Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Minerais críticos colocam o Brasil diante de uma escolha bilionária: continuar exportando matéria-prima ou transformar terras raras em ímãs, motores e indústria de maior valor agregado

Minerais críticos colocam o Brasil diante de uma escolha bilionária: continuar exportando matéria-prima ou transformar terras raras em ímãs, motores e indústria de maior valor agregado

Faça um comentário

6 min de leitura

Minerais críticos colocam o Brasil diante de uma escolha bilionária: continuar exportando matéria-prima ou transformar terras raras em ímãs, motores e indústria de maior valor agregado

Escrito por Carla Teles

Publicado em 05/10/2026 às 10:13

Atualizado em 05/10/2026 às 10:15

Mineração

Canal

Minerais críticos: industrialização de terras raras coloca mineração e políticas públicas no centro da estratégia brasileira de maior valor.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Minerais críticos colocam o Brasil diante do desafio de industrializar terras raras, agregar valor e reduzir dependência externa em cadeias estratégicas de tecnologia avançada global.

Os minerais críticos colocam o Brasil diante de uma discussão que vai além da extração de recursos do subsolo: transformar parte desse potencial mineral em produtos industriais de maior valor agregado. O debate envolverá mineração, terras raras, desenvolvimento tecnológico, políticas públicas e a possibilidade de avançar da produção mineral para etapas como fabricação de ímãs e motores elétricos.

As informações foram publicadas pela BNamericas em 5 de outubro de 2026. O tema será discutido em Brasília, no dia 8 de outubro, durante o seminário “Minerais Críticos: da Nova Lei à Transformação Industrial”, que reunirá representantes ligados à mineração, formulação de políticas públicas, relações institucionais, tecnologia e transição energética.

Brasil começa a discutir como industrializar minerais críticos

Imagem: Reprodução.

O Instituto Brasileiro de Mineração, o IBRAM, participará dos painéis que discutirão a implantação de cadeias destinadas à industrialização de minerais críticos dentro do território brasileiro.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A entidade representa grandes mineradoras que atuam no país e terá dois de seus dirigentes na programação: Pablo Cesário, diretor de Relações Institucionais e diretor-presidente interino, e Julio Nery, diretor de Assuntos Minerários e Sustentabilidade.

O ponto central da discussão é como avançar além da disponibilidade geológica e criar etapas industriais associadas aos minerais extraídos no Brasil.

A proposta coloca em pauta um problema recorrente em economias produtoras de recursos naturais: quanto valor permanece no país depois que o minério deixa a mina e entra em cadeias industriais mais complexas.

Terras raras entram no centro da estratégia

Entre os temas previstos para o seminário está um painel dedicado especificamente às terras raras, analisadas a partir da experiência internacional e de sua transformação desde projetos minerários até ímãs e motores elétricos.

Julio Nery participará desse debate, enquanto Pablo Cesário estará no painel “Da mina à agregação de valor”. A própria organização da programação indica que a discussão pretende aproximar mineração e industrialização.

As terras raras ganharam importância porque o Brasil possui volumes relevantes de reservas e vem atraindo interesse crescente de empresas internacionais, segundo a BNamericas.

O potencial brasileiro passou a ser observado também dentro da tentativa internacional de diversificar fornecedores e reduzir a dependência da China nesse mercado.

Desafio é avançar da mina para produtos de maior valor

Extrair minerais críticos representa apenas uma etapa de uma cadeia que pode continuar por processos industriais sucessivos.

O seminário colocará em discussão justamente essa passagem entre o projeto minerário e a produção de componentes com maior grau de transformação.

No caso das terras raras, a programação cita explicitamente o avanço até ímãs e motores elétricos. Isso desloca o debate da simples disponibilidade de reservas para a capacidade de desenvolver cadeias industriais dentro do país.

A diferença está entre participar como fornecedor de matéria-prima e ocupar mais etapas de uma cadeia que incorpora processamento, tecnologia e transformação mineral.

