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Mesmo com queda do gás importado da Bolívia, MSGás avança com gasoduto de 125 km para fábrica da Arauco e prepara expansão em Dourados

Mesmo com queda do gás importado da Bolívia, MSGás avança com gasoduto de 125 km para fábrica da Arauco e prepara expansão em Dourados

Mesmo com queda do gás importado da Bolívia, MSGás avança com gasoduto de 125 km para fábrica da Arauco e prepara expansão em Dourados

Escrito por Ruth Rodrigues

Publicado em 16/10/2026 às 19:40

Atualizado em 16/10/2026 às 19:45

Petróleo e Gás

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Gás natural seguirá abastecendo Mato Grosso do Sul mesmo com menor fluxo da Bolívia, enquanto MSGás avança com projetos em Inocência e Dourados. Fonte: Divulgação.

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Gás natural seguirá abastecendo Mato Grosso do Sul mesmo com menor fluxo da Bolívia, enquanto MSGás avança com projetos em Inocência e Dourados.

A MSGás mantém seus projetos de ampliação do fornecimento de gás natural em Mato Grosso do Sul, apesar da redução das importações da Bolívia pelo Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol). Entre as iniciativas estão a construção de uma ligação de 125 quilômetros para atender à fábrica de celulose da Arauco, em Inocência, e a chegada do combustível a Dourados, com a Seara como primeira grande consumidora. Segundo a diretora-presidente da distribuidora, Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, em entrevista ao Campo Grande News, a diminuição do gás boliviano tem consequências para a arrecadação estadual, mas não deverá prejudicar o abastecimento dos clientes.

A avaliação considera o tamanho atual do mercado sul-mato-grossense. O estado utiliza aproximadamente 600 mil metros cúbicos do combustível por dia, enquanto o Gasbol movimenta cerca de 13 milhões de metros cúbicos diariamente. Mesmo após a incorporação de novas indústrias, a projeção apresentada pela executiva é de que a demanda local continue inferior a 1 milhão de m³ por dia.

Queda nas importações ameaça receita bilionária de ICMS em Mato Grosso do Sul

A redução do gás comprado da Bolívia produz um efeito importante sobre as finanças públicas, ainda que a MSGás não preveja dificuldades para atender seus consumidores. Isso acontece porque Mato Grosso do Sul arrecada ICMS sobre a entrada do combustível em território brasileiro, realizada por Corumbá, inclusive quando o destino final são outros estados.

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As estimativas do governo estadual indicam uma diminuição expressiva dessa fonte de recursos ao longo dos próximos anos. O valor registrado em 2022 serve como referência para um cenário de receitas progressivamente menores até 2028.

Os números apresentados são:

Se o cenário projetado se concretizar, a perda de receita entre 2022 e 2028 alcançará 71,8%. A presidente da MSGás esclarece, entretanto, que esses valores pertencem ao Tesouro Estadual. Eles não representam o faturamento da distribuidora, cuja atividade de distribuição é regulada pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems).

Inocência receberá ligação de 125 quilômetros para atender à indústria de celulose

Enquanto o estado acompanha a perspectiva de redução na arrecadação tributária, uma das maiores obras da história da MSGás está em implantação no leste sul-mato-grossense. O empreendimento atenderá à unidade industrial da multinacional chilena Arauco, que está sendo instalada no município de Inocência.

A nova estrutura terá 125 quilômetros de extensão e partirá da área de Três Lagoas, onde será conectada ao Gasbol. Com a construção, a distribuidora ampliará sua infraestrutura para levar o combustível diretamente à fábrica de celulose, criando condições de atendimento a uma nova demanda industrial.

A futura operação da Arauco poderá também comprar gás de fornecedores escolhidos pela própria companhia, utilizando o chamado mercado livre. Nesse formato, a MSGás permanece responsável pelo serviço de distribuição, enquanto a negociação comercial do combustível ocorre diretamente entre a indústria consumidora e o fornecedor.

