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Nabors fecha contrato para voltar a perfurar petróleo na Venezuela e amplia frota na Arábia Saudita
Escrito por Carla Teles
Publicado em 29/10/2026 às 18:21
Atualizado em 29/10/2026 às 18:25
Petróleo e Gás
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Companhia mobilizará equipamento dos Estados Unidos em 2027, enquanto parceria com a Saudi Aramco avança apesar da suspensão de cinco sondas.
A Nabors Industries assinou um contrato de vários anos para retomar as operações de perfuração terrestre na Venezuela no início de 2027. O acordo prevê a mobilização de uma sonda atualmente inativa nos Estados Unidos e marca uma nova etapa da atuação da companhia no mercado venezuelano. Ao mesmo tempo, a empresa colocou em operação a 17ª sonda recém-construída de sua parceria com a Saudi Aramco na Arábia Saudita.
Segundo reportagem da World Oil, publicada em 28 de outubro de 2026, os anúncios acompanham os resultados do terceiro trimestre da empresa. A Nabors confirmou os contratos e os indicadores operacionais em comunicado de 27 de outubro, destacando a expansão internacional mesmo diante da suspensão de parte das atividades sauditas.
Contrato na Venezuela marca retomada da perfuração após período de baixa atividade
O contrato firmado pela Nabors prevê o deslocamento de uma sonda de perfuração terrestre para a Venezuela no início de 2027. A empresa informou que se trata de um compromisso de longo prazo, mas não divulgou o nome do cliente, o valor financeiro ou os campos que receberão o equipamento.
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Em teleconferência com investidores realizada em 28 de outubro, executivos esclareceram que a sonda será transferida dos Estados Unidos para atender ao cronograma do contratante.
A decisão permite aproveitar um equipamento que está fora de operação, evitando a necessidade de construir uma unidade completamente nova para executar o serviço.
A companhia também explicou que manteve presença local na Venezuela, incluindo profissionais e equipamentos, mesmo durante a redução das atividades de perfuração no país.
Segundo informações apresentadas pela administração e repercutidas pela Zacks, a Nabors possui cinco sondas inativas em território venezuelano.
O retorno anunciado não significa que essas cinco unidades entrarão imediatamente em operação. O contrato confirmado envolve apenas uma sonda, cuja mobilização ocorrerá em 2027.
Venezuela possui cinco sondas inativas da Nabors e mercado ainda distante de 2013
O novo contrato surge em um mercado de perfuração significativamente menor do que aquele registrado há mais de uma década.
Durante a apresentação dos resultados, a Nabors informou que a Venezuela conta atualmente com nove sondas em operação, diante de mais de 85 equipamentos ativos em 2013.
A comparação indica a dimensão da redução da atividade ao longo do período. Entretanto, esses números se referem à quantidade de sondas e não representam diretamente o volume de petróleo produzido pelo país.
A empresa afirmou acompanhar mais de 20 possíveis oportunidades adicionais de contratação na Venezuela, excluindo determinadas atividades de operadoras que utilizam equipamentos próprios.
Essas oportunidades ainda não representam contratos assinados. Sua transformação em operações dependerá de decisões dos clientes, condições comerciais e cronogramas de perfuração.
O interesse pelo mercado venezuelano está relacionado à dimensão de sua base petrolífera. O país concentra algumas das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, incluindo recursos de óleo extrapesado no Cinturão do Orinoco.
A disponibilidade de recursos geológicos, porém, não garante expansão imediata. A recuperação da atividade exige equipamentos, serviços especializados, infraestrutura e contratos economicamente viáveis.
Parceria com Saudi Aramco coloca 17ª sonda nova em operação
Enquanto prepara a mobilização para a Venezuela, a Nabors amplia sua atuação no Oriente Médio por meio da Saudi Aramco Nabors Drilling Company, conhecida como SANAD.
A empresa é uma joint venture formada em partes iguais pela Nabors e pela Saudi Aramco, com participação de 50% para cada companhia.
A SANAD colocou em operação sua 17ª sonda terrestre recém-construída durante o terceiro trimestre de 2026.
Segundo o site institucional da SANAD, a parceria possui um programa de aquisição e operação de até 50 sondas novas, planejado para ser desenvolvido ao longo de dez anos.
A previsão atual é adicionar mais uma unidade ainda em 2026 e outras duas durante o primeiro trimestre de 2027. Caso o cronograma seja cumprido, o conjunto de sondas novas colocadas em operação chegará a 20.
Essas 20 unidades não correspondem à frota total operada pela SANAD, que inclui equipamentos de outras categorias e modelos contratuais.
