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Marinha utiliza navios de madeira para enfrentar explosivos no oceano porque um casco de aço poderia aumentar o perigo
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 29/10/2026 às 11:48
Atualizado em 29/10/2026 às 11:50
Indústria Naval
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A Marinha do Brasil mantém três navios varredores da classe Aratu construídos com madeira e metais especiais para reduzir sinais magnéticos e acústicos perto de minas navais. Baseada em Salvador, a força também opera o caça-minas Amorim do Valle e prepara demonstrações de veículos não tripulados em novembro de 2026.
A Marinha do Brasil utiliza navios construídos com madeira e metais especiais para realizar operações contra minas explosivas no mar, uma escolha que tem relação direta com a segurança das embarcações. O material utilizado nos cascos ajuda a reduzir os sinais magnéticos e acústicos que poderiam contribuir para a detonação acidental desses artefatos. Três navios varredores da classe Aratu fazem parte da estrutura especializada da Força Naval, sediada em Salvador, na Bahia.
As informações foram divulgadas pela Agência Marinha de Notícias, assinada pela Capitão-Tenente (RM2-T) Daniela Meireles. A publicação explica como o Brasil se prepara para enfrentar minas navais, armamentos capazes de restringir a movimentação de navios e ameaçar áreas estratégicas, incluindo portos, refinarias e bases militares.
Navios de madeira reduzem o risco de detonação acidental de minas
Imagem: Marinha do Brasil
Os navios varredores brasileiros possuem uma característica diferente de muitas embarcações militares: seus cascos utilizam madeira e metais especiais para diminuir a influência magnética e acústica no ambiente.
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Essa construção tem uma finalidade de segurança. Durante operações em áreas com possíveis minas navais, os sinais emitidos por uma embarcação podem representar um risco, dependendo do funcionamento dos explosivos.
A utilização desses materiais ajuda a reduzir a assinatura magnética e acústica dos navios, diminuindo a possibilidade de detonação acidental.
Isso não significa que os navios sejam imunes às minas, mas que foram projetados para reduzir determinados riscos durante as operações.
Casco de aço poderia aumentar os sinais magnéticos da embarcação
A escolha dos materiais está ligada ao comportamento das minas que podem reagir à influência de embarcações próximas.
Um casco convencional de aço pode apresentar maior influência magnética do que uma estrutura projetada especificamente para reduzir esse efeito. Por isso, os navios varredores utilizam materiais que ajudam a diminuir esses sinais.
A Marinha destaca que a redução das assinaturas magnética e acústica é uma das medidas empregadas para evitar detonações acidentais.
A proteção depende das características da embarcação e das ameaças encontradas. O uso de madeira não elimina todos os perigos existentes em uma área minada.
Três navios da classe Aratu fazem parte da força especializada
A Marinha mantém três Navios-Varredores da classe Aratu no Comando da Força de Minagem e Varredura, localizado em Salvador, na Bahia.
Essas embarcações são especializadas em operações de varredura de minas navais, utilizando equipamentos próprios para enfrentar os artefatos explosivos.
Os navios da classe Aratu integram uma estrutura que também conta com outra embarcação especializada, destinada à localização e destruição de minas.
Navios varredores rebocam equipamentos que provocam a detonação das minas
A atuação dos navios varredores envolve o emprego de equipamentos rebocados durante as operações marítimas.
Segundo a Marinha, esses sistemas são utilizados para provocar a detonação de minas, permitindo a realização de operações de varredura em áreas ameaçadas por explosivos.
A atividade exige embarcações preparadas para operar em ambientes de risco, o que explica a importância de reduzir os sinais magnéticos e acústicos dos navios.
O objetivo é enfrentar as ameaças presentes na área marítima e contribuir para a segurança das operações navais.
Salvador concentra quatro navios de combate a minas
O Comando da Força de Minagem e Varredura possui quatro embarcações especializadas, conforme a estrutura apresentada pela Marinha em maio de 2026.
Três são navios varredores da classe Aratu. A quarta embarcação é o Navio Caça-Minas (NCM) Amorim do Valle, recentemente incorporado à força.
Os dois tipos de embarcação exercem funções relacionadas ao enfrentamento de minas, mas utilizam métodos diferentes.
Enquanto os varredores empregam equipamentos rebocados, o caça-minas conta com recursos de detecção e identificação das ameaças antes de sua destruição.
Amorim do Valle utiliza sonar e veículos controlados à distância
O Navio Caça-Minas Amorim do Valle amplia a capacidade da Marinha de identificar explosivos no ambiente marítimo.
