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Marinha e Observatório Nacional instalam dois sismógrafos no fundo do Atlântico, a 1.500 km do Brasil, para estudar área com potencial de terras raras

Marinha e Observatório Nacional instalam dois sismógrafos no fundo do Atlântico, a 1.500 km do Brasil, para estudar área com potencial de terras raras

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Marinha e Observatório Nacional instalam dois sismógrafos no fundo do Atlântico, a 1.500 km do Brasil, para estudar área com potencial de terras raras

Escrito por Carla Teles

Publicado em 10/10/2026 às 15:18

Atualizado em 10/10/2026 às 15:20

Setor Offshore

Canal

Observatório Nacional instala sismógrafos na Elevação do Rio Grande para analisar ondas sísmicas em região com potencial de terras raras.

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Os sismógrafos ERG1 e ERG2 ficarão cerca de um ano entre 500 e 600 metros de profundidade na Elevação do Rio Grande, registrando terremotos distantes para investigar a estrutura da crosta oceânica.

Pesquisadores do Observatório Nacional e da Marinha do Brasil instalaram dois sismógrafos no fundo do Atlântico, a aproximadamente 1.500 quilômetros da costa brasileira, na Elevação do Rio Grande. Os equipamentos foram posicionados entre 500 e 600 metros de profundidade durante uma operação realizada de 16 a 23 de agosto de 2026 e deverão registrar dados continuamente por cerca de um ano.

Segundo o Observatório Nacional, que publicou os detalhes da missão em 29 de setembro de 2026, a operação integra o projeto Rede Sismográfica Brasileira no Mar, o RSBR-Mar, coordenado pelo ON e financiado pela Finep. O objetivo científico é investigar a origem e a composição da Elevação do Rio Grande; a presença potencial de terras raras aumenta o interesse pela região, mas os equipamentos não foram instalados para localizar diretamente jazidas minerais.

Sismógrafos ficarão um ano trabalhando sem comunicação com a superfície

Observatório Nacional instala sismógrafos na Elevação do Rio Grande para analisar ondas sísmicas em região com potencial de terras raras.

Os dois equipamentos receberam os nomes de ERG1 e ERG2 e foram preparados para permanecer isolados no fundo do oceano durante aproximadamente 12 meses. Nesse período, funcionarão de forma autônoma, registrando e armazenando os sinais sísmicos em memória interna até que uma equipe retorne ao local para recuperá-los.

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Cada equipamento pesa cerca de 230 quilos quando equipado com a âncora de aço. O conjunto inclui um tubo de pressão de titânio projetado para suportar operações a até 6.000 metros de profundidade, embora a implantação atual tenha ocorrido em águas entre 500 e 600 metros.

Dentro da estrutura fica um sismômetro de banda larga fabricado pela Nanometrics. As baterias foram dimensionadas para garantir entre 12 e 14 meses de gravação contínua, característica necessária porque os instrumentos não mantêm comunicação em tempo real com a superfície.

A missão foi coordenada pelo pesquisador Sergio Fontes e contou diretamente com Gilberto Leite, André Nascimento e Diogo Coelho na instalação dos equipamentos e nos estudos sismológicos. Depois da implantação, o trabalho permanece em investigação enquanto os instrumentos acumulam os dados que serão analisados após a recuperação.

Terremotos distantes serão usados para revelar estrutura escondida sob a Elevação do Rio Grande

Os sismógrafos não precisam esperar um terremoto ocorrer exatamente na região estudada. A estratégia é registrar ondas produzidas por terremotos distantes e analisar como esses sinais atravessam as diferentes estruturas abaixo de cada equipamento.

Quando as ondas sísmicas encontram mudanças entre materiais com propriedades distintas, parte da energia sofre alterações e conversões. Os pesquisadores podem analisar essas respostas para estimar características da crosta sob as estações.

