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Máquinas agrícolas usadas ganham força com alta de 45% nas ofertas enquanto vendas de equipamentos novos recuam 22,4%

Máquinas agrícolas usadas ganham força com alta de 45% nas ofertas enquanto vendas de equipamentos novos recuam 22,4%

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Máquinas agrícolas usadas ganham força com alta de 45% nas ofertas enquanto vendas de equipamentos novos recuam 22,4%

Escrito por Ana Alice

Publicado em 11/10/2026 às 17:33

Atualizado em 11/10/2026 às 17:35

Agronegócio

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Ofertas de máquinas agrícolas usadas crescem 45%, enquanto receita de equipamentos novos recua 22,4% no Brasil entre janeiro e agosto. – Imagem: Ilustrativa via I.A

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Mercado de máquinas agrícolas vive movimentos opostos em 2026, com avanço das ofertas de equipamentos usados em uma plataforma especializada enquanto receita da indústria de máquinas novas recua no acumulado do ano.

O mercado de máquinas agrícolas atravessa movimentos distintos em 2026. Enquanto a receita da indústria de equipamentos novos recuou 22,4% entre janeiro e agosto, a quantidade de máquinas e implementos usados ofertados pela Sold Leilões cresceu 45% no mesmo intervalo, na comparação com 2025.

O avanço de 45% não representa todo o mercado brasileiro de usados. O levantamento considera exclusivamente os negócios disponibilizados na plataforma Sold.

Dentro desse ambiente, porém, a procura pela categoria agro aumentou 83%, o número de compradores avançou 60% e o valor geral de vendas passou de R$ 48,5 milhões para R$ 52,8 milhões, alta de 9%.

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Na outra ponta, dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) mostram que a receita líquida do segmento de máquinas agrícolas novas ficou em R$ 36,3 bilhões nos oito primeiros meses de 2026, contração de 22,4% frente ao mesmo período de 2025. No mercado doméstico, a queda foi ainda maior: 25,7%, para R$ 30,37 bilhões.

Crédito, endividamento e câmbio pesam na compra de máquinas novas

A retração dos equipamentos novos ocorre em um período de menor capacidade de investimento de parte dos produtores. Segundo a Abimaq, o cenário envolve endividamento no campo, juros elevados e efeitos da variação cambial sobre os preços das commodities.

Essas condições podem adiar a renovação de tratores, colheitadeiras e outros equipamentos que exigem investimentos elevados.

Em agosto, a receita líquida do segmento agrícola foi de R$ 4,79 bilhões, queda de 22,8% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 1,7% frente a julho.

Os números por tipo de máquina também mostram a desaceleração. As vendas de tratores para usuários finais chegaram a 3.324 unidades em agosto, avanço de 19,1% diante de julho, mas 25,5% abaixo de agosto de 2025. Entre as colheitadeiras, foram 112 unidades destinadas ao usuário final, recuo anual de 43,1%.

As exportações seguiram outra direção. Fabricantes brasileiros embarcaram US$ 1,15 bilhão em máquinas e implementos agrícolas de janeiro a agosto, valor 12,7% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado.

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Usados podem custar de 40% a 60% menos em alguns casos

A diferença no desembolso inicial é um dos fatores que ajudam a explicar a procura pelo mercado secundário.

Segundo levantamento da Sold, máquinas seminovas ou equipamentos que precisam de revisão podem aparecer com preços entre 40% e 60% inferiores aos de uma máquina nova equivalente, dependendo das condições do ativo.

Isso não significa, entretanto, que qualquer equipamento usado tenha essa diferença de preço. Horas trabalhadas, conservação, histórico de manutenção, necessidade de reparos, modelo e disponibilidade de peças interferem diretamente no valor.

Além do preço de compra, o produtor precisa considerar custos de transporte, manutenção e eventuais reparos antes de colocar a máquina em operação. Diferentemente do mercado de automóveis, equipamentos agrícolas não contam com uma referência única de preços equivalente à tabela Fipe, o que torna a avaliação mais dependente das condições de cada unidade.

Equipamentos seminovos aparecem como alternativa para produtores que buscam reduzir o capital necessário para renovar ou ampliar a frota. Crédito: Armac.

Pequenos e médios produtores aparecem entre os principais compradores

Os dados da Sold indicam que mais de 60% dos compradores na plataforma são pessoas físicas, principalmente consumidores finais e pequenos e médios produtores. Pessoas jurídicas, incluindo empresas e revendedores, representam entre 35% e 40% da base de compradores.

A negociação também ultrapassa as fronteiras estaduais. Entre 30% e 40% dos compradores estão em estados diferentes daqueles onde as máquinas estão localizadas, proporção que tende a aumentar quando se trata de equipamentos de maior valor.

Do lado de quem vende, usinas e grandes grupos agrícolas aparecem entre os responsáveis por colocar tratores, colheitadeiras, plantadeiras e caminhões usados no mercado.

Segundo a Sold, empresas como Amaggi, Atvos, BP e Louis Dreyfus Company estão entre os grupos que utilizam esse canal.

Parte desse movimento está ligada à própria gestão das frotas. Grandes operações agrícolas que substituem equipamentos ou reorganizam ativos acabam abastecendo o mercado secundário com máquinas que podem continuar em operação em propriedades de outros portes.

Alta de 45% retrata a plataforma Sold, não todo o mercado nacional

A expansão registrada pela Sold oferece um retrato de um dos canais de comercialização de máquinas usadas, mas não deve ser interpretada como crescimento de 45% de todo o mercado nacional de seminovos. A própria fonte dos dados limita o levantamento às ofertas disponíveis na plataforma.

Ainda assim, a combinação de mais ofertas, aumento de 83% na procura e crescimento de 60% no número de compradores indica maior movimentação nesse canal justamente durante um período de retração dos equipamentos novos.

A diferença entre os dois mercados também aparece no planejamento financeiro.

Para produtores que não pretendem assumir o custo de uma máquina nova, tratores, colheitadeiras e implementos usados passam a ser considerados entre as alternativas disponíveis, desde que a análise inclua estado de conservação, manutenção necessária e custo total para colocar o equipamento novamente no campo.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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