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Montadoras chinesas dobram vendas no Brasil e crescem 106,4%, enquanto importações avançam 30,4% e Stellantis admite que indústria ocidental demorou a reagir ao modelo chinês

Montadoras chinesas dobram vendas no Brasil e crescem 106,4%, enquanto importações avançam 30,4% e Stellantis admite que indústria ocidental demorou a reagir ao modelo chinês

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Montadoras chinesas dobram vendas no Brasil e crescem 106,4%, enquanto importações avançam 30,4% e Stellantis admite que indústria ocidental demorou a reagir ao modelo chinês

Escrito por Carla Teles

Publicado em 10/10/2026 às 16:15

Atualizado em 10/10/2026 às 16:50

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Montadoras chinesas avançam no Brasil, importações crescem, produção nacional perde ritmo e Stellantis reconhece atraso da indústria ocidental. Imagem: Divulgação.

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Montadoras chinesas dobram vendas no Brasil, avançam 106,4%, enquanto importações crescem 30,4% e Stellantis reconhece atraso da indústria ocidental diante do modelo produtivo chinês verticalizado.

As montadoras chinesas aceleraram sua presença no mercado brasileiro em 2026, com crescimento de 106,4% nas vendas entre janeiro e setembro, enquanto as importações de veículos avançaram 30,4%. No mesmo cenário, a produção nacional aumentou apenas 9%, apesar de o mercado como um todo registrar forte expansão.

Os dados foram apresentados pelo Motor1.com em 10 de outubro de 2026, em coluna de Fernando Calmon que reúne informações da Anfavea, Fenabrave e declarações de executivos do setor. Entre elas está a avaliação de Herlander Zola, presidente da Stellantis América do Sul, de que a indústria automobilística ocidental demorou a perceber as vantagens do modelo verticalizado adotado pelos fabricantes chineses.

Montadoras chinesas crescem 106,4% no mercado brasileiro

Imagem: BYD.

O avanço das montadoras chinesas chama atenção pela diferença em relação ao ritmo geral do mercado. Segundo os dados apresentados, as marcas chinesas ampliaram sua participação com crescimento de 106,4%, mais do que dobrando suas vendas.

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O movimento acontece durante um ano de expansão para toda a indústria automobilística. A Anfavea passou a projetar 3,1 milhões de veículos leves e pesados comercializados até o fim de 2026, o que representaria crescimento de 15,2% sobre 2025.

Essa estimativa é muito superior à projeção inicial da entidade, que apontava alta de apenas 2,7%. A própria Fenabrave reconheceu, segundo a fonte, que a demanda permanece forte, favorecida também pela maior oferta de híbridos, híbridos plug-in e veículos elétricos.

Mercado registra 281,4 mil veículos em um único mês

Imagem: Leapmotor.

O avanço não está restrito às fabricantes chinesas. No mês anterior à publicação da análise, foram emplacados 281,4 mil veículos, resultado que não era observado desde dezembro de 2014.

O desempenho ajuda a explicar por que as projeções para 2026 foram revistas para cima. Entretanto, o crescimento das vendas não ocorreu no mesmo ritmo da produção nacional.

Enquanto o mercado cresceu 18% no recorte apresentado, a produção brasileira avançou somente 9%. Essa diferença abre espaço para uma parcela maior de veículos produzidos no exterior atender à demanda doméstica.

Importações avançam 30,4% entre janeiro e setembro

As estatísticas citadas mostram que as importações cresceram 30,4% entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Esse avanço ocorre em paralelo ao crescimento de 106,4% das marcas chinesas. Os dois indicadores não representam exatamente a mesma coisa, mas ajudam a mostrar como veículos e fabricantes estrangeiros estão ampliando participação no mercado nacional.

Segundo declaração de Herlander Zola reproduzida pela fonte, cerca de 700 mil veículos leves deverão ser importados somente em 2026. O executivo defende medidas para estimular maior utilização de fornecedores instalados no Brasil.

Produção local vira ponto de preocupação para a Anfavea

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, acrescentou outra camada ao debate sobre produção nacional. Segundo ele, parte da expansão registrada localmente corresponde a veículos que chegam da China total ou parcialmente desmontados.

