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NASA acompanha iceberg de 1.550 km² que passou três anos à deriva na Antártica e chegou perto de ilha remota
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 29/10/2026 às 17:49
Atualizado em 29/10/2026 às 18:00
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O iceberg A-81, com cerca de 1.550 quilômetros quadrados, se soltou da plataforma de gelo Brunt, na Antártica, em janeiro de 2023. Após mais de três anos no mar de Weddell, ele chegou perto da ilha Geórgia do Sul em outubro de 2026 e ficou mais lento, segundo a NASA.
O iceberg A-81, um bloco de gelo de cerca de 1.550 quilômetros quadrados, chegou perto da ilha remota da Geórgia do Sul, no oceano Atlântico Sul, no fim de outubro de 2026. O iceberg se soltou da Antártica em janeiro de 2023 e passou mais de três anos no mar de Weddell. Perto da ilha, o iceberg ficou bem mais lento.
As informações foram publicadas pelo NASA Earth Observatory, da NASA, em 27 de outubro de 2026, em texto de Kathryn Hansen. A imagem de satélite do iceberg foi feita em 20 de outubro de 2026. Um texto anterior do mesmo observatório, de 7 de março de 2025, conta o que aconteceu com outro iceberg, o A-23A, perto da mesma ilha.
Iceberg A-81 tem cerca de 1.550 quilômetros quadrados
Iceberg é um grande bloco de gelo que se solta e passa a boiar no mar. O iceberg A-81 tem cerca de 1.550 quilômetros quadrados de área, segundo a NASA.
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Um quilômetro quadrado é a área de um quadrado com um quilômetro de cada lado. Então, a área do A-81 é igual à de cerca de 1.550 quadrados desses, um do lado do outro.
Iceberg se soltou da plataforma de gelo Brunt em janeiro de 2023
O iceberg A-81 se soltou da plataforma de gelo Brunt, na Antártica, em janeiro de 2023. Plataforma de gelo é uma grande camada de gelo de geleira que fica flutuando sobre o mar. Quando um pedaço da plataforma se quebra e vai embora, nasce um iceberg.
Essa quebra tem um nome em inglês: calving. Segundo a NASA, ela é uma parte normal da vida das plataformas de gelo.
Rachadura que formou o iceberg ficou quase parada por 35 anos
O iceberg A-81 nasceu de uma rachadura da plataforma Brunt chamada Chasm 1. Por cerca de 35 anos, essa rachadura ficou relativamente estável, ou seja, quase não mudou, segundo a NASA.
Rachadura do iceberg voltou a crescer em 2012 e acelerou até 2019
Por volta de 2012, a rachadura Chasm 1 começou a crescer de novo. Em 2019, ela já avançava tão rápido que a quebra do gelo parecia que ia acontecer logo.
Gelo aguentou mais alguns anos antes de soltar o iceberg em 2023
O gelo flutuante da plataforma Brunt ainda aguentou firme por vários anos. Só em janeiro de 2023 o A-81 finalmente se soltou.
Segundo a NASA, o A-81 demorou para virar iceberg, mas viajou sem parar depois que ficou livre.
Alguns icebergs ficam décadas perto da Antártica
Alguns icebergs da Antártica ficam perto de onde nasceram por décadas. Eles encalham perto das plataformas de gelo que os soltaram ou dão uma volta parcial ao redor do continente, levados pelas correntes do mar perto da costa.
Encalhar é quando o bloco de gelo toca o fundo do mar e fica preso. O iceberg A-81 fez diferente: saiu mais rápido do mar de Weddell rumo ao norte, por uma rota bastante usada pelos icebergs da região.
Iceberg A-81 passou mais de três anos no mar de Weddell
O iceberg A-81 passou mais de três anos no mar de Weddell, na Antártica, depois de se soltar. Por isso, segundo a NASA, a saída rápida do A-81 é relativa.
Durante esse tempo, ele foi levado ao longo da costa pelo Giro de Weddell. Essa é uma corrente do mar que gira no sentido horário, o mesmo sentido dos ponteiros do relógio.
