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Motor de 4 MW movido a etanol supera meta de eficiência e abre caminho para substituir parte do diesel na geração de energia

Motor de 4 MW movido a etanol supera meta de eficiência e abre caminho para substituir parte do diesel na geração de energia

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Motor de 4 MW movido a etanol supera meta de eficiência e abre caminho para substituir parte do diesel na geração de energia

Escrito por Ana Alice

Publicado em 18/10/2026 às 23:03

Atualizado em 18/10/2026 às 23:40

Biocombustíveis Renováveis

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Motogerador instalado na Suape Energia, em Pernambuco, integra o projeto que testa o uso predominante de etanol na geração termelétrica. Crédito: Divulgação/Complexo Industrial Portuário de Suape.

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Projeto em Pernambuco testa um motogerador de 4 MW com etanol como combustível predominante e alcança eficiência acima da meta inicial, enquanto empresas avaliam a viabilidade da tecnologia para geração termelétrica em maior escala.

Um motogerador de 4 MW desenvolvido para operar majoritariamente com etanol superou a meta de eficiência prevista para sua primeira fase de testes na UTE Suape II, em Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco. O equipamento funcionou por 50 horas com eficiência entre 42% e 43%, acima dos 39% a 40% esperados inicialmente para essa etapa do projeto, segundo informações divulgadas pela Savana Holding e publicadas pelo NovaCana em setembro de 2026.

A iniciativa é conduzida pela Savana Holding, controladora da Suape Energia, em parceria com a finlandesa Wärtsilä. A tecnologia está sendo testada dentro da usina Suape II, que possui cerca de 381 MW de capacidade instalada e tradicionalmente opera com óleo combustível. O motor experimental, por sua vez, foi convertido de uma configuração originalmente voltada ao óleo diesel para trabalhar com o etanol como combustível predominante.

O resultado das primeiras 50 horas ainda não significa que a tecnologia esteja pronta para substituir motores convencionais em escala comercial. A operação assistida continua e deverá avaliar confiabilidade, desempenho e viabilidade técnica em condições reais. Ainda assim, o índice obtido nessa etapa reduziu a distância em relação aos motores termelétricos a diesel mais eficientes, que alcançam taxas próximas de 48% a 49%, segundo a Savana.

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Motor a etanol começou a ser preparado antes dos testes de eficiência

O projeto começou a ganhar forma pública em março de 2025, quando a Wärtsilä anunciou uma parceria com a Energética Suape II para realizar um teste em larga escala de geração elétrica a partir do etanol. A fabricante apresentou a iniciativa como a primeira experiência mundial desse tipo com um motor de grande porte destinado à produção de eletricidade.

Em setembro daquele ano, o Complexo Industrial Portuário de Suape informou que o motogerador de aproximadamente 80 toneladas já havia chegado ao local. Na ocasião, o equipamento era apresentado com capacidade inicial de 4 MW e como parte de um projeto destinado a avaliar o uso do biocombustível na geração térmica de maior escala.

A implantação foi concluída em maio de 2026. O projeto recebeu investimento de aproximadamente R$ 60 milhões, de acordo com informações divulgadas pela Suape Energia e reproduzidas pela CNN Brasil e pela Folha de S.Paulo. A programação apresentada naquele momento previa milhares de horas de testes para observar o comportamento do equipamento antes de qualquer expansão da tecnologia.

As informações divulgadas durante o desenvolvimento do projeto apresentaram diferentes proporções para a mistura utilizada. Em maio, a CNN informou uma configuração de 90% de etanol e 10% de biodiesel, enquanto a Folha registrou uma mistura de 97% de etanol e 3% de biodiesel para a fase de testes. Em ambos os casos, porém, o etanol aparece como combustível predominante no motogerador.

Motogerador de 4 MW durante etapa de implantação do Projeto Etanol na UTE Suape II, em Pernambuco. Crédito: Divulgação/Complexo Industrial Portuário de Suape.

Eficiência chegou a 43% nas primeiras 50 horas

A medição divulgada em setembro marcou uma etapa importante porque colocou números no desempenho efetivamente obtido pelo equipamento. Durante as primeiras 50 horas avaliadas, a eficiência ficou entre 42% e 43%, superando em pelo menos dois pontos percentuais a faixa superior da expectativa inicial.

Eficiência térmica representa, de forma simplificada, a parcela da energia contida no combustível que consegue ser convertida em eletricidade. Quanto maior o índice, menor tende a ser a quantidade de combustível necessária para gerar a mesma quantidade de energia, embora o desempenho final de uma usina também dependa de fatores operacionais, custos, disponibilidade do combustível e configuração dos equipamentos.

No caso de Suape, a comparação feita pelas próprias empresas envolvidas é com motores termelétricos a diesel de alta eficiência, que podem chegar à faixa de 48% a 49%. O equipamento a etanol ainda não alcançou esse nível, mas o resultado inicial ficou mais próximo do desempenho dos motores fósseis do que a meta traçada antes dos testes.

Isso é relevante para o objetivo do projeto porque o uso do etanol na geração térmica depende não apenas da origem renovável do combustível, mas também de desempenho técnico suficiente para competir com soluções já consolidadas. Os próximos ensaios devem mostrar se a eficiência alcançada nas primeiras horas consegue ser mantida durante períodos mais longos de funcionamento.

Tecnologia pode ampliar espaço do etanol fora do setor de transportes

A experiência em Pernambuco também testa uma aplicação diferente para um combustível associado principalmente aos automóveis no Brasil. A proposta é utilizar o etanol como fonte para geração elétrica despachável, isto é, capaz de produzir energia quando houver necessidade do sistema, inclusive em períodos de menor geração solar ou eólica.

A Suape II opera desde 2012 e possui 17 motores movidos a óleo combustível, segundo informações divulgadas durante a implantação do projeto. A unidade tem participação societária de 80% da Savana e de 20% da Petrobras. O novo motor de 4 MW representa apenas uma parcela da capacidade total da planta e funciona, nesta fase, como plataforma de testes.

É nesse contexto que a experiência pode abrir espaço para reduzir futuramente a utilização de diesel e de outros derivados de petróleo em determinadas aplicações de geração termelétrica. No entanto, não há uma substituição em larga escala ocorrendo neste momento: o objetivo atual é demonstrar que o motor consegue manter eficiência e confiabilidade usando predominantemente biocombustível.

A própria Wärtsilä afirma que o etanol brasileiro foi escolhido por sua disponibilidade e pela experiência já consolidada do país com a produção a partir da cana-de-açúcar. Quando anunciou o projeto, em 2025, a empresa informou que o teste serviria justamente para demonstrar a possibilidade de empregar esse combustível também na produção de eletricidade.

Com a primeira etapa concluída acima da meta estabelecida, a fase seguinte permanece concentrada na operação assistida. Desempenho contínuo, confiabilidade e viabilidade técnica serão os principais parâmetros observados antes que a solução possa avançar para projetos maiores, segundo a Savana Holding.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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