A expansão da atividade de perfuração ocorre em um país com forte presença no mercado internacional de petróleo. Em outubro, o CPG mostrou como a Arábia Saudita perdeu posição nas exportações de petróleo para a China, na comparação com os embarques brasileiros acumulados em 2026.
Cinco sondas suspensas reduzem a atividade saudita apesar das novas entregas
A entrada de novas unidades não significa que toda a frota saudita esteja aumentando simultaneamente.
A Nabors informou que cinco sondas da SANAD receberam determinações de suspensão de atividades, com efeitos sobre a quantidade de equipamentos operacionais no quarto trimestre.
Conforme a teleconferência de resultados, a parceria encerrou o terceiro trimestre com 56 sondas trabalhando na Arábia Saudita.
Três suspensões já haviam sido implementadas quando os executivos apresentaram os resultados, reduzindo o número para 53 unidades. Outras duas estavam previstas para o trimestre.
Considerando a entrada da 18ª sonda nova, a companhia projetou encerrar 2026 com aproximadamente 52 equipamentos em operação no país.
O resultado mostra que uma empresa pode entregar novas sondas e, ao mesmo tempo, registrar diminuição na frota ativa devido à interrupção de contratos existentes.
Segundo a administração da Nabors, mais de 80% das atividades da SANAD estão relacionadas à perfuração para gás natural.
A concentração nesse segmento ajuda a entender o perfil operacional da parceria, embora a companhia não tenha divulgado os poços específicos associados às cinco suspensões.
No contexto mais amplo da indústria, novas tecnologias também vêm modificando os projetos de perfuração de poços profundos, com desenvolvimento de equipamentos capazes de ampliar a eficiência em condições geológicas complexas.
Margem internacional da Nabors atinge recorde de US$ 19.060 por sonda ao dia
A expansão internacional contribuiu para os resultados operacionais divulgados pela empresa no terceiro trimestre.
Segundo o balanço da Nabors, a margem bruta ajustada diária do segmento de perfuração internacional alcançou US$ 19.060, aumento de US$ 1.526, ou 8,7%, em relação ao trimestre anterior.
Esse indicador representa uma medida de desempenho operacional por sonda e não deve ser confundido com faturamento diário ou lucro líquido da companhia.
A empresa atribuiu a melhora ao desempenho dos contratos e à entrada de equipamentos com condições comerciais mais favoráveis, incluindo uma sonda recentemente mobilizada na Argentina.
No terceiro trimestre, a frota internacional registrou média de 94,9 sondas em atividade, contra 93,4 no período anterior.
Para o quarto trimestre, a empresa projeta uma média de 92 a 93 sondas internacionais, refletindo principalmente os efeitos das suspensões na Arábia Saudita.
Mesmo com a redução esperada da frota ativa, a Nabors prevê margem bruta ajustada diária de aproximadamente US$ 19.500 no segmento internacional.
A companhia também registrou US$ 75 milhões em fluxo de caixa livre ajustado no terceiro trimestre, resultado que considera a geração de caixa após determinados investimentos e ajustes financeiros.
Investimentos podem chegar a US$ 720 milhões em 2026
A Nabors revisou sua projeção de investimentos consolidados para uma faixa entre US$ 710 milhões e US$ 720 milhões em 2026.
Desse total, entre US$ 295 milhões e US$ 305 milhões são destinados ao programa de construção de novas sondas da SANAD.
O diretor financeiro Miguel Rodriguez explicou que alguns marcos de construção previstos para 2026 foram transferidos para períodos posteriores, alterando o cronograma de desembolsos.
A empresa também pretende ampliar o uso de tecnologias de automação. Sua divisão Canrig recebeu compromissos para fornecer mais quatro módulos RZR, destinados à automatização de atividades no piso das sondas.
Com essas novas entregas, o total de módulos previstos em operação chegará a seis.
Nos Estados Unidos, a Nabors destacou resultados de desempenho de suas sondas. Uma unidade PACE-B perfurou mais de 27.600 pés em 148 horas na Dakota do Norte, enquanto uma PACE-X concluiu um poço de 18.500 pés em menos de seis dias no sul do Texas.
Esses resultados correspondem a campanhas específicas e não representam uma taxa média de perfuração de toda a frota.
Para os próximos meses, os principais marcos serão a mobilização da sonda contratada para a Venezuela, a entrada da 18ª unidade nova da SANAD ainda em 2026 e a entrega de outras duas sondas sauditas no primeiro trimestre de 2027.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

