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Mina que fornecia 1% do cobre do planeta pode voltar após paralisação atingir 30 mil empregos e custar quase US$ 1,4 bilhão ao Panamá

Mina que fornecia 1% do cobre do planeta pode voltar após paralisação atingir 30 mil empregos e custar quase US$ 1,4 bilhão ao Panamá

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Mina que fornecia 1% do cobre do planeta pode voltar após paralisação atingir 30 mil empregos e custar quase US$ 1,4 bilhão ao Panamá

Escrito por Ana Alice

Publicado em 07/10/2026 às 06:58

Atualizado em 07/10/2026 às 07:05

Mineração

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Cobre Panamá pode voltar a operar após comissão recomendar negociação; mina respondia por cerca de 1% do cobre mundial antes da paralisação. – Créditos: Alamy/Dialogue.Earth

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A mina Cobre Panamá, uma das maiores operações de cobre abertas no mundo nas últimas décadas, voltou ao centro das discussões no país após uma comissão interministerial recomendar ao presidente José Raúl Mulino a abertura de negociações formais com a canadense First Quantum Minerals.

A proposta prevê avaliar uma retomada das atividades sob novas condições, vinculada a um plano de fechamento gradual e ordenado da operação.

Antes da paralisação, no fim de 2023, a mina respondia por cerca de 1% da produção mundial de cobre, segundo a Reuters.

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A First Quantum calcula que sua participação chegou a até 1,5% da oferta global naquele ano, quando Cobre Panamá produziu aproximadamente 331 mil toneladas do metal.

O fechamento teve efeitos econômicos significativos. Estudo analisado pelo governo panamenho aponta mais de 6 mil empregos diretos e cerca de 30 mil indiretos ligados à operação antes da interrupção.

A Reuters informa ainda que a paralisação reduziu as receitas do Estado em quase US$ 1,4 bilhão.

Apesar da recomendação, não há autorização para a retomada da mineração.

O relatório entregue ao governo em 30 de setembro deixa claro que a decisão caberá exclusivamente ao presidente e que nenhuma data para uma eventual reativação foi definida.

A comissão foi criada em julho de 2026 para analisar a situação técnica, ambiental, econômica e jurídica de Cobre Panamá.

Ao final do trabalho, apresentou 17 recomendações e seis critérios que deveriam orientar qualquer solução para o empreendimento.

A principal recomendação é autorizar a abertura formal de negociações com a First Quantum para avaliar um novo acordo.

Esse modelo teria de encerrar os processos arbitrais pendentes e estabelecer condições para colocar a operação novamente em funcionamento com o objetivo de financiar um fechamento ordenado, sem custo para o Estado e sem possibilidade de prorrogação depois do período acordado.

A First Quantum confirmou o recebimento das recomendações e afirmou estar disposta a participar de conversas com o governo panamenho.

A companhia reproduziu em comunicado a recomendação para que seja analisada a viabilidade de um novo acordo compatível com a decisão da Suprema Corte.

Entre as condições propostas estão a proibição de ampliar a área ocupada pela mina, a redução progressiva de sua pegada territorial e a definição de uma data para o encerramento definitivo.

O relatório também recomenda que passivos ambientais que não possam ser revertidos sejam identificados, quantificados e financiados.

Mina não produz cobre desde 2023

Cobre Panamá interrompeu a produção em novembro de 2023 depois de uma crise que envolveu manifestações populares, questionamentos ambientais e uma disputa sobre o contrato de concessão.

Naquele período, a Suprema Corte do Panamá declarou inconstitucional a lei que aprovava o contrato da First Quantum para a operação.

A produção foi então suspensa, e a mina passou a permanecer em uma fase de preservação e gerenciamento seguro.

Atualmente, não há extração mineral em andamento, segundo o governo. A estrutura permanece monitorada e recebe atividades de manutenção, controle de água e acompanhamento das instalações de rejeitos.

O governo autorizou também o processamento de rocha que já havia sido retirada do depósito mineral antes da paralisação.

De acordo com o relatório oficial, havia cerca de 31,6 milhões de toneladas de material previamente extraído armazenadas no local, das quais aproximadamente 16% já tinham sido processadas até a elaboração do documento.

Essa atividade não representa uma retomada da lavra.

O governo afirma que o processamento faz parte das medidas adotadas para reduzir riscos associados ao material estocado e financiar parte dos custos de preservação da estrutura.

Vista aérea da paralisada mina Cobre Panamá, da companhia canadense First Quantum Minerals – Créditos: AFP/Arquivos

Fechamento atingiu empregos, fornecedores e arrecadação

O peso econômico de Cobre Panamá ajuda a explicar por que o futuro do empreendimento continua sendo discutido três anos depois da paralisação.

A First Quantum informa que a mina representava cerca de 5% do Produto Interno Bruto do Panamá em 2023.

Para a companhia, o ativo também era central: a Reuters calculou que a operação respondia por aproximadamente 40% da receita da mineradora antes da interrupção.

O relatório apresentado ao governo registra mais de 6 mil postos diretos e aproximadamente 30 mil empregos indiretos relacionados à mina antes do fechamento.

Cerca de 2 mil fornecedores panamenhos também estavam cadastrados na cadeia do empreendimento, sendo aproximadamente três quartos micro, pequenas e médias empresas.

Segundo a comissão, manter a situação sem uma solução definida também tem custo.

O relatório calcula que o Panamá deixa de gerar cerca de 6,85 milhões de balboas em divisas por dia, enquanto um fechamento definitivo sem acordo poderia exigir entre 2,6 bilhões e 3,4 bilhões de balboas ao longo de 17 a 19 anos.

Essas projeções são do governo panamenho e consideram despesas de monitoramento, manutenção, tratamento de água, estabilidade física e outras obrigações necessárias mesmo sem produção mineral.

Cobre Panamá produziu 331 mil toneladas em seu último ano

Antes da suspensão, Cobre Panamá estava entre os principais ativos de cobre da First Quantum.

Em 2023, mesmo com a paralisação no fim de novembro, a operação produziu 330,9 mil toneladas de cobre. No ano anterior, haviam sido aproximadamente 350,4 mil toneladas.

O complexo está localizado na província de Colón, cerca de 120 quilômetros a oeste da Cidade do Panamá.

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A estrutura inclui mina a céu aberto, planta de processamento, central elétrica e porto internacional. A First Quantum informa ainda reservas minerais provadas e prováveis da ordem de 3 bilhões de toneladas.

Em junho de 2026, uma auditoria encomendada pelo governo apontou ampla conformidade da operação em diferentes critérios, mas também registrou problemas ambientais relacionados a reflorestamento, recuperação de habitats, biodiversidade, rejeitos, qualidade da água e erosão.

O presidente José Raúl Mulino afirmou que analisará o relatório antes de anunciar uma decisão.

Até o momento, portanto, Cobre Panamá permanece sem produção mineral e não existe uma data oficial para eventual retomada das operações.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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