PA
Faça um comentário
7 min de leitura
Mina de ouro no Pará aumenta produção em 22%, extrai quase 45 mil onças em apenas três meses e aproxima mineradora canadense da meta de 190 mil onças para 2026, com operação em expansão no Brasil
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 08/10/2026 às 22:15
Atualizado em 08/10/2026 às 22:30
Mineração
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Operação da G Mining Ventures em Tocantinzinho registra seu melhor trimestre de 2026, movimenta 6,8 milhões de toneladas de material e aposta em uma região mais rica em ouro para acelerar a extração nos últimos meses do ano.
A mina de ouro Tocantinzinho, localizada no Pará e controlada pela mineradora canadense G Mining Ventures, encerrou o terceiro trimestre de 2026 com um salto de 22% na produção em comparação com os três meses anteriores. Entre julho e setembro, a operação extraiu 44.960 onças de ouro, resultado que representa seu melhor desempenho trimestral do ano e reforça as perspectivas de crescimento da companhia no Brasil.
Os números foram apresentados nesta quinta-feira, 8 de outubro, em comunicado oficial da G Mining Ventures. A empresa informou que a produção acumulada entre janeiro e setembro chegou a 113.651 onças de ouro, enquanto as vendas alcançaram 114.325 onças.
A mineradora trabalha com uma projeção de produção anual entre 160 mil e 190 mil onças. Embora o limite superior dessa faixa chame a atenção, a própria companhia considera que os resultados atuais sustentam principalmente a expectativa de alcançar o ponto médio da estimativa, equivalente a 175 mil onças.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
O desempenho coloca Tocantinzinho em uma etapa importante de sua expansão operacional. Mais do que aumentar a quantidade de minério retirada do solo, a empresa está tentando elevar a quantidade de ouro recuperada em cada tonelada processada, aproveitando o avanço da lavra sobre áreas com maior concentração do metal.
Mina Tocantinzinho movimentou 6,8 milhões de toneladas em três meses e ampliou o ritmo de extração
O crescimento de 22% na produção de ouro não aconteceu isoladamente. Ele foi acompanhado por uma intensificação das atividades de mineração e pelo aumento do volume de material movimentado dentro da operação paraense.
Segundo o relatório preliminar da G Mining Ventures, Tocantinzinho movimentou aproximadamente 6,83 milhões de toneladas de minério e estéril durante o terceiro trimestre.
Desse total, cerca de 1,97 milhão de toneladas corresponderam ao minério extraído, enquanto outras 4,86 milhões de toneladas eram de material estéril, que precisa ser removido para permitir o acesso às zonas mineralizadas.
A movimentação média chegou a 74.209 toneladas por dia, crescimento de 7% em relação ao segundo trimestre.
Esse detalhe ajuda a compreender uma característica importante da mineração industrial de ouro: o volume total retirado de uma mina não corresponde à quantidade de material efetivamente transformada em produto comercial.
Boa parte do trabalho consiste justamente em remover rochas e solos que cobrem ou cercam os depósitos minerais.
Em Tocantinzinho, a relação entre estéril removido e minério extraído ficou em 2,47 para 1 durante o trimestre.
A intensificação dessa movimentação acompanha o planejamento de lavra da companhia, que busca acessar regiões com teores mais elevados de ouro e preparar a operação para os próximos ciclos de produção.
Planta industrial processa mais de 12 mil toneladas por dia e recupera 92% do ouro presente no minério
Outro indicador importante apareceu dentro da planta de beneficiamento.
Durante o terceiro trimestre de 2026, a instalação processou, em média, 12.372 toneladas de minério por dia, acima das 11.890 toneladas diárias registradas no mesmo período de 2025.
No acumulado dos três meses, aproximadamente 1,14 milhão de toneladas passaram pelo circuito de processamento.
O teor médio do minério beneficiado foi de 1,33 grama de ouro por tonelada, enquanto a taxa de recuperação metalúrgica alcançou 92%.
Em termos práticos, isso significa que a unidade conseguiu recuperar aproximadamente 92% do ouro contido no minério alimentado na planta, considerando os indicadores metalúrgicos divulgados pela empresa.
A diferença parece pequena quando observada apenas como percentual. Em uma operação que movimenta milhões de toneladas de rocha, porém, a eficiência de recuperação tem efeito direto sobre a quantidade final de metal produzido.
O presidente e CEO da G Mining Ventures, Louis-Pierre Gignac, atribuiu o avanço do trimestre à combinação de melhores teores de minério, maior eficiência de recuperação e crescimento da capacidade operacional efetivamente utilizada.
