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Mineradora canadense amplia descoberta de terras raras em Minas Gerais, mas considera vender o projeto
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 26/10/2026 às 18:18
Atualizado em 26/10/2026 às 18:30
Mineração
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Libra amplia ocorrência de terras raras no projeto Penelope, em Minas Gerais, após 22 perfurações, e avalia venda ou parceria para o empreendimento.
A mineradora canadense Libra Energy Materials avalia negociar o projeto Penelope, em Minas Gerais, mesmo após identificar novas áreas com ocorrência de terras raras no empreendimento. A empresa divulgou, na terça-feira (20), resultados de sua primeira campanha de perfuração no local, mas pretende concentrar seus investimentos em projetos de lítio no Canadá.
A companhia ainda controla integralmente o ativo brasileiro e considera diferentes alternativas para seu futuro. Os resultados exploratórios indicam uma expansão da área conhecida de mineralização, embora ainda não existam estudos suficientes para determinar se a extração dos elementos poderá ser economicamente viável.
Projetos de lítio no Canadá orientam os planos da mineradora
A decisão de avaliar uma negociação envolvendo Penelope está relacionada à definição das prioridades de investimento da Libra. No Canadá, a companhia mantém os projetos de lítio Cisco West e Obamska, ambos localizados na província de Quebec.
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É nesses empreendimentos que a mineradora pretende concentrar seus recursos. Por isso, o avanço das pesquisas em Minas Gerais não significa necessariamente que a própria empresa conduzirá as próximas etapas de desenvolvimento da área.
O CEO da Libra, Koby Kushner, reconheceu o potencial geológico identificado em Penelope, mas esclareceu que o empreendimento brasileiro não integra as prioridades de longo prazo da companhia.
Entre as possibilidades consideradas para obter retorno financeiro com o ativo estão:
- Venda do empreendimento a outro interessado;
- Formação de uma joint venture para desenvolver o projeto;
- Acordos que permitam a aquisição gradual de participação por outra companhia.
Nesse último modelo, uma eventual parceira pode assumir o financiamento de novas atividades de exploração em troca de uma participação crescente no negócio.
Até agora, a Libra não divulgou valores para uma possível transação nem informou se existem propostas de compradores ou investidores interessados.
Novos resultados ampliam extensão conhecida das terras raras
A campanha exploratória trouxe informações adicionais sobre a distribuição dos elementos minerais em Penelope. Entre os resultados apresentados no comunicado mais recente, a empresa detalhou dados de 15 furos, dos quais dez tiveram ao menos uma amostra com teor superior a 500 partes por milhão (ppm) de óxidos totais de terras raras.
Essas análises fazem parte da primeira etapa de sondagem realizada no empreendimento, composta por 22 perfurações que, juntas, alcançaram aproximadamente 261 metros.
Os trabalhos permitiram reconhecer outras zonas de enriquecimento mineral em pequenas profundidades, aumentando a extensão conhecida das ocorrências. Os dados, porém, ainda representam uma etapa de investigação geológica, não a comprovação de uma reserva economicamente aproveitável.
Além das terras raras, as análises identificaram concentrações de gálio, elemento considerado crítico por sua utilização na fabricação de semicondutores.
O levantamento também se soma a resultados anteriores que apontaram a presença de nióbio e tântalo na área. Dessa maneira, Penelope reúne indícios geológicos de diferentes elementos de interesse mineral, cuja possibilidade de aproveitamento comercial ainda precisa ser investigada.
Potencial econômico depende de informações ainda não disponíveis
Embora a área conhecida de mineralização tenha aumentado, o projeto permanece nos primeiros estágios de exploração. A Libra ainda não apresentou uma estimativa de recursos minerais que permita dimensionar formalmente o volume e os teores dos materiais identificados.
Outra informação pendente envolve a recuperação dos elementos de interesse. A companhia não determinou quais percentuais poderiam ser efetivamente recuperados durante um eventual processo de aproveitamento mineral.
Essas informações são importantes para avaliar o potencial de produção comercial. Além disso, não foi divulgado estudo de viabilidade econômica capaz de demonstrar se o desenvolvimento de uma operação seria financeiramente justificável.
Portanto, os resultados das perfurações representam um avanço no conhecimento geológico de Penelope, mas não permitem afirmar que existe uma mina comercialmente viável.
Negociação pode transferir próximas etapas a outra mineradora
A possibilidade de buscar parceiros ou compradores está relacionada ao modelo de atuação das chamadas junior mining companies. Essas empresas costumam trabalhar na identificação de ocorrências minerais e nas fases preliminares de investigação, sem necessariamente avançar até a produção.
Como essas atividades exigem financiamento e envolvem riscos, uma alternativa é atrair companhias com maior capacidade de investimento para dar continuidade aos trabalhos. Também é possível negociar ativos que deixaram de ocupar posição central na estratégia empresarial.
No caso da Libra, essa opção permitiria manter o foco nos empreendimentos canadenses de lítio enquanto outra companhia poderia assumir, integralmente ou em parceria, o desenvolvimento futuro de Penelope.
Por enquanto, não existe uma negociação anunciada, e o controle de 100% do projeto de terras raras em Minas Gerais continua nas mãos da mineradora canadense. O destino do empreendimento dependerá das decisões comerciais da Libra e do eventual interesse de outras empresas em financiar suas próximas etapas de exploração.
Fonte
CNN Brasil
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

