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Mineração de ouro recebe R$ 120 milhões no Amapá e inicia instalação de operação que prevê dispensar mercúrio e barragens de rejeitos
Escrito por Ana Alice
Publicado em 25/10/2026 às 23:30
Mineração
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Projeto em Lourenço, no município de Calçoene, avança após licenciamento ambiental e prevê usar tecnologia gravimétrica para processar ouro sem mercúrio e sem barragens convencionais de rejeitos.
A Zion Mineração iniciou a instalação de uma operação de ouro no distrito do Lourenço, em Calçoene, no norte do Amapá, com investimento de R$ 120 milhões.
Segundo a Agência de Notícias do Amapá, o avanço do empreendimento foi anunciado em 7 de outubro de 2026, após a concessão do licenciamento ambiental, e já havia máquinas trabalhando na área.
O projeto prevê uma mudança relevante na forma de processamento do ouro na região.
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De acordo com a Secretaria de Estado da Mineração (Semin), a estrutura pretende utilizar tecnologia gravimétrica, substituindo o uso de mercúrio e outros insumos químicos no processo descrito pelo governo e dispensando barragens convencionais de rejeitos.
Neste momento, porém, essa configuração representa a proposta apresentada para a futura operação, e não um resultado ambiental já medido depois do início da produção.
Investimento de R$ 120 milhões entra em fase de instalação
O investimento havia sido apresentado publicamente dois meses antes.
Em 8 de agosto, durante a Expofeira 2026, o Governo do Amapá informou que a Zion destinaria mais de R$ 120 milhões à retomada e modernização da exploração de ouro no Garimpo do Lourenço, em parceria com o empresário amapaense Francisco Nogueira.
Na ocasião, a administração estadual identificou a empresa como atuante na exploração de ouro e cobre no Pará.
A previsão divulgada em agosto era de que a fase operacional começasse em aproximadamente 20 dias, com a chegada de equipamentos pesados.
O cronograma, no entanto, não aparece dessa forma nas atualizações oficiais seguintes. Em outubro, o Governo do Amapá ainda descrevia o empreendimento como em fase de instalação, agora após o licenciamento ambiental.
A diferença é importante porque a chegada de máquinas e a montagem da estrutura não significam necessariamente o início da produção comercial.
Até a atualização oficial de outubro, não havia sido divulgada uma nova data para o começo da operação em escala produtiva, nem informações detalhadas sobre capacidade de processamento ou produção anual prevista.
Segundo o Governo do Amapá, a Secretaria de Mineração participou das negociações entre investidores e órgãos reguladores desde o primeiro semestre.
A gestão estadual afirma que o empreendimento deverá gerar empregos diretos e movimentar fornecedores ligados à cadeia mineral. O número estimado de postos de trabalho, porém, não foi informado.
Tecnologia gravimétrica deve substituir uso de mercúrio
A principal diferença tecnológica anunciada está no beneficiamento do minério.
Na concentração gravimétrica, equipamentos exploram diferenças de densidade entre o ouro e os demais minerais presentes no material processado. Dependendo das características do minério, esse tipo de separação pode concentrar partículas de ouro sem recorrer à amalgamação com mercúrio.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente também reconhece métodos gravimétricos entre as alternativas usadas em processos de recuperação de ouro sem mercúrio.
Segundo materiais técnicos do Pnuma, rotas desse tipo podem reduzir a exposição de trabalhadores e as liberações do metal no ambiente. A eficiência, entretanto, varia de acordo com fatores como granulometria, composição do minério e etapas posteriores de recuperação.
Por isso, a afirmação de que o empreendimento do Lourenço será livre de mercúrio deve permanecer atribuída ao projeto e ao Governo do Amapá.
Os documentos públicos disponíveis até agora não apresentam o fluxograma industrial completo da Zion nem resultados de testes de recuperação que permitam avaliar de forma independente o desempenho da planta.
O mesmo cuidado vale para a afirmação sobre a ausência de barragens de rejeitos.
O secretário estadual de Mineração, Mamede Barbosa, afirmou que o projeto pretende eliminar esse tipo de estrutura ao combinar o novo processamento com outra forma de gerenciamento do material descartado.
A comunicação oficial, no entanto, não detalha qual sistema será empregado para desaguamento, armazenamento ou disposição dos rejeitos gerados pelo beneficiamento.
Histórico do Lourenço aumenta peso da mudança tecnológica
A escolha de uma rota sem mercúrio ganha importância adicional por causa do histórico mineral do distrito do Lourenço.
A região está entre as áreas mais tradicionais de exploração de ouro do Amapá, com registros da atividade desde o fim do século XIX.
Um diagnóstico produzido pelo Ministério de Minas e Energia em conjunto com instituições estaduais já havia apontado impactos associados ao garimpo na região, entre eles assoreamento, alteração de cursos d’água e risco de contaminação por mercúrio.
Esse histórico também chegou à esfera judicial.
Em processo relacionado à Operação Minamata, iniciada em 2017, o Ministério Público Federal investigou irregularidades em atividades garimpeiras no Lourenço.
Em decisão divulgada pelo MPF em dezembro de 2025, houve condenação relacionada a crimes ambientais praticados entre 2010 e 2017, período em que investigadores apontaram uso irregular de mercúrio na região.
O caso é anterior ao atual projeto da Zion e não representa acusação contra a nova empresa. Ainda assim, ajuda a explicar a importância dada pelo governo a tecnologias que prometem evitar o uso do metal no processamento do ouro.
Governo tenta regularizar atividade mineral no distrito
Ao longo de 2026, o Governo do Amapá também ampliou ações de regularização da atividade mineral no Lourenço.
Em abril, a Secretaria de Mineração informou a concessão de uma Licença de Operação à Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros do Distrito do Lourenço, a Coogal.
A autorização estabeleceu exigências como monitoramento ambiental, recuperação de áreas degradadas e adoção de práticas de segurança.
A licença concedida à cooperativa é um processo distinto do empreendimento anunciado pela Zion.
Nas informações divulgadas sobre o investimento de R$ 120 milhões, o governo afirma que a empresa recebeu licenciamento ambiental para avançar com a instalação, mas não informa no material público consultado o número da licença, sua validade, as condicionantes impostas ou a relação jurídica entre a operação da companhia e os títulos minerais existentes no distrito.
O Lourenço também está incluído no projeto estadual de criação de Distritos Mineiros.
Em fevereiro, uma audiência pública realizada em Calçoene reuniu moradores, cooperativas, empresas e representantes do poder público para discutir regularização, licenciamento, formalização dos trabalhadores e organização territorial da atividade mineral.
Em agosto, o Governo do Amapá informou que a proposta para os distritos do Lourenço e de Vila Nova havia recebido reconhecimento durante o Congresso Brasileiro de Minas e Energia.
O projeto estadual pretende concentrar ações de regularização e criar condições para novos investimentos nessas áreas.
Nesse cenário, os R$ 120 milhões da Zion aparecem como um dos maiores anúncios recentes ligados à mineração de ouro no distrito.
Ainda assim, permanecem sem divulgação pública detalhada informações como volume de reservas, capacidade diária da planta, produção anual projetada, vida útil esperada da mina e prazo atualizado para o início da produção comercial.
O que está confirmado até agora é que o maquinário começou a ser instalado no Lourenço após o avanço do licenciamento e que a operação foi projetada para processar ouro por uma rota que prevê eliminar o mercúrio e evitar barragens de rejeitos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