Esses modelos podem ser montados no país por processos conhecidos como CKD e SKD, mas o executivo destacou que essa dinâmica nem sempre utiliza de maneira ampla a cadeia brasileira de autopeças ou grande quantidade de mão de obra.

Assim, o aumento dos volumes montados no Brasil não necessariamente significa expansão equivalente de toda a cadeia automotiva nacional, especialmente quando componentes importantes continuam chegando do exterior.

Stellantis reconhece demora para reagir ao modelo chinês

Imagem: Stellantis.

Herlander Zola fez uma análise direta sobre a transformação competitiva da indústria. Segundo o presidente da Stellantis América do Sul, fabricantes ocidentais demoraram a compreender a eficiência do modelo verticalizado de produção utilizado pelas montadoras chinesas.

Nesse sistema, diferentes etapas da cadeia produtiva podem permanecer mais integradas, ajudando a controlar custos e acelerar desenvolvimento, fabricação e lançamento de veículos.

Na avaliação apresentada pelo executivo, essa estrutura contribuiu para reduzir custos dos fabricantes chineses e depois criou condições para que essas empresas ampliassem suas exportações. A velocidade com que novos modelos e tecnologias passaram a chegar a outros mercados aumentou a pressão sobre fabricantes tradicionais.

Stellantis defende estímulos para compras de fornecedores brasileiros

Imagem: Stellantis.

Zola também argumentou que a resposta brasileira não deveria depender apenas do aumento das tarifas de importação. O executivo defendeu mecanismos que estimulem fabricantes a comprar aço, pneus, plásticos e outros componentes de empresas instaladas no país.

A lógica seria fortalecer não somente a montagem final do automóvel, mas também a cadeia de fornecedores que sustenta a indústria local.

No texto original, há ainda avaliações do colunista Fernando Calmon sobre a suficiência das tarifas aplicadas a veículos CKD e SKD e sobre políticas comerciais adotadas por Estados Unidos e União Europeia. Essas interpretações são opiniões apresentadas na coluna e não dados objetivos equivalentes às estatísticas de vendas e produção.

Eletrificação ajuda fabricantes chineses a ampliar espaço

Outro elemento relevante é a transformação tecnológica do mercado. A Fenabrave atribuiu parte do crescimento da demanda ao aumento da oferta de carros híbridos convencionais, híbridos plug-in e elétricos.

Esse cenário coincide com uma forte presença das montadoras chinesas justamente nesses segmentos. Fabricantes asiáticos ampliaram rapidamente sua gama de veículos eletrificados no Brasil, criando novas alternativas em diferentes faixas de preço.

Ao mesmo tempo, incentivos locais também interferem na competição. Zola citou benefícios concedidos a veículos elétricos em alguns estados, além de regras específicas, como a dispensa do rodízio municipal para elétricos e híbridos na cidade de São Paulo.

Produção brasileira cresce menos que demanda e importações

Os números apresentados formam um contraste claro: mercado em expansão, produção nacional crescendo mais lentamente, importações avançando 30,4% e marcas chinesas aumentando vendas em 106,4%.

Essa diferença ajuda a explicar por que competitividade industrial passou a ocupar espaço crescente no debate automotivo. A discussão não se limita ao número de veículos vendidos, mas envolve onde eles são fabricados, de onde vêm seus componentes e quanto da cadeia produtiva permanece no país.

Para fabricantes já estabelecidos, o desafio passa a ser responder simultaneamente a preços competitivos, eletrificação, velocidade de lançamento e novas estruturas de produção.

Montadoras chinesas mudam equilíbrio do mercado brasileiro

O crescimento de 106,4% mostra que a presença das montadoras chinesas deixou de ser marginal no mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, a previsão de 3,1 milhões de veículos comercializados em 2026 indica que esse avanço ocorre dentro de um setor que também está crescendo.

A diferença está na velocidade. Enquanto a produção nacional avançou 9%, as importações cresceram 30,4%, e as fabricantes chinesas mais do que dobraram suas vendas no período analisado.

A admissão da Stellantis de que a indústria ocidental demorou a reagir ao modelo produtivo chinês resume uma mudança competitiva que já aparece nos números brasileiros. Nos comentários, registre sua avaliação sobre como a indústria instalada no Brasil deveria responder ao avanço acelerado das novas fabricantes.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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