A trajetória de Meire Maria Sergio de Menezes, conhecida como Meire Sérgio, está ligada à vida pública de Jordão, no Acre. Com três mandatos como vereadora e mais de seis anos à frente da Secretaria Municipal de Educação- somente na atual gestão, ela construiu uma caminhada de trabalho e participação na comunidade. Única mulher reeleita na história de Jordão e também que ocupou a pasta da educação em três gestões diferentes.
Nesta quinta-feira (8), essa trajetória ganhou um novo capítulo com sua exoneração pelo prefeito Naudo Ribeiro (Progressistas). Segundo o relato apresentado, a decisão teria sido motivada pela insatisfação do prefeito com a baixa votação de seus candidatos no município.
Naudo apoiava Zezinho Barbary para deputado federal e Nicolau Júnior para deputado estadual. Nicolau foi reeleito para a Assembleia Legislativa do Acre, mas recebeu pouco mais de 300 votos em Jordão. Já Barbary teria obtido cerca de 900 votos, abaixo da expectativa de dois mil.
Ainda conforme o relato, Meire apoiou os candidatos indicados pelo prefeito, embora seu irmão, Jesus Sérgio, e sua cunhada, Neia, também fossem candidatos a deputado federal e estadual, respectivamente. A cobrança, porém, teria se estendido à vereadora Laura, filha de Meire e sobrinha de Jesus, que não acompanhou as escolhas do prefeito.
Outros vereadores e secretários também não teriam apoiado Nicolau Júnior. Diante disso, atribuir a responsabilidade pelo resultado eleitoral somente a Meire levanta uma pergunta: por que a cobrança recairia apenas sobre ela?
Essa discussão também pede um olhar para a história política do município. Meire e sua família contribuíram para abrir as portas do PDT a Naudo Ribeiro, que foi eleito com o apoio de Jesus Sérgio, então deputado federal. Essa participação merece ser lembrada ao avaliar a relação construída ao longo dos anos.
Na gestão de Elson Farias, o grupo político do então prefeito apoiou três candidaturas a deputado estadual: Jesus Sérgio, Jenilson Leite e Edvaldo Magalhães. Os três foram bem votados e eleitos, mostrando que diferentes apoios já conviveram dentro de um mesmo grupo político.
A história de Meire Sérgio merece ser considerada para além de uma disputa eleitoral. São três mandatos no Legislativo e mais de seis anos na gestão da Educação — uma trajetória que não pode ser resumida à votação de determinados candidatos.
Sua saída do cargo encerra uma etapa, mas não apaga sua participação na história de Jordão. Reconhecer essa caminhada é valorizar o trabalho dedicado à população e lembrar que resultados eleitorais envolvem escolhas individuais e responsabilidades compartilhadas.