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Mulheres já são 4,3 milhões nas decisões do agro, usam drones e telemetria e ainda apresentam inadimplência menor que homens

Mulheres já são 4,3 milhões nas decisões do agro, usam drones e telemetria e ainda apresentam inadimplência menor que homens

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Mulheres já são 4,3 milhões nas decisões do agro, usam drones e telemetria e ainda apresentam inadimplência menor que homens

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 04/10/2026 às 16:33

Atualizado em 04/10/2026 às 16:35

Agronegócio

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Levantamento apresentado pela Abag reúne 10,7 milhões de decisores rurais e mostra que a participação feminina vai além da propriedade formal: o estudo também acompanha escolaridade, patrimônio, tecnologia e comportamento financeiro entre mulheres que atuam na administração de negócios do campo.

As mulheres já representam 40% dos 10,7 milhões de produtores e outros profissionais identificados como decisores rurais no Brasil, o equivalente a aproximadamente 4,3 milhões de pessoas. O dado foi apresentado pela Associação Brasileira do Agronegócio durante o Global Agribusiness Festival.

O número não indica que quatro em cada dez propriedades rurais estejam sob comando exclusivo de mulheres. O levantamento considera pessoas ligadas às decisões e à atividade econômica do campo, inclusive em negócios com mais de um proprietário ou gestor, o que amplia o universo analisado.

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Na prática, a contagem se refere a pessoas que participam das escolhas econômicas e administrativas, e não a uma relação de uma pessoa para cada imóvel rural. Essa diferença impede transformar o percentual de decisoras em percentual de fazendas ou empresas pertencentes exclusivamente a mulheres.

Conforme a reportagem da NX1, que reproduziu os dados apresentados pela Abag, o estudo também reúne informações sobre patrimônio, formação, tecnologia e comportamento financeiro das mulheres ligadas à gestão rural.

Inadimplência aparece menor nos recortes femininos

Nos recortes comparados no levantamento, as mulheres apresentaram inadimplência menor que os homens. Entre as grandes proprietárias, a taxa registrada foi de 6,85%, enquanto as produtoras da Região Sul apareceram com índice de 5,4% dentro dos critérios utilizados na pesquisa.

Os dois percentuais femininos pertencem a recortes diferentes: um considera o porte da propriedade e o outro, a localização regional. Por isso, não servem para estabelecer uma ordem entre grupos de mulheres nem para representar, sozinhos, todo o universo de decisoras rurais do país.

Como referência para o cenário mais amplo, o índice geral de inadimplência da população rural chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026. Esse percentual reúne um conjunto mais amplo e, por isso, não deve ser tratado como contraponto direto aos 6,85% ou aos 5,4%.

A comparação exige cautela porque os universos não são idênticos. O levantamento permite registrar taxas inferiores nos recortes femininos apresentados, mas não oferece base para atribuir essa diferença ao gênero isoladamente ou estabelecer uma causa para o comportamento financeiro observado.

O dado sobre inadimplência aparece no estudo ao lado de informações sobre participação patrimonial e formação. O material disponível descreve esses movimentos, mas não apresenta elementos suficientes para explicar por que as mulheres registraram índices inferiores aos dos homens nos grupos comparados.

Escolaridade e tecnologia entram na rotina de gestão

Entre as entrevistadas, 77% concluíram o ensino superior e 46% possuem pós-graduação. Na primeira edição do levantamento, realizada uma década antes, a parcela com pós-graduação era de 24%, quase a metade do percentual registrado agora.

A mudança na pós-graduação é uma comparação dentro da própria pesquisa, o que permite acompanhar a evolução do perfil das participantes ao longo de dez anos. Já o percentual de 77% mostra o nível de escolaridade alcançado pelo grupo ouvido na edição mais recente.

O uso de tecnologia também aparece como parte da administração das propriedades. Sete em cada dez participantes disseram utilizar, de maneira independente ou parcialmente independente, recursos como drones, telemetria e sistemas voltados à gestão das atividades rurais.

A formulação usada no levantamento trata não apenas da presença dessas ferramentas nas propriedades, mas também do grau de autonomia das entrevistadas em seu uso. O dado, portanto, descreve participação direta ou parcialmente independente na operação desses recursos dentro da rotina administrativa.

Esse percentual se refere às mulheres entrevistadas nessa etapa do estudo e não aos 4,3 milhões de decisoras rurais identificadas no universo mais amplo. Separar os dois recortes evita atribuir a todas as mulheres do campo um comportamento medido apenas entre as participantes da pesquisa.

Participação patrimonial também avançou

A presença feminina aparece ainda na propriedade dos negócios. Entre as entrevistadas, 91% afirmaram possuir total ou parcialmente o empreendimento rural, percentual dez pontos acima do registrado na pesquisa anterior.

O indicador patrimonial não é equivalente ao dado nacional de 40% de decisoras. Um mede a condição declarada pelas mulheres entrevistadas em relação ao próprio negócio; o outro dimensiona a presença feminina no universo mais amplo de pessoas identificadas como participantes das decisões rurais.

A diferença entre essas bases também orienta a leitura dos demais percentuais. Escolaridade, tecnologia, patrimônio e inadimplência pertencem a recortes específicos do estudo e não devem ser projetados automaticamente sobre os 4,3 milhões de mulheres contabilizadas como decisoras.

As entrevistas também registraram barreiras culturais, dupla jornada e necessidade de apoio familiar. Esses obstáculos permanecem entre os aspectos relatados pelas mulheres ouvidas, mesmo em um levantamento que registra maior presença patrimonial, formação elevada e uso de tecnologias na gestão rural.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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