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Maior produtora de tilápia do Brasil mira 300 mil peixes por dia em 2027 e quer ampliar exportações usando rede que já chega a 85 países
Escrito por Ana Alice
Publicado em 23/10/2026 às 19:03
Atualizado em 23/10/2026 às 20:00
Agronegócio
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Copacol prepara expansão da piscicultura no Paraná, mira capacidade de 300 mil tilápias por dia em 2027 e pretende usar sua estrutura internacional para ampliar vendas de pescado brasileiro no exterior.
A Copacol, maior produtora e processadora de tilápia do Brasil, prepara uma nova etapa de expansão da piscicultura no Paraná.
A cooperativa pretende elevar sua capacidade de processamento para até 300 mil peixes por dia em 2027, avanço de 42,9% sobre a capacidade atual de aproximadamente 210 mil unidades diárias.
Ao mesmo tempo, avalia ampliar as exportações de pescado usando uma estrutura logística internacional que já atende 85 países com diferentes produtos, especialmente carne de frango.
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O plano está concentrado nas duas unidades industriais de pescado mantidas pela cooperativa em Nova Aurora e Toledo, no oeste do Paraná.
A fábrica de Toledo ainda opera com apenas um turno, o que cria espaço para aumentar o processamento utilizando parte da infraestrutura já instalada.
Segundo Alexandre Lachi, gerente de marketing da Copacol, a capacidade conjunta pode alcançar 300 mil tilápias por dia à medida que o mercado absorva os volumes adicionais.
A expansão, porém, não deverá ocorrer simplesmente para colocar mais peixe no mercado.
A estratégia apresentada pela cooperativa é ajustar o crescimento da oferta ao avanço da demanda, evitando uma ampliação acelerada que pressione preços e a remuneração dos produtores integrados.
Copacol já domina parte relevante do mercado de tilápia
Atualmente, a Copacol estima possuir cerca de 33% do mercado brasileiro de tilápia no varejo e comercializa mais de mil toneladas do pescado por mês no mercado nacional.
A companhia afirma que 2026 vem registrando desempenho recorde para a categoria dentro de sua operação, em um cenário de maior presença da tilápia nas refeições dos brasileiros.
A estrutura produtiva já está entre as maiores da piscicultura nacional.
Em 2025, foram produzidos 58,1 milhões de peixes, com participação de 300 produtores integrados e produção de 92,33 milhões de alevinos.
O sistema funciona de maneira integrada.
A cooperativa mantém unidades de produção de alevinos, produtores responsáveis pela engorda e indústrias que recebem os peixes para processamento, além das estruturas de distribuição responsáveis por levar os produtos até supermercados e outros clientes.
Esse modelo permite que diferentes etapas permaneçam conectadas dentro da mesma cadeia, desde a origem do peixe até a comercialização.
Piscicultura ganha peso dentro de cooperativa bilionária
A piscicultura também passou a ocupar espaço relevante dentro de uma cooperativa muito maior e diversificada.
Fundada em 1963 e sediada em Cafelândia, a Copacol encerrou 2025 com R$ 11,1 bilhões em faturamento, 10,5 mil cooperados e 16,8 mil colaboradores.
Além dos 58,1 milhões de peixes processados anualmente, a estrutura registra 217,4 milhões de aves processadas por ano e recebe aproximadamente 2,3 milhões de toneladas de grãos.
A operação com tilápia ganhou escala ao longo dos últimos anos.
O número de peixes abatidos passou de 45,1 milhões em 2021 para 58,1 milhões em 2025.
No mesmo período, a produção de carne de peixe avançou de aproximadamente 16,2 mil toneladas para 21,8 mil toneladas.
A unidade de Toledo teve papel importante nessa evolução.
Em 2025, foram investidos R$ 36,8 milhões na fábrica, com aumento de 31% no volume de carne produzida.
Uma segunda etapa das obras permanece em andamento e tem conclusão prevista para 2027.
Toledo será peça central da expansão para 2027
O aumento para 300 mil tilápias por dia está ligado justamente ao aproveitamento dessa capacidade industrial.
A unidade de Toledo possui espaço para ampliar os turnos de operação, enquanto Nova Aurora já integra há anos a estrutura da cadeia de pescado da cooperativa.
Os números de capacidade divulgados em páginas institucionais mais antigas ainda apontam volumes inferiores porque refletem estágios anteriores das ampliações.
