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Lixo de 58 cidades vira combustível renovável em usina de R$ 95 milhões no RS que produz biometano equivalente a 6 mil botijões por dia

Lixo de 58 cidades vira combustível renovável em usina de R$ 95 milhões no RS que produz biometano equivalente a 6 mil botijões por dia

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Lixo de 58 cidades vira combustível renovável em usina de R$ 95 milhões no RS que produz biometano equivalente a 6 mil botijões por dia

Escrito por Ana Alice

Publicado em 02/10/2026 às 23:48

Biocombustíveis Renováveis

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Usina de R$ 95 milhões transforma lixo de 58 cidades em biometano e pode produzir energia equivalente a 6 mil botijões por dia no RS. – Imagem: Ilustrativa

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Resíduos enviados por dezenas de municípios gaúchos agora ajudam a produzir biometano em São Leopoldo, onde uma nova usina transforma o gás liberado pelo lixo em combustível renovável para atender empresas e indústrias.

O lixo enviado por 58 municípios do Rio Grande do Sul passou a alimentar uma nova cadeia de produção de combustível em São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Inaugurada em 13 de agosto, a usina Biometano São Leopoldo recebeu investimento de aproximadamente R$ 95 milhões e tem capacidade para produzir 34 mil metros cúbicos de biometano por dia.

Em equivalência energética, esse volume corresponde a cerca de 6 mil botijões de gás de 13 quilos diariamente. A comparação serve apenas para dimensionar a energia gerada, já que a unidade não produz GLP nem enche botijões.

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A instalação funciona dentro da Unidade de Valorização Sustentável da Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos, a CRVR.

O combustível é produzido a partir do biogás formado naturalmente pela decomposição da matéria orgânica depositada no aterro. A operação comercial começou no fim de junho, antes da inauguração oficial, e a Ultragaz foi a primeira cliente da unidade.

Como o lixo acaba virando biometano

O processo começa quando restos de alimentos e outros materiais orgânicos chegam ao aterro sanitário.

Durante a decomposição, microrganismos liberam biogás, uma mistura formada principalmente por metano e dióxido de carbono.

Em vez de simplesmente queimar esse gás ou deixá-lo sem aproveitamento energético mais amplo, a estrutura instalada em São Leopoldo o direciona para um sistema de purificação.

O tratamento remove impurezas e aumenta a concentração de metano até transformar o material em biometano, combustível renovável com características semelhantes às do gás natural fóssil.

Isso permite que o produto seja utilizado em processos industriais e também como combustível veicular.

Na prática, o aterro continua recebendo os resíduos urbanos, mas uma parte do gás gerado pela decomposição passa a ter valor econômico e pode substituir combustíveis de origem fóssil.

Usina pode produzir 34 mil metros cúbicos por dia

A nova planta foi projetada para alcançar 34 mil metros cúbicos de biometano por dia.

O aterro já contava com outras formas de aproveitamento dos resíduos, incluindo geração de eletricidade a partir do próprio biogás e uma planta de triagem semimecanizada.

Com a chegada da produção de biometano, parte desse potencial energético ganhou um novo destino.

Segundo a Prefeitura de São Leopoldo, essa é a segunda usina de biometano produzido a partir de aterro sanitário no Rio Grande do Sul. A primeira foi inaugurada em Minas do Leão, em setembro de 2025.

Juntas, as duas unidades operadas pela CRVR têm capacidade próxima de 100 mil metros cúbicos de biometano por dia.

A instalação de Minas do Leão responde pela maior parcela, enquanto São Leopoldo acrescenta aproximadamente 34 mil metros cúbicos diários à produção.

BNDES financiou R$ 76,4 milhões do projeto

Uma parcela importante do investimento recebeu financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

O BNDES aprovou R$ 76,4 milhões para a construção da usina. Desse total, R$ 61,1 milhões vieram do Fundo Clima e outros R$ 15,3 milhões foram financiados pelo BNDES Finem.

Quando o financiamento foi anunciado, em julho de 2025, o projeto trabalhava com capacidade estimada de 32,4 mil metros cúbicos por dia.

Na inauguração, em agosto de 2026, os responsáveis pelo empreendimento já informavam capacidade de 34 mil metros cúbicos diários.

O banco também estimou que a planta poderá evitar mais de 80 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano, considerando o aproveitamento do gás do aterro e a substituição de combustíveis fósseis.

Ultragaz será uma das compradoras do combustível

Ter compradores definidos é fundamental para dar escala comercial ao projeto.

A Ultragaz aparece como primeira cliente da planta, com o biometano direcionado principalmente aos segmentos industrial e comercial do Rio Grande do Sul.

A companhia, tradicionalmente conhecida pela distribuição de GLP, vem ampliando sua atuação em outras fontes de energia.

No caso da nova unidade, é importante separar os dois produtos.

A comparação com 6 mil botijões ajuda a mostrar o tamanho da produção, mas o gás fabricado em São Leopoldo não é o mesmo GLP utilizado nos botijões domésticos.

O produto da usina é biometano, obtido após a purificação do biogás formado pela decomposição dos resíduos.

Lixo passa a abastecer uma nova cadeia de combustível

A unidade de São Leopoldo mostra como aterros sanitários podem ganhar uma segunda função além do recebimento de resíduos.

Depois que o lixo chega ao local, sua decomposição continua por anos e gera volumes relevantes de biogás.

Com equipamentos de captura e purificação, esse gás pode ser transformado em um combustível renovável com aplicação comercial.

No caso gaúcho, resíduos provenientes de 58 municípios ajudam a sustentar uma produção diária de até 34 mil metros cúbicos de biometano.

Para a CRVR, a nova instalação amplia um modelo que já vinha sendo desenvolvido em Minas do Leão, utilizando o biogás dos aterros tanto para gerar eletricidade quanto para produzir combustível.

O investimento de aproximadamente R$ 95 milhões transforma, assim, parte do gás originado por resíduos urbanos em uma fonte de energia que pode abastecer empresas e reduzir o consumo de combustíveis fósseis.

A comparação com os 6 mil botijões por dia torna mais fácil visualizar a escala energética do empreendimento, mas o principal resultado está na capacidade de transformar um problema cotidiano das cidades, o destino do lixo, em matéria-prima para uma nova cadeia de biocombustíveis.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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