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Montadores de torre do linhão Serra Dourada já ergueram todas as estruturas do trecho Sul, entre Barra, Correntina e Arinos (MG): as 5 linhas de 500 kV e 1.097 km da ISA Energia chegam a 64% e devem ser energizadas em março de 2029
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 24/10/2026 às 01:55
Atualizado em 24/10/2026 às 01:56
Geração de Energia
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O linhão Serra Dourada, da ISA Energia Brasil, chegou a 64% de avanço físico com todas as torres do trecho Sul já de pé, entre Buritirama, na Bahia, e Arinos, em Minas Gerais, numa obra de R$ 3,8 bilhões e 1.097 km em 500 kV que deve ser energizada em março de 2029.
A ISA Energia Brasil informou nesta semana que o Projeto Serra Dourada alcançou 64% de avanço físico. O balanço foi publicado pela Revista O Empreiteiro e por jornais da Bahia.
O empreendimento soma cinco linhas de transmissão de 500 kV, com 1.097 km de extensão, e três novas subestações: Campo Formoso II, Barra II e Correntina.
Confesso que, para quem trabalha na montagem, o número mais concreto não é o percentual geral, e sim o do trecho Sul. Ali, a companhia diz que as fundações foram concluídas em todo o traçado e que todas as torres previstas já foram implantadas.
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Trecho Sul tem 100% das fundações e 80% da obra executada
O trecho Sul reúne as linhas de 500 kV Buritirama–Barra II, Barra–Correntina e Correntina–Arinos 2. Segundo a ISA, ele já está com 80% das obras executadas e se aproxima da reta final de implantação.
Com fundações e torres prontas, o projeto se aproxima da instalação dos equipamentos que vão integrar a nova estrutura ao sistema elétrico, de acordo com a empresa.
O trecho Norte está bem atrás. Ele é formado pelas linhas Campo Formoso 2–Barra II e Juazeiro III–Campo Formoso 2, e a implantação das fundações só começou em julho deste ano.
Linhas passam por 23 municípios, 20 baianos e 3 mineiros
A infraestrutura vai ligar o Oeste da Bahia ao Norte de Minas Gerais. O traçado atravessa 23 municípios, sendo 20 na Bahia e três em Minas, segundo a empresa.
A função principal é escoar a geração renovável da região, sobretudo de usinas eólicas e solares, e reforçar o fluxo de energia entre o Nordeste e o Sudeste.
Em outras palavras, o linhão existe para que a energia produzida no sertão baiano consiga chegar aos centros de consumo sem esbarrar no limite das linhas que já existem.
Obra soma cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos
A ISA estima a geração de cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos ao longo de toda a fase de implantação. O número vale para todo o período de construção, e não para um único momento da obra.
A empresa não detalhou quantos trabalhadores estão hoje nos canteiros nem como se dividem entre os trechos Sul e Norte. Esse dado não aparece no balanço divulgado.
Segundo a ISA, a obra impulsiona a geração de renda e estimula a economia das cidades por onde passa. Para municípios pequenos do Oeste baiano, é um movimento que dura enquanto houver canteiro aberto.
Valor do projeto subiu de R$ 3,2 bilhões para R$ 3,8 bilhões
O investimento informado agora é de R$ 3,8 bilhões, em valores reais do Capex da Aneel com data-base de setembro de 2026, segundo a ficha técnica divulgada pela ISA.
Em dezembro de 2025, quando a obra foi lançada, a companhia falava em R$ 3,2 bilhões, conforme publicou o site Vida Mais Sustentável. A ficha atual traz o valor na data-base de setembro de 2026, e a empresa não detalhou a diferença.
A Receita Anual Permitida também mudou de patamar. Ela era de R$ 322 milhões no ciclo 2025/2026 e aparece agora como R$ 337 milhões no ciclo 2026/2027.
Diretor diz que obra acompanha virada da matriz elétrica
“O Serra Dourada foi concebido para acompanhar uma transformação importante da matriz elétrica brasileira: o crescimento da geração renovável em regiões com grande potencial de produção”, afirmou Dayron Urrego, diretor-executivo de Projetos da ISA.
Segundo ele, o papel da empresa é construir a infraestrutura para que essa energia seja incorporada ao sistema “com segurança, confiabilidade e eficiência”.
Urrego disse ainda que o avanço mostra que a companhia está “cada vez mais próxima” de entregar o projeto ao sistema elétrico.
Compensador síncrono é o próximo marco da obra
Entre os próximos passos está a instalação do compensador síncrono. Segundo a ISA, o equipamento é considerado fundamental para controlar a tensão da rede e manter a qualidade da energia transmitida.
É uma peça que ganha importância quando muita geração eólica e solar entra no sistema, porque essas fontes variam ao longo do dia e exigem estabilidade de quem transmite.
No trecho Norte, a empresa informa que já obteve 100% das licenças ambientais, o que tira um obstáculo importante do caminho das fundações que começaram em julho.
Licenças saíram aos poucos entre 2025 e 2026
O licenciamento foi em etapas. Em janeiro de 2026, a ISA anunciou a segunda Licença de Instalação emitida pelo Inema, órgão ambiental baiano, para a linha Buritirama–Barra II, de 96,50 km, segundo o site Bahia Econômica.
Aquela linha passa pelos municípios de Barra, Buritirama e Mansidão. No balanço desta semana, a empresa afirma ter todas as licenças necessárias para o restante do projeto.
O projeto foi conquistado no Lote 1 do Leilão de Transmissão nº 01/2023 da Aneel e é tratado como prioritário pelo Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC.
Prazo da Aneel para energizar é março de 2029
Pelo contrato com a Aneel, a energização está prevista para março de 2029. Com o trecho Sul em 80%, a pressão de prazo fica concentrada no trecho Norte, que ainda está nas fundações.
A ISA opera 33 concessões em 15 estados e responde por cerca de 30% da energia elétrica transmitida no país, segundo a própria empresa. A controladora é a colombiana ISA.
O Nordeste vem ganhando linhas de 500 kV para dar vazão às renováveis. Em setembro, entrou em operação no Piauí uma linha de 304 km e 611 torres de 500 kV, outra peça desse mesmo esforço.
Você acha que linhões como o Serra Dourada vão chegar a tempo de aproveitar a energia eólica e solar do sertão baiano?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