Segundo o executivo, esses indicadores permitiram que Tocantinzinho registrasse seus resultados trimestrais mais fortes de 2026 até o momento.
Produção cresceu 22% em relação ao trimestre anterior, mas ainda ficou abaixo do mesmo período de 2025
A comparação com o ano passado mostra uma situação menos linear do que o crescimento trimestral sugere.
Entre julho e setembro de 2025, a mina havia produzido 46.360 onças de ouro. No terceiro trimestre de 2026, foram 44.960 onças.
Isso significa que, apesar do avanço de 22% em relação ao segundo trimestre deste ano, a produção ficou aproximadamente 3% abaixo do volume registrado no mesmo intervalo de 2025.
O teor médio do minério também foi inferior na comparação anual: passou de 1,43 grama por tonelada no terceiro trimestre de 2025 para 1,33 grama por tonelada em 2026.
Por outro lado, a operação aumentou o processamento e a movimentação total de material.
Essa diferença entre os indicadores merece atenção. A quantidade de ouro produzida depende tanto do volume de minério beneficiado quanto de sua concentração mineral e da capacidade da planta de recuperar o metal.
Uma mina pode processar mais toneladas e, mesmo assim, não superar a produção de um período anterior se o minério apresentar teor inferior.
É justamente nesse ponto que a G Mining Ventures pretende concentrar seus esforços para o encerramento de 2026.
Mineradora canadense aposta em nova fase da jazida para elevar a concentração de ouro e acelerar a produção
A expectativa da companhia para os últimos meses do ano está associada ao avanço das atividades de lavra sobre a chamada Fase 2 da mineralização de Tocantinzinho.
De acordo com Louis-Pierre Gignac, o planejamento operacional está permitindo acessar gradualmente áreas com maior teor de ouro.
Esse avanço deve contribuir para um aumento da concentração do metal no minério enviado à planta industrial, criando condições para uma elevação da produção no quarto trimestre.
A meta anual ajuda a dimensionar o desafio.
Depois de produzir 113.651 onças nos nove primeiros meses de 2026, Tocantinzinho ainda precisa entregar 46.349 onças para alcançar o limite inferior de 160 mil onças previsto para o ano.
Para atingir o ponto médio da projeção, de 175 mil onças, seriam necessárias outras 61.349 onças até dezembro.
Já o limite superior de 190 mil onças exigiria uma produção adicional de 76.349 onças no quarto trimestre, volume significativamente superior ao alcançado entre julho e setembro.
A G Mining Ventures não anunciou que o teto da projeção será atingido. Sua avaliação oficial é de que a mina permanece em condições de alcançar o ponto médio da faixa estimada.
O desempenho da Fase 2 será, portanto, decisivo para determinar em que posição Tocantinzinho encerrará o exercício de 2026.
Projeto no Pará integra estratégia de crescimento da G Mining Ventures, que prevê produção ainda maior em 2027
O avanço de Tocantinzinho também faz parte de um planejamento mais amplo da G Mining Ventures para ampliar sua produção de ouro.
Nas projeções apresentadas anteriormente pela companhia, a mina paraense poderá produzir entre 200 mil e 235 mil onças em 2027, considerando a contribuição de um ano inteiro de exploração das áreas com maior teor de minério previstas na Fase 2.
O intervalo representa uma expansão importante em relação à projeção atual.
No ponto médio das estimativas, a mineradora espera passar de 175 mil onças em 2026 para 217,5 mil onças em 2027, uma elevação projetada de aproximadamente 24%.
A expectativa está relacionada à maturação da operação, ao melhor aproveitamento do depósito mineral e à continuidade dos trabalhos de extração e beneficiamento.
A G Mining Ventures também mantém outros projetos minerais em sua carteira, incluindo o empreendimento Oko West, na Guiana, e o Projeto Gurupi, no Brasil.
Tocantinzinho, entretanto, ocupa atualmente uma posição central na estratégia produtiva da empresa por ser uma operação já em funcionamento, responsável pela geração efetiva de ouro e pela consolidação dos resultados operacionais.
Os próximos meses mostrarão se a combinação de maiores teores, processamento industrial e avanço da lavra conseguirá sustentar o crescimento esperado.
A companhia programou a divulgação dos resultados financeiros e operacionais completos do terceiro trimestre para 12 de novembro de 2026, com apresentação aos investidores no dia seguinte.
Até lá, os números anunciados são preliminares e estão sujeitos à conciliação final. O balanço completo deverá acrescentar informações sobre custos, desempenho financeiro e rentabilidade da operação, dimensões fundamentais para avaliar o efeito econômico do aumento da produção.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

