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Mineradora australiana amplia aposta em terras raras de Minas após sondagem revelar concentrações elevadas; projeto comprado por R$ 80 milhões ainda precisa comprovar viabilidade econômica antes de entrar em operação

Mineradora australiana amplia aposta em terras raras de Minas após sondagem revelar concentrações elevadas; projeto comprado por R$ 80 milhões ainda precisa comprovar viabilidade econômica antes de entrar em operação

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Mineradora australiana amplia aposta em terras raras de Minas após sondagem revelar concentrações elevadas; projeto comprado por R$ 80 milhões ainda precisa comprovar viabilidade econômica antes de entrar em operação

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 21/10/2026 às 10:37

Atualizado em 21/10/2026 às 10:40

Mineração

Grupo

ower Minerals amplia pesquisas de terras raras em Poços de Caldas. Projeto comprado por R$ 80 milhões ainda depende de estudos econômicos e licenciamento.

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Power Minerals pretende ampliar de 4 mil para 8,5 mil metros a campanha de sondagem no Morro do Ferro, em Poços de Caldas. A primeira estimativa de recursos minerais é esperada para o início de 2027.

A mineradora australiana Power Minerals pretende ampliar as pesquisas no Morro do Ferro, em Poços de Caldas (MG), depois de anunciar concentrações elevadas de terras raras em uma sondagem. Segundo informações da EPTV 2 e do g1 Sul de Minas, publicadas em outubro de 2026, o projeto foi adquirido pela companhia em abril por R$ 80 milhões, e uma amostra de 1,2 metro apresentou teor de 40,5% de óxidos totais de terras raras.

O resultado aumenta o interesse da empresa pela área, mas ainda não demonstra que a exploração comercial será viável. Os números divulgados são de pesquisa e não representam uma estimativa de recursos ou reservas minerais. Antes de uma operação, será necessário dimensionar o depósito, avaliar o processamento do material, estudar a viabilidade econômica e avançar no licenciamento ambiental.

Concentração de 40,5% corresponde a uma amostra de 1,2 metro

O resultado mais elevado foi identificado no furo de sondagem MFSR-057. Nesse mesmo furo, a companhia registrou um intervalo contínuo de 111 metros, a partir da superfície, com teor médio de 8,25% de óxidos totais de terras raras, conhecidos pela sigla em inglês TREO.

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Dentro do intervalo pesquisado, também foram destacados trechos menores com concentrações superiores. Os resultados anunciados foram:

Trecho analisado no furo MFSR-057Teor de óxidos totais de terras rarasIntervalo contínuo de 111 metros, desde a superfície8,25% em médiaTrecho de 51 metros15,42% em médiaTrecho de 15 metros20,42% em médiaAmostra de 1,2 metro40,5%

As medidas descrevem resultados de trechos do mesmo furo. O percentual de 40,5% não corresponde à concentração média de todo o depósito, e as metragens destacadas não devem ser somadas como se fossem intervalos independentes.

Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados em tecnologias como veículos elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos de defesa. A pesquisa também apontou elementos empregados na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, entre eles neodímio e praseodímio.

Empresa quer ampliar sondagem e trabalhar em dois turnos

Power Minerals encontra alto teor de terras raras em novo projeto de exploração no Sul de Minas — Foto: Power Minerals/Divulgação

O programa inicial previa 4 mil metros de sondagem, com uma sonda em operação durante um turno. Diante dos resultados, a Power Minerals pretende elevar a campanha para 8,5 mil metros, contratar uma terceira sonda e passar a trabalhar em dois turnos.

A ampliação busca investigar a continuidade da mineralização tanto em profundidade quanto na extensão lateral do depósito. Esse trabalho deverá ajudar a verificar como os teores encontrados se distribuem pela área.

Luiz Curado, diretor de Novos Negócios da Power Minerals, afirmou que as concentrações e a profundidade alcançada superaram as expectativas da companhia. Na avaliação dele, os novos dados aumentam o potencial de produção do projeto, que ainda precisa ser dimensionado pelas próximas etapas de pesquisa.

Primeira estimativa de recursos está prevista para 2027

Grupo australiano define alvo de exploração no ‘Morro do Ferro’ com até 10,7 milhões de toneladas de terras raras em MG — Foto: Divulgação / Power Minerals

Curado informou que a companhia já apresentou um alvo de exploração de aproximadamente 9 milhões de toneladas, com teor de 8%. Esse indicador corresponde a uma perspectiva preliminar de volume e concentração, não a uma estimativa de recursos minerais certificada.

A expectativa é divulgar a primeira estimativa de recursos no início de 2027, seguindo o código JORC. O padrão australiano orienta a divulgação de informações sobre resultados de exploração, recursos e reservas minerais.

A etapa deverá tornar mais precisa a avaliação do tamanho do depósito e da distribuição dos elementos. Ela não substitui, porém, os estudos necessários para determinar como o material poderá ser processado e se a atividade poderá se sustentar economicamente.

Teor elevado não resolve sozinho o desafio do processamento

Para Curado, concentrações maiores podem permitir uma lavra, ou retirada de material, de menor volume em comparação com depósitos de teores mais baixos. Segundo sua avaliação, isso poderia reduzir a quantidade movimentada, o consumo de água e a necessidade de equipamentos e insumos.

Essas possibilidades ainda precisam ser examinadas no desenvolvimento do projeto. Encontrar elementos em uma amostra e conseguir separá-los e recuperá-los em condições economicamente viáveis são etapas distintas.

A empresa desenvolve estudos de metalurgia e mineralurgia para avaliar como os elementos poderão ser separados e recuperados. Os resultados serão importantes para definir o processamento e alimentar as avaliações econômicas do empreendimento.

O executivo também afirmou que a proposta é adotar processamento sem barragem e com reutilização de água. Essas características foram apresentadas como planos para o projeto, não como uma estrutura já implantada ou uma comprovação de ausência de impactos ambientais.

Decisão sobre planta de processamento poderá ocorrer em 2028

O cronograma informado pela companhia prevê a conclusão de um estudo de escopo até meados de 2027. A partir dessa avaliação inicial, a intenção é avançar para um estudo de pré-viabilidade, previsto para o fim do mesmo ano.

A eventual decisão de investimento para construir uma planta de processamento poderá ocorrer no fim de 2028, dependendo dos resultados. Esse prazo se refere à possível decisão de construir a unidade, não ao início garantido da produção.

Até lá, a continuidade das sondagens, a definição dos recursos, os estudos de recuperação dos elementos e o licenciamento permanecem entre as etapas necessárias para determinar se o Morro do Ferro poderá se transformar em uma operação comercial.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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