A embarcação utiliza sensores acústicos modernos, incluindo sonar e ecobatímetro, integrados a sistemas não tripulados.
Esses equipamentos permitem detectar e identificar possíveis ameaças, que posteriormente podem ser destruídas por mergulhadores especializados ou veículos remotamente controlados.
A utilização de sistemas sem tripulação também ajuda a reduzir a exposição direta dos militares a áreas onde existem minas.
Robôs podem destruir explosivos sem expor diretamente os militares
Os veículos remotamente controlados fazem parte das tecnologias utilizadas nas operações de contramedidas de minagem.
Esses sistemas permitem que determinadas atividades sejam realizadas sem a necessidade de colocar militares diretamente na área ameaçada.
O Capitão de Fragata Rodrigo Bouças, comandante da Força de Minagem e Varredura, destaca que essas operações exigem elevado preparo técnico e envolvem riscos significativos.
Segundo o oficial, o emprego de sistemas não tripulados contribui para aumentar a segurança das tripulações e melhorar a eficiência das operações.
Minas navais podem impedir a passagem de navios sem atingir nenhum deles
As minas navais não precisam necessariamente destruir uma embarcação para produzir efeitos militares.
De acordo com Rodrigo Bouças, a presença desses artefatos pode gerar incerteza, restringir deslocamentos e aumentar os custos enfrentados por forças navais.
O comandante explica que essa característica torna as minas relevantes mesmo diante de adversários com capacidade militar superior.
O armamento pode ser utilizado para dificultar o acesso a determinadas regiões marítimas, criando obstáculos à movimentação de embarcações.
Brasil mantém capacidade de lançar minas em todos os Distritos Navais
A Marinha do Brasil também possui capacidade de utilizar minas navais em operações defensivas.
Segundo a instituição, essa capacidade está presente em todos os Distritos Navais, com embarcações aptas ao emprego desse tipo de armamento.
As minas podem ser utilizadas para restringir o acesso a pontos considerados estratégicos do litoral brasileiro.
A estrutura de defesa é orientada por procedimentos próprios da Marinha e aprimorada por treinamentos realizados com militares e equipamentos de exercício.
Portos, refinarias e bases militares estão entre as áreas protegidas
A capacidade de minagem defensiva da Marinha está relacionada à proteção de instalações consideradas essenciais para o País.
Entre os exemplos mencionados estão complexos portuários, refinarias e bases militares, estruturas que podem exigir medidas específicas de defesa em situações de ameaça.
A utilização de minas para restringir acessos integra esse planejamento, assim como a capacidade de localizar e remover artefatos lançados por forças adversárias.
A Marinha mantém exercícios de lançamento e recolhimento de minas de treinamento e simulacros para aperfeiçoar a preparação de suas equipes.
Suspeita de minas iranianas no Estreito de Ormuz colocou o tema em evidência
O debate sobre a segurança marítima ganhou destaque em maio de 2026 diante da suspeita de lançamento de minas navais pelo Irã no Estreito de Ormuz.
A região é uma das principais rotas utilizadas no comércio internacional de petróleo, o que torna a segurança da navegação especialmente importante.
A Marinha brasileira citou o episódio para demonstrar como minas navais podem ter impacto estratégico em situações de tensão internacional.
A informação apresentada tratava de uma suspeita de lançamento de minas, não de uma confirmação de que os artefatos haviam sido instalados na região.
Marinha prepara demonstrações de veículos autônomos em novembro
A modernização das operações de combate a minas terá uma nova etapa entre 9 e 13 de novembro de 2026, em Salvador.
Nesse período, está prevista a segunda edição da ARAMUSS, sigla de Aratu Maritime Unmanned Systems Simulation.
O evento será realizado na Base Naval de Aratu e reunirá representantes da academia, da indústria e do setor de defesa.
A programação prevê demonstrações práticas de veículos autônomos e remotamente operados, com aplicações voltadas às contramedidas de minagem.
Marinha combina navios de madeira e sistemas não tripulados para proteger o litoral
A estrutura brasileira de combate a minas reúne embarcações com características diferentes. Os três navios varredores da classe Aratu utilizam madeira e metais especiais para reduzir a assinatura magnética e acústica, enquanto o Amorim do Valle emprega sensores e sistemas não tripulados para localizar e enfrentar ameaças.
A Marinha também mantém capacidade de minagem defensiva em seus Distritos Navais, voltada à proteção de áreas estratégicas do território nacional.
A próxima atividade anunciada de modernização será a ARAMUSS, programada para 9 a 13 de novembro de 2026, em Salvador, com demonstrações de tecnologias autônomas e remotamente controladas para operações contra minas navais.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