Em maio de 2026, iceberg chegou à ponta da Península Antártica
Em maio de 2026, o iceberg A-81 chegou à ponta da Península Antártica. Península é um pedaço de terra cercado de água por quase todos os lados. Depois, o A-81 seguiu para o norte e entrou no mar de Scotia.
Iceberg viajou até a Geórgia do Sul, a 2.300 quilômetros de onde nasceu
No fim de outubro de 2026, o iceberg A-81 chegou perto da ilha remota da Geórgia do Sul, no oceano Atlântico Sul. Ilha remota é uma ilha que fica muito longe de outros lugares. A Geórgia do Sul fica a 2.300 quilômetros ao norte-noroeste da plataforma de gelo Brunt, de onde o iceberg saiu.
Satélite Terra fotografou o iceberg A-81 em 20 de outubro
A imagem do iceberg A-81 foi feita em 20 de outubro de 2026 pelo MODIS, um aparelho que fica no satélite Terra, da NASA. MODIS é a sigla em inglês para Espectrorradiômetro de Imagens de Resolução Moderada.
Satélite é uma máquina que fica dando voltas ao redor da Terra. A imagem foi preparada por Michala Garrison, do NASA Earth Observatory, com dados do MODIS.
Iceberg ficou mais lento na borda da plataforma submarina da ilha
Nos dias antes da foto, o A-81 ficou bem mais lento. Ele parecia estar esbarrando na borda da plataforma submarina da ilha, segundo Jan Lieser, do Departamento de Meteorologia da Austrália, e Christopher Shuman, da Universidade de Maryland, já aposentado.
A plataforma submarina é uma parte rasa do fundo do mar em volta da Geórgia do Sul. Raso quer dizer pouco fundo.
Geórgia do Sul fica no “corredor dos icebergs”
A Geórgia do Sul fica no limite norte de uma rota do oceano usada por muitos icebergs da Antártica. Essa rota é conhecida em inglês como “iceberg alley”, algo como “corredor dos icebergs”, segundo texto da NASA de 2025.
Geórgia do Sul não tem moradores fixos, mas recebe cientistas e turistas
A Geórgia do Sul é a maior de nove ilhas que formam as Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, um território ultramarino britânico. Território ultramarino é uma área que pertence ao Reino Unido, mas fica longe dele, do outro lado do mar. A ilha não tem população humana fixa, mas cientistas visitam sua estação de pesquisa, e turistas visitam seus lugares históricos.
A região tem muita vida, de focas e pinguins até o fitoplâncton, seres minúsculos que vivem na água.
Ilha já parou outros icebergs, como o A-23A em 2025
A Geórgia do Sul já fez outros icebergs ficarem mais lentos e até pararem, segundo a NASA. Em 2025, o iceberg A-23A encalhou na plataforma submarina da ilha e, depois, se partiu.
Iceberg A-23A tinha 3.460 quilômetros quadrados
Em março de 2025, a NASA contou que o iceberg A-23A, na época o maior iceberg da Terra, parecia ter encalhado perto da costa da Geórgia do Sul. O A-23A tinha 3.460 quilômetros quadrados, mais que o dobro da área do iceberg A-81.
Segundo Christopher Shuman, a viagem do A-23A para o norte ficou mais lenta de repente por volta de 25 de fevereiro de 2025. Shuman é glaciologista, um cientista que estuda geleiras, aposentado da Universidade de Maryland, Condado de Baltimore.
Iceberg A-23A nasceu em 1986 e ficou décadas preso no fundo do mar
O iceberg A-23A se soltou da plataforma de gelo Filchner, na Antártica, em 1986. Ele ficou encalhado por décadas no sul do mar de Weddell e só se soltou do fundo do mar no começo dos anos 2020.
Desde então, Shuman acompanha a viagem do A-23A com imagens de satélite. Em março de 2025, ele estava parado a mais de 2.000 quilômetros ao norte de onde nasceu.