Seara será a primeira grande cliente da expansão do gás natural em Dourados

A chegada do combustível a Dourados seguirá um modelo diferente daquele utilizado no empreendimento de Inocência. Em vez de depender inicialmente de uma conexão por gasoduto, o fornecimento será realizado com gás natural comprimido (GNC), levado até a cidade por caminhões.

A Seara deverá concentrar o consumo na fase inicial dessa operação. A previsão informada pela MSGás é começar com aproximadamente 2 mil metros cúbicos diários, quantidade que poderá atingir 10 mil m³ por dia em uma etapa posterior, conforme o desenvolvimento do atendimento.

O início das entregas estava previsto para o segundo semestre de 2026. A estratégia da companhia consiste em estabelecer uma demanda industrial inicial que viabilize, posteriormente, a inclusão de outras empresas de Dourados entre os consumidores de gás natural.

Dessa forma, a expansão para a segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul se apoia primeiro no consumo de uma indústria de grande porte, sem exigir a implantação imediata de um gasoduto semelhante ao que está sendo construído para a Arauco.

Mais de 90% do gás consumido pelos grandes clientes já é negociado no mercado livre

Uma das mudanças destacadas pela presidente da MSGás está na maneira como as grandes indústrias contratam o combustível. Atualmente, mais de 90% do volume consumido pelos clientes de maior porte da distribuidora já pertence ao mercado livre, no qual as empresas podem escolher seus fornecedores.

A regulamentação estadual autoriza a migração de consumidores industriais que utilizam, em média, pelo menos mil metros cúbicos de gás por dia, desde que cumpram as demais exigências aplicáveis. Essa condição consta da Portaria AGEMS nº 103/2013, que recebeu atualização em novembro de 2025. Para o biometano, não existe exigência de volume mínimo.

Entre as empresas que já adotaram a contratação livre estão Suzano e Eldorado Brasil. Outras duas indústrias, Citrel e ADM, têm expectativa de realizar essa mudança em 2027, enquanto a Arauco poderá utilizar o mesmo modelo quando sua unidade entrar em operação.

A abertura comercial, entretanto, não significa que todos os consumidores devam abandonar o sistema tradicional. Para negócios menores, administrar separadamente os contratos de compra, transporte e distribuição pode representar uma complexidade que nem sempre compensa a migração.

Petrobras continuará fornecendo gás para a MSGás até 2034

No mercado cativo, que inclui residências, pequenos comércios e indústrias de menor porte, a distribuidora continua encarregada tanto da aquisição quanto da entrega do combustível. Para garantir esse atendimento, a MSGás dispõe de um acordo de fornecimento com a Petrobras, cuja vigência se estende até 2034.

Esse contrato permite adequar os volumes adquiridos à medida que grandes consumidores passam a negociar suas próprias compras. Além disso, a companhia utiliza contratações de curto prazo quando surgem necessidades temporárias de maior fornecimento.

O modelo combina, portanto, contratos destinados aos clientes cativos com o atendimento de distribuição às empresas que participam do mercado livre. Na avaliação de Cristiane, essa organização comercial contribui para a segurança do atendimento estadual, mesmo diante das mudanças no fluxo internacional de gás.

Gás argentino de Vaca Muerta aparece como alternativa à queda da produção boliviana

A diminuição do combustível transportado pelo Gasbol está relacionada, segundo a presidente da MSGás, ao enfraquecimento da produção na Bolívia. Na avaliação apresentada por Cristiane, o país vizinho não realizou investimentos suficientes nos últimos anos para conservar os patamares de exportação anteriormente destinados ao Brasil.

Uma possibilidade para recuperar os volumes seria ampliar os aportes na própria produção boliviana. Outra alternativa envolveria elevar a participação do gás produzido na Argentina, especialmente na região de Vaca Muerta, entre os suprimentos enviados ao mercado brasileiro.

Nesse segundo cenário, seriam necessárias intervenções na infraestrutura de transporte para permitir a movimentação de quantidades maiores. Portanto, o aumento das importações argentinas dependeria de condições que ainda precisariam ser viabilizadas.

Fonte

Campo Grande News


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

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