A BNamericas, porém, não apresenta no material fornecido metas de produção, valores de investimento ou prazos definidos para a instalação dessas cadeias. O debate ainda está concentrado na formulação de caminhos para a industrialização.

Seminário pretende influenciar políticas públicas

O evento de Brasília será o primeiro de uma série de seminários que o Instituto Diálogos pretende organizar sobre minerais críticos e transformação industrial.

A intenção é reunir as discussões e conclusões em uma publicação orientativa destinada tanto à formulação de políticas públicas quanto a iniciativas do setor privado.

A presidente do Conselho de Administração do Instituto Diálogos, senadora Tereza Cristina, fará um pronunciamento na abertura do encontro.

Na sequência, a programação prevê o painel “O novo marco brasileiro em perspectiva internacional”, colocando a política nacional de minerais em comparação com movimentos realizados fora do país.

A construção de uma cadeia industrial dependerá não apenas de reservas minerais, mas de decisões regulatórias, tecnológicas e empresariais.

Brasil atrai atenção internacional por suas reservas

O interesse estrangeiro pelos minerais críticos brasileiros vem aumentando, especialmente em torno das terras raras.

Segundo a BNamericas, o Brasil é visto internacionalmente como uma possível alternativa para reduzir a dependência da China no fornecimento desses minerais.

Essa condição amplia a relevância estratégica das reservas brasileiras, mas também reforça a discussão sobre qual posição o país pretende ocupar na cadeia.

Se a atuação ficar concentrada nas etapas iniciais, a principal atividade permanece ligada à mineração. Se houver avanço industrial, o país passa a disputar segmentos associados ao processamento e à fabricação de componentes.

É essa diferença de posição dentro da cadeia que está no centro do debate sobre agregação de valor.

Ímãs e motores elétricos exemplificam próxima etapa

O painel sobre terras raras mostra de forma concreta onde a industrialização pode avançar.

A programação parte dos projetos minerários e chega aos ímãs e motores elétricos, dois exemplos de produtos que exigem etapas posteriores à simples extração do mineral.

Esse encadeamento está ligado à presença dos minerais críticos em setores que envolvem tecnologia e transição energética.

O seminário reunirá profissionais com experiência em desenvolvimento tecnológico, mineração e transformação mineral justamente para discutir como essas etapas podem ser conectadas dentro do país.

A questão não é apenas localizar e explorar reservas, mas decidir quanto da transformação posterior poderá ocorrer no Brasil.

Experiência internacional será usada como referência

A programação também buscará referências internacionais para a construção da política brasileira.

O painel dedicado às terras raras analisará experiências externas, enquanto a abertura abordará o novo marco brasileiro sob uma perspectiva internacional.

A escolha reflete um cenário em que diferentes países procuram garantir acesso a minerais críticos e reduzir vulnerabilidades em cadeias consideradas estratégicas.

Para o Brasil, essas experiências podem servir como referência para o debate sobre políticas públicas e participação privada, embora a fonte não detalhe quais modelos internacionais serão apresentados durante o seminário.

O resultado das discussões deverá ser incorporado à publicação planejada pelo Instituto Diálogos.

Industrialização define próxima disputa dos minerais brasileiros

A realização do encontro ocorre em um momento no qual o Brasil já desperta atenção por suas reservas, mas começa a discutir de maneira mais direta como transformar essa vantagem geológica em uma cadeia produtiva mais extensa.

Terras raras, ímãs, motores elétricos, processamento mineral e desenvolvimento tecnológico aparecem conectados dentro dessa discussão.

O desafio colocado agora é definir se o avanço dos minerais críticos será acompanhado por novas etapas industriais dentro do Brasil ou continuará concentrado principalmente na extração dos recursos. O seminário de 8 de outubro não resolverá sozinho essa escolha, mas deverá organizar propostas para políticas públicas e iniciativas empresariais.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

Sair da versão mobile