Iceberg A-68A, de um trilhão de toneladas, se partiu perto da ilha em 2020
Josh Willis, oceanógrafo do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, disse em 2025 que as correntes parecem ter levado o A-23A para a mesma área rasa onde já tinham chegado outros icebergs conhecidos. Oceanógrafo é o cientista que estuda o oceano.
O último iceberg grande a chegar perto da Geórgia do Sul antes dele tinha sido o A-68A, de um trilhão de toneladas, em dezembro de 2020. O A-68A logo se partiu em dois pedaços principais, que continuaram se quebrando até se desfazer no norte do mar de Scotia.
Derretimento do iceberg A-68A jogou 152 bilhões de toneladas de água doce no mar
Pesquisadores descobriram depois que o derretimento da parte de baixo do iceberg A-68A colocou 152 bilhões de toneladas de água doce no oceano. Isso aconteceu durante os três meses em que o A-68A ficou perto da ilha, segundo a NASA.
Água doce é a água sem sal, diferente da água salgada do mar.
Água de icebergs derretidos pode mudar o mar perto da ilha
A água que sai do derretimento de um iceberg pode afetar o ambiente do oceano ali perto, segundo a NASA. Essa água também pode levar nutrientes para o mar, que ajudam a produção de vida.
Nutrientes são substâncias que servem de alimento para os seres vivos.
Pedaços do iceberg A-23A podem afetar plantas e animais da costa
Em março de 2025, muitos pedaços de gelo já tinham se soltado das bordas do iceberg A-23A. Esses pedaços não eram grandes o bastante para ganhar nome do Centro Nacional de Gelo dos Estados Unidos, mas ainda podiam afetar as plantas e os animais da costa da ilha.
Águas mais quentes acabam com os icebergs que chegam tão longe
Quando os icebergs chegam tão ao norte, eles acabam vencidos pelas águas mais quentes, pelos ventos e pelas correntes, segundo a NASA. Essa área do oceano é um desafio para todos os navegantes.
“Acho que a grande pergunta agora é se a corrente forte vai prendê-lo ali enquanto ele derrete e se quebra ou se ele vai girar para o sul da ilha, como icebergs anteriores”, disse Willis em 2025, sobre o A-23A. “O tempo dirá.”
Plataforma Brunt soltou vários icebergs grandes em pouco tempo
Os cientistas acompanham de perto a plataforma de gelo Brunt. Ela soltou vários icebergs grandes, um atrás do outro, nos últimos anos, segundo a NASA.
A plataforma Brunt também abriga a Estação de Pesquisa Halley, do British Antarctic Survey, o serviço antártico britânico. Desde os anos 1950, a estação é uma base importante para pesquisas sobre a Terra, a atmosfera e o espaço.
Iceberg A-74 se soltou em 2021 e já se desfez
Além do A-81, a plataforma Brunt soltou o iceberg A-74 em 2021. Esse iceberg saiu de uma rachadura chamada North Rift, a Fenda Norte, e já se desfez.
Iceberg A-83 segue atrás do A-81 rumo ao norte
Em 2024, a plataforma Brunt soltou o iceberg A-83, que saiu de uma rachadura chamada Halloween Crack. O A-83 continua inteiro e segue atrás do iceberg A-81 rumo ao norte.
Junto com eles, alguns outros icebergs também parecem estar saindo do mar de Weddell, segundo a NASA.
Iceberg A-81 está mais lento perto da Geórgia do Sul
Na imagem de 20 de outubro de 2026, o iceberg A-81 aparece na borda da plataforma submarina da Geórgia do Sul, a 2.300 quilômetros da plataforma de gelo Brunt. A ilha já fez outros icebergs pararem, como o A-23A, que encalhou em 2025 e depois se partiu.
Na sua opinião, o iceberg A-81 vai encalhar na Geórgia do Sul, como o A-23A, ou vai seguir viagem? Deixe sua opinião nos comentários.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

