado na Grécia em 2021. Equipamentos desse tipo são utilizados em campanhas de perfuração offshore. Imagem ilustrativa. Foto: George E. Koronaios/Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

As duas primeiras unidades possuem cronograma definido pela Keppel e pela Seatrium.

O navio-sonda de sétima geração, identificado como Can Do pela publicação especializada Baird Maritime, deverá ser entregue à RigCo em 2027.

A plataforma autoelevatória Jasper, desenvolvida para condições ambientais severas, tem entrega prevista para 2028.

Os equipamentos serão preparados para futuras oportunidades de afretamento, modalidade em que empresas de exploração e produção contratam o uso das sondas durante campanhas de perfuração.

As companhias ainda não divulgaram contratos definitivos de afretamento para essas duas unidades.

A situação das semissubmersíveis é diferente. Identificadas pela Baird Maritime como Nordic Winter e Nordic Spring, elas permanecem sem um calendário de entrega anunciado.

A Keppel informou que os planos de conclusão das duas plataformas continuam sendo avaliados, embora ambas estejam incluídas no valor global estimado do acordo.

A decisão de avançar por etapas permite direcionar os trabalhos inicialmente às unidades com entregas programadas, enquanto a empresa acompanha oportunidades de contratação para os demais equipamentos.

Esse planejamento não significa que as quatro sondas entrarão em operação em 2028. O início das atividades dependerá da conclusão das obras, dos testes, das certificações e da assinatura de contratos com operadoras de petróleo e gás.

Seatrium pretende recuperar equipamentos de alta especificação para o mercado offshore

A retomada das obras ocorre depois de mais de uma década de atividade reduzida na construção de novas sondas de perfuração.

Nesse período, parte da frota mundial envelheceu, enquanto equipamentos antigos foram retirados de operação por dificuldades técnicas, custos de manutenção ou falta de contratos.

A Seatrium possui experiência na construção, modernização e manutenção dessas estruturas. A companhia foi formada a partir da combinação de negócios da Sembcorp Marine com o antigo braço de engenharia offshore e naval da Keppel.

Segundo William Gu, vice-presidente executivo de marketing da Seatrium Energy, projetos desenvolvidos pela empresa estão presentes em mais de dois terços das plataformas autoelevatórias em operação no mundo.

A participação se refere aos projetos de engenharia utilizados na construção dessas unidades, não necessariamente à propriedade ou operação das plataformas.

Para concluir as sondas da RigCo, os trabalhos deverão abranger os sistemas ainda pendentes de instalação, integração e testes, conforme as condições específicas de cada equipamento. O comunicado não detalha quais componentes permanecem inacabados.

A engenharia de plataformas destinadas a ambientes severos também exige atenção às condições de vento, ondas e baixas temperaturas, especialmente nas regiões marítimas do norte europeu.

A atividade da Seatrium tem relação com o mercado brasileiro. A companhia participa da construção e integração de unidades flutuantes destinadas à Petrobras, incluindo projetos de novos FPSOs da Petrobras.

Apesar da experiência comum de engenharia offshore, FPSOs e sondas de perfuração possuem funções diferentes. Os primeiros são utilizados principalmente para produzir, armazenar e transferir petróleo, enquanto os segundos executam atividades relacionadas à construção de poços.

Fundo de S$ 3,7 bilhões prevê comercializar até dez sondas da Keppel

O acordo anunciado em outubro faz parte de uma operação financeira apresentada pela Keppel em julho de 2026.

Na ocasião, a empresa revelou um programa estimado em S$ 3,7 bilhões para comercializar progressivamente até dez unidades de perfuração mantidas em seu portfólio histórico.

A estratégia envolve o Keppel Offshore Fund, fundo privado administrado pela própria Keppel e estruturado com participação da gestora norte-americana Apollo.

Segundo o anúncio da Keppel de 27 de julho, seis plataformas autoelevatórias já entregues e arrendadas a clientes desde 2022 fazem parte da primeira etapa do programa.

Essas unidades foram avaliadas em aproximadamente S$ 1,2 bilhão para a operação de transferência ao fundo, sujeita às condições contratuais.

O programa também prevê a possibilidade de concluir e vender as outras quatro unidades, que ainda estão em diferentes estágios de construção.

Caso essa etapa seja realizada, a Keppel estima que poderá obter aproximadamente S$ 1,3 bilhão em recursos financeiros adicionais.

Esse montante representa uma expectativa de recebimento vinculada à futura comercialização dos ativos. Não deve ser confundido com os S$ 500 milhões previstos para concluir as obras.

A Apollo confirmou um compromisso de investimento de US$ 1,5 bilhão no fundo, por meio de veículos sob sua administração.

A operação permitirá à Keppel buscar receita com a gestão dos ativos e manter participação econômica no portfólio, enquanto avança na redução de sua exposição direta à propriedade de equipamentos offshore.

Mercado de sondas mostra sinais de recuperação, mas contratos ainda dependem da demanda

A decisão de retomar a construção está ligada às expectativas para o mercado internacional de perfuração.

Em estudo publicado em 8 de janeiro de 2026, a consultoria Westwood Energy informou que 22 sondas offshore haviam sido retiradas da frota mundial durante 2025.

O levantamento incluía oito navios-sonda, oito unidades autoelevatórias e seis semissubmersíveis.

A consultoria projetava uma recuperação gradual na utilização das sondas durante 2026, com condições mais favoráveis para contratos iniciados em 2027.

O estudo também indicava que as taxas diárias de afretamento de navios-sonda haviam recuado 8,2% em 2025, enquanto as de plataformas autoelevatórias caíram 20,6%. Isso demonstra que a redução da oferta de equipamentos não provoca necessariamente aumento imediato dos preços.

Para Cindy Lim, executiva de infraestrutura da Keppel e integrante do conselho da RigCo, as condições de mercado podem favorecer contratos de longo prazo para sondas modernas destinadas a águas profundas e ambientes severos.

Um movimento recente reforça a existência de demanda por unidades avançadas. Em outubro, a Transocean anunciou contratos de US$ 550 milhões para dois navios-sonda, com campanhas previstas para começar em 2027 no Golfo dos Estados Unidos.

Os contratos da Transocean não estão relacionados à Keppel, mas mostram que operadoras continuam contratando equipamentos de alta especificação para futuras campanhas.

Keppel e Seatrium ainda precisam definir o futuro de duas plataformas semissubmersíveis

O avanço imediato do programa será acompanhado pelo cronograma do navio-sonda Can Do, cuja entrega está prevista para 2027.

A unidade autoelevatória Jasper deverá ser concluída no ano seguinte, enquanto os planos das semissubmersíveis Nordic Winter e Nordic Spring continuarão em avaliação.

A Keppel não anunciou quais petrolíferas poderão contratar os equipamentos, quais serão suas regiões definitivas de operação ou quanto as novas sondas poderão gerar em receitas de afretamento.

A Seatrium será responsável pela conclusão industrial das unidades previstas no acordo, enquanto a RigCo continuará como proprietária durante essa etapa.

As próximas informações relevantes serão os cronogramas técnicos, os resultados dos testes de entrega e eventuais contratos de utilização. Essas definições indicarão quando o investimento em estruturas ainda inacabadas começará a gerar receitas operacionais.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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