O dado mais recente divulgado em outubro de 2026 indica capacidade atual de 210 mil peixes por dia e potencial de expansão para 300 mil em 2027.
O movimento ocorre no estado que lidera a produção brasileira da espécie.
O Paraná produziu 273,1 mil toneladas de tilápia em 2025, crescimento de 9,1% sobre o ano anterior e maior volume entre todos os estados brasileiros.
São Paulo apareceu em segundo lugar, com 93,7 mil toneladas, seguido por Minas Gerais, com 77,5 mil toneladas.
No conjunto nacional, a piscicultura brasileira ultrapassou pela primeira vez 1 milhão de toneladas em 2025.
A tilápia representa aproximadamente 70% desse mercado e colocou o Brasil entre os quatro maiores produtores mundiais da espécie.
Rede internacional de 85 países pode abrir espaço para mais pescado
Para a Copacol, o mercado interno continua sendo o principal destino da produção, mas a possibilidade de aumentar as vendas internacionais aparece como um dos caminhos para absorver parte da expansão prevista.
As duas fábricas de pescado possuem habilitações para exportação.
O desafio está na abertura efetiva dos mercados pretendidos e na construção de demanda para os produtos brasileiros.
É nesse ponto que a experiência acumulada com o frango pode ganhar importância.
A Copacol possui presença comercial em 85 países, estrutura alcançada principalmente pela cadeia avícola e por outros produtos do portfólio.
A cooperativa pretende aproveitar parte dessa rede de clientes, logística, rastreabilidade e relacionamento internacional para ampliar o espaço da tilápia brasileira no exterior.
Isso não significa que o pescado da Copacol já seja exportado para os mesmos 85 mercados.
A rede internacional é uma estrutura comercial já existente dentro da cooperativa e pode servir de base para novas negociações, desde que os países autorizem a entrada do produto e exista demanda suficiente.
A Copacol já possui experiência com exportação de tilápia.
Em 2020, quando iniciou as atividades da Unidade Industrial de Peixes de Toledo, a cooperativa também começou a enviar filés de tilápia para Miami, nos Estados Unidos.
Na ocasião, as cargas eram despachadas semanalmente, e o produto chegava ao mercado norte-americano cerca de 48 horas após o processamento.
Em 2025, o relatório da cooperativa registrou aproximadamente 1,7 mil toneladas de exportações de peixes e derivados.
O número ainda é menor do que a escala destinada ao consumo interno, mas demonstra que a operação internacional já existe antes da expansão planejada para 2027.
Produção depende de 300 piscicultores integrados
O crescimento também depende dos produtores integrados.
A Copacol reúne cerca de 300 piscicultores dentro do sistema, responsáveis por criar os peixes seguindo parâmetros técnicos definidos pela cooperativa.
A cadeia começa antes mesmo dessa etapa, com a produção própria de alevinos em unidades localizadas em Nova Aurora e Quarto Centenário.
Esse controle permite acompanhar fatores como genética, alimentação, qualidade da água, sanidade, ganho de peso e conversão alimentar.
Depois da fase de criação nas propriedades, os peixes seguem para as unidades industriais, onde são transformados em diferentes cortes e produtos destinados ao varejo, ao mercado de alimentação e às exportações.
A cooperativa comercializa filé, posta, peixe inteiro e outros itens derivados da tilápia.
O plano de alcançar 300 mil peixes processados por dia não representa uma previsão de que a produção saltará imediatamente para esse volume durante todos os dias de 2027.
Trata-se da capacidade potencial de processamento que a estrutura poderá atingir conforme a expansão industrial avance e a demanda doméstica e internacional permita aumentar os volumes.
A estratégia divulgada pela Copacol é justamente evitar um crescimento desconectado do consumo.
A cooperativa pretende utilizar gradualmente a capacidade disponível, preservando preços e a sustentabilidade econômica da cadeia para produtores, indústria e mercado.
Nesse cenário, a fábrica de Toledo será uma das peças centrais do próximo ciclo.
A segunda fase da ampliação está prevista para terminar em 2027, enquanto a estrutura existente permite adicionar turnos de produção.
Se a demanda acompanhar esse avanço, a capacidade conjunta das unidades de Nova Aurora e Toledo poderá chegar às 300 mil tilápias diárias, ao mesmo tempo em que a cooperativa tenta ampliar o espaço do pescado brasileiro em mercados internacionais onde sua estrutura comercial já possui experiência com outras proteínas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

