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Mineradora paralisa produção de minério de ferro em Minas Gerais e concentra esforços em terras raras

Mineradora paralisa produção de minério de ferro em Minas Gerais e concentra esforços em terras raras

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Mineradora paralisa produção de minério de ferro em Minas Gerais e concentra esforços em terras raras

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 02/10/2026 às 19:35

Mineração

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Imagem ilustrativa gerada por Inteligência Artificial.

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Operação da mina Catumbi foi interrompida em setembro após aumento dos custos e dos fretes; empresa mantém projeto de terras raras de US$ 460 milhões no Sul de Minas

Segundo reportagem publicada pelo Valor Econômico em 1º de outubro de 2026, a Cabo Verde Mineração paralisou, em setembro de 2026, a produção de minério de ferro na mina Catumbi. A unidade fica entre os municípios de Cabo Verde e Muzambinho, no Sul de Minas Gerais. A decisão ocorreu após o aumento dos custos de produção e das despesas com transporte. Com isso, a operação perdeu viabilidade econômica.

A paralisação ocorreu poucos meses depois da retomada definitiva das atividades na unidade. Além disso, a empresa desligou cerca de 10 funcionários. Agora, a companhia concentra esforços no projeto de terras raras desenvolvido na mesma região.

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Custos e fretes pressionaram a operação de minério de ferro

De acordo com a Cabo Verde Mineração, os custos da operação aumentaram. Ao mesmo tempo, as despesas logísticas ficaram mais elevadas. Com isso, a margem obtida com a venda do minério de ferro foi pressionada.

O cenário envolveu tanto o transporte rodoviário quanto o marítimo. Cerca de três meses antes da paralisação, o frete marítimo havia ultrapassado US$ 25 por tonelada.

Embora a empresa não faça a exportação diretamente, seus clientes utilizam referências internacionais para negociar o minério no mercado brasileiro. Por isso, as oscilações nos custos de transporte também afetam as condições comerciais da companhia.

Além disso, a empresa considerou a possibilidade de uma sobretaxa dos Estados Unidos sobre o ferro-gusa brasileiro. A eventual medida poderia afetar clientes guseiros atendidos pela mineradora em Sete Lagoas, em Minas Gerais.

Mina Catumbi tinha licença para produzir 600 mil toneladas por ano

A mina Catumbi possui licença para produzir até 600 mil toneladas de minério de ferro por ano. Para 2026, a previsão da companhia era alcançar aproximadamente 150 mil toneladas.

Entretanto, a unidade voltou a operar apenas em novembro de 2025. Depois disso, as atividades foram novamente interrompidas pelas chuvas. A produção retornou de forma definitiva em janeiro de 2026.

Antes disso, a empresa havia suspendido as atividades em outubro de 2023. Naquele período, a companhia passou a investigar o potencial mineral da área. Entre as possibilidades avaliadas estava a ocorrência de terras raras.

A mina está localizada no entorno do Complexo Alcalino de Poços de Caldas. A região apresenta potencial para diferentes minerais. Na operação de minério de ferro, a empresa produzia lump e sinter feed, com teor de ferro entre 63% e 64%.

Os produtos eram destinados a guseiras, siderúrgicas e outras indústrias. Dessa forma, a paralisação impede que a previsão de produção para 2026 seja alcançada.

O interesse por minerais estratégicos também cresce em outras áreas de Minas Gerais. Recentemente, a Roberta Souza mostrou a identificação de 12 novos alvos de terras raras no Vale do Lítio. O levantamento reforça a expansão das pesquisas por esses minerais no estado.

Cabo Verde Mineração mantém projeto de terras raras

Com a interrupção da produção de minério de ferro, a Cabo Verde Mineração mantém o projeto de terras raras como uma das principais frentes de desenvolvimento da companhia.

A empresa já concluiu a sondagem da malha de recursos inferidos. Agora, pretende avançar para a elaboração de uma declaração certificada de recursos.

Além disso, o projeto despertou interesse de investidores da União Europeia. Atualmente, porém, a companhia informou que conta apenas com investidores brasileiros.

A Cabo Verde Mineração é uma empresa de capital fechado. Segundo as informações divulgadas pela companhia, não existem planos de abrir o capital neste momento.

O movimento ocorre em um mercado que vem recebendo novas campanhas de pesquisa. Por exemplo, a Roberta Souza mostrou uma campanha no Canadá que encontrou mineralização de terras raras por mais de 400 metros. Assim, diferentes projetos avançam na busca por minerais estratégicos.

Projeto de terras raras prevê investimento de US$ 460 milhões

O projeto da Cabo Verde prevê a produção de um carbonato misto de terras raras. A proposta inclui uma concentração maior de disprósio e térbio (DyTb).

Além disso, a companhia planeja separar óxidos de neodímio e praseodímio (NdPr). Dessa forma, o projeto busca avançar em diferentes etapas do processamento dos minerais estratégicos.

A previsão atual da empresa aponta para o início da operação em 2030. Para desenvolver a planta, a Cabo Verde Mineração estima um investimento de aproximadamente US$ 460 milhões.

O avanço desse tipo de projeto acompanha o crescimento das pesquisas sobre terras raras em Minas Gerais. Nesse contexto, a Roberta Souza já mostrou avanços em um projeto de terras raras localizado em Poços de Caldas, também no Sul de Minas.

Paralisação muda o foco da operação no Sul de Minas

A suspensão da produção de minério de ferro encerra, neste momento, uma etapa da atuação da Cabo Verde Mineração na mina Catumbi. Ao mesmo tempo, a empresa passou a concentrar recursos e esforços no desenvolvimento do projeto de terras raras.

O minério de ferro havia contribuído para gerar recursos destinados às pesquisas minerais. Com a paralisação da produção, os sócios pretendem manter o desenvolvimento do projeto de terras raras com recursos próprios.

Além disso, a companhia continuará os trabalhos de pesquisa mineral. O próximo passo envolve o avanço da declaração certificada de recursos. Depois dessa etapa, o projeto ainda precisará passar pelas demais fases necessárias para uma eventual operação comercial.

Por enquanto, a retomada da produção de minério de ferro também dependerá das condições futuras do mercado. Segundo as informações divulgadas pela empresa, a combinação entre os preços do minério e os custos logísticos foi determinante para a decisão de interromper as atividades da mina Catumbi.

Assim, a Cabo Verde Mineração passa a direcionar sua estratégia para um projeto de terras raras estimado em US$ 460 milhões. A empresa prevê iniciar a operação em 2030, enquanto continua os estudos necessários para transformar os recursos identificados em um futuro projeto comercial.

Fonte

Valor Globo


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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