A técnica permitirá estudar, entre outros parâmetros, a espessura da crosta e a relação entre as velocidades das ondas sísmicas. Esses dados poderão ajudar a responder uma questão central sobre a Elevação do Rio Grande: qual é a natureza da estrutura geológica que forma esse grande platô submarino.

Determinar se sua origem é predominantemente continental ou oceânica tem implicações científicas e estratégicas. A informação ajuda a reconstruir a evolução geológica daquela área do Atlântico e amplia a base de dados utilizada em estudos brasileiros sobre a extensão da plataforma continental.

Região a 1.500 km do Brasil desperta interesse por potencial de terras raras

A Elevação do Rio Grande chama atenção também por seu potencial mineral. O Observatório Nacional informa que a região apresenta interesse econômico e geológico devido à possibilidade de ocorrência de diferentes recursos, incluindo elementos de terras raras.

Isso não significa que os dois novos sismógrafos estejam realizando prospecção direta desses minerais. Os OBSs medem ondas sísmicas para investigar a composição e a estrutura da crosta; os resultados poderão melhorar o conhecimento geofísico necessário para compreender a formação da região.

As terras raras formam um grupo de elementos utilizado em diferentes cadeias industriais e tecnológicas. Na Elevação do Rio Grande, porém, a informação confirmada pela fonte oficial é a existência de potencial de recursos minerais, e não uma estimativa de reservas comercialmente exploráveis.

Por isso, a missão avança para uma etapa de coleta de dados antes que os resultados geofísicos possam ser interpretados em conjunto com outras pesquisas. Durante aproximadamente um ano, os instrumentos permanecerão no fundo do Atlântico acumulando registros sem transmissão para terra.

Cada sismógrafo custou cerca de 80 mil euros e suporta até 6 mil metros

A dimensão tecnológica da missão aparece também no preço e na construção dos equipamentos. Cada OBS usado na expedição custou aproximadamente 80 mil euros e foi fabricado pela empresa alemã K.U.M.

O peso de aproximadamente 230 quilos inclui a âncora necessária para manter o instrumento no fundo oceânico. O tubo de titânio protege os componentes eletrônicos contra as pressões encontradas em grandes profundidades, enquanto o sistema de energia precisa manter todos os registros durante mais de um ano sem manutenção.

A autonomia cria uma dificuldade operacional adicional: uma falha não pode ser corrigida remotamente durante a missão. Por isso, o sistema precisa armazenar os registros internamente até o momento em que os equipamentos forem recuperados.

Esse formato também explica por que os resultados completos não estarão disponíveis imediatamente. A maior parte das informações científicas ficará armazenada nos próprios sismógrafos até sua retirada do fundo do mar, prevista depois do ciclo de aproximadamente um ano.

Dados também poderão apoiar estudos brasileiros sobre a plataforma continental

A instalação faz parte de uma demanda científica que também possui interesse estratégico para o Brasil. Segundo o Observatório Nacional, as informações obtidas deverão fornecer subsídios científicos à Marinha e ampliar o conhecimento geofísico usado nos estudos relacionados à plataforma continental brasileira.

O projeto RSBR-Mar busca justamente ampliar a capacidade de observação sísmica no ambiente oceânico. Estações terrestres conseguem registrar terremotos distantes, mas colocar sensores diretamente no fundo do mar permite obter dados em áreas onde não existe infraestrutura permanente de monitoramento em terra.

A missão na Elevação do Rio Grande combina ciência básica, tecnologia oceânica e interesse estratégico sobre uma região ainda pouco conhecida em detalhes. Entretanto, os dados precisam ser recuperados e analisados antes de qualquer conclusão sobre a estrutura crustal da área.

Até lá, ERG1 e ERG2 permanecerão entre 500 e 600 metros de profundidade, a cerca de 1.500 quilômetros da costa. A próxima etapa conhecida será a recuperação dos equipamentos e o processamento dos registros acumulados, que deverão ajudar os pesquisadores a reconstruir como a Elevação do Rio Grande se formou e qual é a natureza da crosta sob o platô.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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